segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Sou a favor da redução da maioridade penal


Propus no Facebook que os meus leitores opinassem sobre a redução da maioridade penal. Houve mais de 50 comentários, todos lúcidos e bem equilibrados. Li todos e agradeço, também aqui no blog, aos que não se furtaram em manifestar-se. É dessa forma que se exercita a democracia e se consolidam posições. A minha percepção inicial, à luz do que vemos no cotidiano e do que foi comentado, é que estamos numa casa sem alicerces, paredes e telhado! 

Se não, vejamos: 1) Não temos infraestrutura, com as nossas rodovias em petição de miséria (salvo as exceções), o sistema ferroviário destruído e a mobilidade urbana em frangalhos. O Rio de Janeiro, hoje, está pior do que São Paulo; 2) o nosso sistema prisional é o que todos conhecem. Precário. Temos apenas quatro presídios federais, com capacidade limitada a apenas 208 presos em cada um deles; 3) a nossa força policial, além de mal paga, não tem efetivo proporcional ao tamanho da população, sem deixar de considerar, também, que muitos desses policiais são corruptíveis. Agora mesmo, durante o réveillon, enquanto boa parte do efetivo será deslocada para dar cobertura em Copacabana, o resto da cidade ficará "às escuras"; 4) o combate às drogas é outra área que poderíamos comparar a um "queijo suíço", cheia de furos. Todos sabemos que para chegar às comunidades, as drogas entram no país por algum lugar da imensa fronteira desguarnecida. Em suma, não temos feito corretamente o dever de casa!!

Em relação à maioridade penal, o grande problema do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) é que, ao chegar aos 18 anos, o "dimenor" é liberado do "sistema sócioeducativo" , mesmo tendo cometido crimes bárbaros, e, em sua grande maioria, volta às ruas para continuar a sua sina de crimes. Perdemos tempo demais com discussões sociológicas e, para ser honesto, não vejo como as coisas se resolvam a curto prazo. Há muito - muitíssimo - a ser feito! Não há nada que possa ser deixado para mais adiante. Tudo é prioritário. Precisamos de um Governo que não seja movido pelo ideologismo esquerdopata, nem pelos caprichos eleitorais, mas que, como um trator, entre de cabeça nas reais necessidades do nosso país. É preciso que seja um peitador. Que tenha coragem de enfrentar o próprio sistema. Sou utópico? Mas quem vive sem utopia?

Com isso em mente, sem deixar de reconhecer tudo o que afirmei acima - a falta de alicerces, paredes e telhado - tenho cristalizados os seguintes pontos quanto à maioridade penal: 1) os criminosos já adultos se escudam nos menores para que assumam os seus crimes, visto que, aos 18 anos, estarão livres, o que deixa os de maioridade à vontade para continuar em sua sanha criminosa; 2) o Código Penal considera uma criança como vulnerável ate 14 anos. A partir disso, quem praticar sexo com ela, "consentido", não sofre nenhuma punição. E olha que a comissão de "notáveis", que preparou o novo projeto do Código, sugeriu diminuir a idade para 12 anos!!! 3) aos 16 anos, o menor pode tirar carteira de habilitação, bem como passa a ter direito facultativo ao voto, além de ser considerado apto para o trabalho, como mencionado por um dos comentaristas. Ou seja, do ponto de vista judicial - compreendendo que a idade cronológica nem sempre corresponde à idade psicológica - creio que, se os menores nessa idade "podem ter" todos esses direitos, devem também assumir as responsabilidades pelos seus delitos.

O grande desafio é se definirem a forma e os mecanismos, posto que, como também ficou claro no post, a maioridade aos 18 anos é cláusula pétrea constitucional. É uma questão a ser resolvida. De qualquer forma, temos duas alternativas: 1) a redução da maoridade penal para 16 anos; ou 2) que o menor, em qualquer idade, ao cometer propositalmente um crime, sofra pena proporcional ao delito para ser cumprida "in totum". Aliás, aproveito para ressaltar que sou contra a progressão da pena, nos termos em que hoje é concedida. Já ouvi dizer na mídia que os mensaleiros vão começar a estudar na prisão, pois a cada 12 horas de estudo reduzem em um dia o tempo de cadeia. A meu ver, a dosimetria tem de levar em conta a gravidade do crime e apenar o criminoso com o tempo de prisão que ele, de fato, deve cumprir. Sem mais, nem menos.

Concluo que não podemos esquecer dos alicerces, como o investimento em educação, saúde, segurança, valorização dos valores familiares, reestruturação do judiciário, urbanização das comunidades, estímulo ao pleno emprego e outras políticas de caráter permanente e não transitórias. Mas os tempos de hoje exigem mais firmeza no trato com a criminalidade. Sem esquecer, também, os criminosos do "colarinho branco". Por fim, conversão a Cristo não exime o criminoso de pagar pelo crime até o fim. À luz da Bíblia, são coisas distintas.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Natal e família, a perfeita harmonia de Belém

Geremias, Debora, nossa filha, Giselle e seu esposo,
Rodrigodraw Miguel, com o neto, Thomaz;
André e sua esposa, Jeanyne, com as netas, Ana Clara e Ana Beatriz,
e a filha caçula, Marcelle Couto
O Natal evoca a família. É a família que se reúne na manjedoura de Belém. É ali que o Menino Jesus vem ao mundo para ser embalado nos braços do pai - ainda que adotivo - e da mãe, referenciais que nunca podem faltar para a sólida formação de uma criança. Mais tarde, já adulto, o gracioso Salvador considera a todos os chamados à salvação como a própria família. Em sua morte redentora, a família é valorizada no elevado gesto em que ele encarrega João de cuidar de sua mãe e de ela abrigar-se sob o cuidado do discípulo amado. A família é o berço da humanidade.

Os anos passam. Já estamos a adentrar 2014. Esforços têm sido feitos, vindos de todas as direções, para desestabilizar a família como célula nuclear da sociedade. Mas quer queiram, quer não, nada pode substituí-la como força de agregação, capaz de passar adiante, às próximas gerações, um legado que não é possível a nenhuma instituição humana.

Estou aqui, na condição de instrumento nas mãos de Deus, porque tive pais que souberam educar-me. Temos procurado - também como pais - passar a mesma educação para os filhos e netos. Nosso desejo é servir como arco para que as nossas flechas possam chegar em lugares aonde não poderemos chegar. Elas são a nossa continuidade. 

Desejamos também que esse sentimento perpasse o coração das demais famílias nesta data de congraçamento universal. Como o gemido de amor que Jesus lançou sobre Jerusalém, temos de amar os que são nossos de tal modo que tenhamos asas onde possam sentir-se abrigados. Pais não são apenas instrumentos para trazer filhos ao mundo. Pais amam, ouvem, abraçam, ensinam e indicam o caminho.

Esse é o nosso olhar para 2014. Queremos ir além, mesmo que seja em ambientes renhidos, desde que essa seja a vontade do nosso Deus e ele nos cubra com as suas poderosas mãos. Dói o nosso coração ver famílias destruídas, com os filhos entregues ao flagelo das drogas, sem que haja um olhar de misericórdia e compaixão daqueles que, por delegação do povo, deveriam estender as mãos para socorrer essa juventude aprisionada ao vício.

Se houver, neste instante, famílias alquebradas lendo esta mensagem, que saúda a todos os leitores deste blog, nossa oração é que aproveitem este Natal para juntar os cacos e refazer os alicerces, paredes e telhado da instituição familiar, renovando os votos de fidelidade a Deus, proteção à família e serviço ao próximo.

Bendito o Natal de Belém. Bendito o Natal da família.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Senado sepulta PLC 122/06


Como já amplamente noticiado pelas redes sociais e escondido pela mídia secular, o PLC 122/06 - aquele da "mordaça gay - foi ontem, finalmente, sepultado em votação realizada pelo plenário do Senado por requerimento do Senador Eduardo Lopes (PRB/RJ). Não há dúvida que esse desfecho foi o resultado de muita oração e da pressão do povo evangélico contra um projeto, que, sob o argumento de defender os direitos da minoria, queria implantar a tirania contra a liberdade de expressão. Com a decisão, ele foi apensado ao PLS 236/2012, que trata da reforma do Código Penal, onde, certamente, os seus defensores tentarão de tudo para ressuscitá-lo.

Mas é bom ressaltar que o relator da reforma do Código Penal, Senador Pedro Taques, em seu parecer final, aprovado ontem pela manhã pela Comissão Especial constituída com a finalidade de discutir o projeto, afastou a hipótese da descriminalização do aborto no Brasil, não concordou com a diminuição de 14 para 12 anos a tipificação de menores vulneráveis, não abriu brechas para a legalização das drogas e da prostituição e ainda retirou da proposta expressões como "orientação sexual", "gênero" e "identidade de gênero" por considerá-las ambíguas e subjetivas.

A título de informação, veja a lista dos senadores que votaram a favor da manutenção do PLC122/06 e dos que foram favoráveis ao seu apensamento à reforma do Código Penal:

Votaram contra o apensamento:

Ana Rita, PT/Espirito Santo
Antonio Carlos Rodrigues, PR/São Paulo
Antonio Carlos Valadares, PSB/Sergipe
Eduardo Suplicy, PT/São Paulo
João Capiberibe, PSB/Amapá
Jorge Viana, PT/Acre
Lídice da Mata, PSB/Bahia
Paulo Davim, PV/Rio Grande do Norte
Paulo Paim, PT/Rio Grande do Sul
Pedro Simon, PMDB/Rio Grande o Sul
Randolfe Rodrigues, PSB/Amapá
Roberto Requião, PMDB/PR

Votaram a favor do apensamento:

Alfredo Nascimento, PR/Amazonas
Aloysio Nunes, PSDB/São Paulo
Álvaro Dias, PSDB/Paraná
Ana Amélia, PP/Rio Grande do Sul
Blairo Maggi, PR/Mato Grosso
Cassio Cunha Lima, PSDB/Paraíba
Cícero Lucena, PSDB/Paraíba
Cristovam Buarque, PDT/Distrito Federal
Cyro Miranda, PSDB/ Goiás
Eduardo Lopes, PRB/Rio de Janeiro
Eunicio de Oliveira, PMDB/Ceará
Flexa Ribeiro, PSDB/Pará
Jader Barbalho, PMDB/Pará
João Durval, PDT/Bahia
João Vicente Claudino, PTB/Piauí
José Agripino, DEM/Rio Grande do Norte
Lindberg Farias, PT/Rio de Janeiro
Magno Malta, PR/Espírito Santo
Mozarildo Cavalcanti, PTB/Roraima
Paulo Bauer, PSDB/Santa Catarina
Pedro Taques, PDT/Mato Grosso
Ricardo Ferraço, PMDB/Espírito Santo
Rodrigo Rollemberg, PSB/Distrito Federal
Ruben Figueiró, PSDB/Mato Grosso do Sul
Sérgio Petecão, PSD/Acre
Sérgio Souza, PR/Paraná
Vital do Rêgo, PMDB/Paraíba
Waldemir Moka, PMDB/Mato Grosso do Sul
Wilder Morais, DEM/Goiás

Abstenção:

José Pimentel, PT/Ceará
Vanessa Grazziotin, PCdoB/Amazonas

Consta que os senadores Walter Pinheiro - evangélico e petista - e o presidenciável Aécio Neves estariam no plenário, mas teriam se retirado na hora da votação. O fato é que uma batalha foi vencida, mas a luta continuará a ser travada, a partir de agora, no âmbito da reforma do Código Penal, quando for votado no plenário do Senado, embora se conheça que o parecer do Senador Pedro Taques não abrigou as propostas dos ideólogos petistas que apoiam as revindicações do movimento gay.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Minha conversa com famoso líder cristão



Numa dessas noites tive um diálogo bastante proveitoso com um famoso líder cristão extremamente incisivo, cujas palavras cortam com precisão, como se fossem uma navalha afiada. Não é que use termos de baixo calão ou linguagem vulgar. Ele se destaca por não ser ambíguo, não tergiversar, mas ir direto ao ponto, sem caprichos humanos, embora o faça com todo o respeito aos que o ouvem.

Fiquei impressionado com a conversa. É um homem que sofre todo tipo de afronta. O que ele já experimentou ao longo de sua vida, certamente eu não conseguiria suportar. Pude perceber que para ele não tem tempo ruim e nem pessoas especiais. Fala ao comum dos mortais da mesma forma como fala às pessoas mais abastadas. Confesso, mais um vez, que fiquei encantado. Fiz mais ouvir do que falar.

Disse-me ele que a aparência não importa na hora de se avaliar quem as pessoas são. O que vale é o que são em si mesmas. Aí me contou de um encontro que teve com outros líderes aos quais tratou bem, com toda a consideração, mas não ficou abobalhado, com medo de falar o que era para ser dito só porque eram líderes.

Outro episódio que me contou foi quando um desses tentou dissimular numa questão extremamente séria, tentando jogar dos dois lados. Percebi, enquanto a conversa prosseguia, que, se fosse eu, ficaria cheio de dedos para repreendê-lo. Olharia para a sua "posição hierárquica" no ministério, levaria em conta a sua idade, pesaria o apoio que tinha e talvez preferisse ficar calado. Mas qual não foi minha surpresa, quando me disse ter sido franco com o dito líder, sem levar em conta certas mesuras, mostrando de maneira aberta o seu grave erro.

Outra lição que aprendi nessa conversa com o famoso líder é que ele jamais teve pretensão midiática e nunca fez articulações com o mundo político para tornar o evangelho mais "amigável" às pessoas. Na verdade, pelo que pude perceber, ele não tolera aqueles que proclamam o evangelho com falsidade. Ao contrário, não tem nenhum temor em expô-los de maneira pública, mesmo que os seus opositores lhe digam que não pode julgar os "irmãos". 

Ficou claro, para mim, que essa é uma das razões pelas quais ele sofre tanta afronta.

Depois desse excelente diálogo, que entrou pelas primeiras horas da madrugada, regado com água fresca das fontes de Teresópolis, tive uma boa noite de sono e estiquei um pouco mais na cama na manhã seguinte, porque, afinal, ninguém é de ferro.

A essa altura, vocês querem que eu dê o nome do famoso líder. Ele me autorizou a fazê-lo. Conversei com o apóstolo Paulo mediante a leitura da epístola aos Gálatas.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Relembrar, refletir e recriar a Escola Dominical (4)

Crédito: blogdeolhonoalvo.blogspot.com.br
Como prometi na postagem anterior, quero acrescentar nesta ultima algumas coisas que considero, por fim, importantes nessa busca de recriar a Escola Dominical e lhe dar uma dinâmica estratégica que a torne mais completa, relevante e eficaz como resposta para a relativização do mundo pós-moderno.

1) Não tirar o foco daquilo que tão bem o pastor Antonio Gilberto definiu em seu Manual da Escola Dominical, onde afirma que ela é uma agência que evangeliza enquanto ensina. Ou seja, a Escola Dominical pode e deve ter o seu foco voltado também para a evangelização através das próprias classes como instrumentos para ganhar as almas. Além disso, por que não criar a classe para visitantes, onde os não convertidos teriam um espaço para conhecer o bê-á-bá da salvação?

2) Trazer, por outro lado, para a Escola Dominical a perspectiva de comunhão tão bem desenvolvida nos chamados “pequenos grupos” de modo que as atividades da classe não se esgotem na aula de domingo, mas tenham continuidade durante a semana com o desenvolvimento de outras tarefas que aproximem os alunos uns dos outros e cresçam na comunhão..Por que não criar um programa que permita aos alunos se reunirem uma vez por semana, na casa de cada um deles, para exercitar o evangelismo e a comunhão, assim como ocorre nos "pequenos grupos"? É simplesmente uma questão de vontade.

 3) Fazer com que os professores desenvolvam a capacidade de aplicar o conteúdo da lição às necessidades do aluno e às questões contemporâneas que eles enfrentam. Isto implica em dar significado, na vida pessoal, ao que eles aprendem em aula. É tornar a Palavra viva em suas vidas lá fora no mundo onde enfrentam as suas batalhas diárias. Não é só repassar conhecimento. É explicar porque aquilo faz sentido na vida de cada um.

4) Estabelecer metas razoáveis e criativas para as classes (e as melhores estratégias para alcançá-las), tais como:

- leitura de toda a Bíblia durante o ano;
- número de visitantes a serem trazidos, a cada domingo, pelas classes;
- Atribuir tarefas específicas, como visitas a presídios, cultos nos lares ou algum tipo de assistência social
   para cada classe;
- Dar a cada classe a cada classe a oportunidade de agregar um número-alvo de membros da igreja à
  Escola Dominical todos os meses, e
- Cobrar relatório de todas as tarefas delegadas não só para fins de resultados, mas sobretudo para gerar
   comprometimento com a Escola Dominical.

Conclusão

Não há limites para sermos criativos, desde que aquilo que criamos seja lícito e contribua realmente para o fim desejado. A Escola Dominical não ficou obsoleta. Ela é, de outra forma, aquilo que hoje se pretende com os chamados “pequenos grupos”. Assim, vamos reavaliar a Escola Dominical, recriá-la e fazer dela uma ferramenta atual e relevante para esta época.

A oportunidade está em nossas mãos.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Relembrar, refletir e recriar a Escola Dominical (3)

Credito: ipbcm.com.br
Nesta postagem, faremos um cotejamento entre a EBD e os chamados "pequenos grupos" para mostrar que ela cumpre também finalidades semelhantes, com prioridade ao ensino bíblico.

A Escola Dominical relevante – recriando a sua dinâmica estratégica

Para que possamos bem avaliar a relevância da Escola Dominical para os dias de hoje, é bom estabelecer inicialmente um paralelo entre ela e os chamados “pequenos grupos”, já que o uso destes, em processo de substituição, tem sido um dos argumentos para desprezá-la. Aos fatos:

1) Tanto quanto os “pequenos grupos”, a Escola Dominical se baseia na mesma perspectiva, pois segundo os pedagogos da área uma classe não pode ter mais do que 25 alunos. Dizer que não se trata de um grupo pequeno é negar a própria evidência.

2) Tanto quanto os “pequenos grupos”, que recebem uma mesma mensagem a cada semana, compartilhada pelo pastor aos líderes, a Escola Dominical estuda uma mesma lição a cada semana, geralmente compartilhada aos sábados com todos os professores. Ou seja, a mesma metodologia, com uma diferença básica: para as igrejas que adotam um currículo como o da CPAD, a lição é a mesma para todo o Brasil. Todavia, mesmo que o currículo seja local ou de outras editoras, o ensino é o mesmo para toda a igreja.

3) Tanto quanto os “pequenos grupos”,  que, ao chegarem a um determinado número de participantes deve gerar um novo grupo, igualmente ocorre com uma classe que alcançou o número estipulado: ou seja, ela gera também uma nova classe pelo mesmo processo de multiplicação.

4) Tanto quanto os “pequenos grupos”, nos quais se investe com a ideia de envolver todos os membros, a Escola Dominical tem o mesmo potencial de alcançar toda a Igreja, desde que se invista nela como a prioridade estratégica para o ensino e a formação do crente, bem como para o crescimento do povo de Deus.

5) Tanto quanto os “pequenos grupos”, onde as pessoas oram e estudam a Palavra de Deus juntas, A Escola Dominical cumpre com a eficácia a mesma finalidade: os alunos se reúnem todos os domingos, oram e estudam a Palavra de Deus juntos praticamente usando o mesmo período de tempo empregado pelos “pequenos grupos”.

6) Tanto quanto os “pequenos grupos”, que prestam relatório semanal de suas atividades à coordenação-geral, as classes da Escola Dominical também prestam relatórios circunstanciados, a cada domingo, para que se acompanhe sempre o seu desenvolvimento.

Já deu para perceber, por esses arrazoados, que a perspectiva não é diferente. Os “pequenos grupos”, não obstante o papel que possam desempenhar, desde que submetidos ao crivo das Escrituras, não são a descoberta da pólvora e nem a Escola Dominical é ultrapassada como alguns erradamente supõem. Agregá-los à Igreja, depois de medidos os prós e os contras, é uma coisa. Substituir a Escola Dominical por eles é um erro crasso e uma atitude desvantajosa pelas seguintes razões:

1) As classes da Escola Dominical são organizadas por faixas etárias de maneira que desde o berço ate a terceira idade todos têm um lugar específico para estarem e se sentirem no seu próprio ambiente. Os “grupos pequenos” já não são assim: eles geralmente agregam pessoas de idades diferentes no mesmo ambiente, enquanto as crianças... bem, essas ficam em segundo plano, diferentemente da Escola Dominical.

2) O ensino na Escola Dominical é dosado, de acordo com cada faixa etária, seu estágio de conhecimento e suas necessidades específicas, enquanto nos “grupos pequenos” esse critério fica prejudicado já que o ensino é um só para todos os grupos, sem levar em conta as diferenças entre as faixas etárias.

3) Na Escola Dominical, se a criança é matriculada desde recém-nascida na classe de berçário  e passa por todas as faixas etárias até chegar à fase adulta, ela terá freqüentado um curso teológico completo e dosado, à medida que foi alcançando novos graus no seu desenvolvimento, enquanto que nos “grupos pequenos” isso jamais acontecerá.

Vejo, portanto, que a Escola Dominical atende à perspectiva dos “pequenos grupos” numa proporção muito mais vantajosa para a Igreja. Ela continua, deste modo, plena de atualidade, relevância  e significado para a era pós-moderna, onde o relativismo tomou conta de tudo, os conceitos não são bem definidos e cada um faz o que bem entende. A Escola Dominical é esse marco em defesa da fé cristã, que proporciona raízes sólidas àqueles que a frequentam e supre sem nenhuma dúvida a necessidade da Igreja na fomentação do ensino. Na última postagem, acrescento outras sugestões com o propósito de torná uma agência de ensino de excelência.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Relembrar, refletir e recriar a Escola Dominical (2)

Crédito: mocidadecanticoseternos.blogspot.com.br
Vejamos, de maneira detida, nesta postagem, alguns pontos que têm sido fatores de desestímulo para uma boa e eficiente Escola Dominical:

1) A idéia de que a Escola Dominical é como um culto de celebração, segundo os padrões tradicionais, onde as pessoas participam mais pensando em serem tocadas nas emoções do que na razão. Muitas igrejas há que incutem essa idéia na mente dos crentes de maneira que o resultado final é zero porque as pessoas esperavam algum tipo de manifestação emotiva, e não de exercício mental.

2) A reunião das classes dentro dos templos, em que os professores disputam entre si para ver quem fala mais alto, sem que disponham de espaço físico para uma boa aula e conseqüente aproveitamento dos alunos. Estes acabam desmotivados, deixam de freqüentar a Escola Dominical e ela fica esvaziada.

3) A falta de preparo dos professores, que ficam estagnados no tempo, não se atualizam, nem se aprimoram e, por isso, deixam de ser bons facilitadores para o aprendizado de seus alunos por não saberem aplicar o ensino ao seu dia-a-dia. É claro que uma Escola Dominical assim terá pouca motivação para crescer.

4) A própria visão ministerial de algumas igrejas, que não dão à Escola Dominical a prioridade que lhe é de direito, mas tratam-na como se fosse um complemento de pouca importância no organograma dos propósitos de sua existência. Se a igreja pouco ou nada se importa, que mensagem passará aos membros?

5) O desinteresse da liderança, que não valoriza a Escola Dominical, não comparece e deixa de se pôr à frente, tal qual um líder, fazendo com que seus liderados desenvolvam também o mesmo comportamento. Ora, se à liderança não importa, por que devo eu importar-me?

6) A forma instável de a liderança da igreja lidar com processos, sem saber o que quer, por onde ir e aonde quer chegar. É o caso daquelas que “surfam” nas ondas que aparecem. Nem bem uma passou, já estão “pegando” outra. Com isso, não conseguem firmar o projeto da igreja numa direção sólida e consistente E a Escola Dominical acaba sofrendo os reflexos disso.

7) A ansiedade de alguns em serem o pai da mais recente novidade sem que pesem o valor intrínseco dela, sua viabilidade e aceitação, bem como se acarretará prejuízos ao rebanho. Com tal comportamento, a Escola Dominical, é claro, sempre será o último vagão do trem (se o for!), pois a prioridade é a mais nova descoberta que fez a igreja.

Isto explica, em parte, as razões pelas quais a Escola Dominical tem sido relegada ao segundo plano em diversos segmentos da Igreja, fazendo com que ela perca, para estes, não só a sua singularidade histórica, mas a sua relevância para a época presente. Explica, mas não justifica. Na verdade, o que precisamos é ter a dimensão exata do que a Escola Dominical representa para a Igreja, qual o seu papel nesta era pós-moderna e como atualizá-la para que se torne uma ferramenta amada e desejada pelos membros como indispensável para o seu crescimento espiritual. Recriá-la é a palavra-chave, pois não implica em fazer uma coisa nova, mas em dar a ela as condições necessárias para que se renove e tenha hoje a mesma relevância que teve no passado, desde quando foi iniciada por Robert Raikes. Na próxima postagem, veremos como recriar a dinâmica estratégica da Escola Biblica Dominical.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Relembrar, refletir e recriar a Escola Dominical (1)

Credito: ebdadolescentes.blogspot.com.br
Inicio uma série de postagens, já programadas, que compõem o texto de uma conferência que venho ministrando há alguns anos em diferentes congressos de Escola Dominical. Minha intenção, ao disponibilizá-la "in totum", é contribuir para que seja uma ferramenta aos que buscam aprimorar a EBD como a melhor estratégia de ensino a igreja.

Introdução

Pensar a Escola Dominical é de extrema importância para que se perceba a sua atualidade face aos projetos alternativos que, hoje, são oferecidos às igrejas como se fossem a descoberta da pólvora e aquela estivesse já ultrapassada. De uns tempos para cá, o que mais se destaca no ambiente evangélico, como método eficiente de evangelização, ensino e comunhão, são os chamados “pequenos grupos”, não importa o nome que tenham, enquanto a Escola Dominical é desprezada e até mesmo suprimida da estrutura da igreja.

Mas seria a Escola Dominical, de fato, um instrumento já arcaico? Estaria ela esgotada como modelo para o crescimento integral da Igreja? Estaria ela fadada a ser apenas um apêndice, e não parte vital do dia-a-dia da fé? Que falhas estariam sendo cometidas, produzindo essa visão distorcida a respeito, que colocam a Escola Dominical  no “museu” das tradições evangélicas? Se existem falhas, como corrigi-las? É através de perguntas como as que acabam de ser feitas, que poderemos chegar a uma boa conclusão acerca do tema que me foi proposto.

O que motivou a criação da Escola Dominical – relembrando os seus passos

Todos os que lidam com o ensino na Igreja conhecem as origens da Escola Dominical, lá atrás, com Robert Raikes. Como nossa intenção, aqui, não é histórica, quero apenas ressaltar o que o motivou a lançar mão deste projeto que se tornou o maior programa de ensino da Igreja através dos tempos. Seu alvo era alcançar as crianças marginalizadas e lhes oferecer ensino que, ao mesmo tempo, proporcionasse a elas uma boa formação e também as retirasse das ruas, onde acabariam sendo transformadas em perigosos bandidos.

Com o passar do tempo, algo que se iniciou de maneira espontânea e até sob certa oposição de segmentos da Igreja, tomou vulto e passou a ser parte da estratégia evangélica para alcançar todas as faixas etárias, inclusive os adultos, com a disseminação do ensino bíblico. Muitos pastores de nossas igrejas tiveram o seu alicerce bíblico nas classes de Escola Dominical que frequentaram desde quando eram crianças. Eles ainda hoje se lembram de suas professoras e de quanto elas foram importantes para o seu crescimento espiritual.

Hoje, à exceção de boa parte das igrejas neopentecostais e de algumas outras históricas que estão em busca de novas alternativas, a Escola Dominical é ferramenta indispensável para que os princípios imutáveis da Palavra de Deus sejam difundidos, alcancem todos os membros, contribuam para dar uma sólida formação espiritual, moral e social aos alunos e criem profundos alicerces doutrinários à prova de todo vento de doutrina. Ela já deu mostras de sua robustez, seus propósitos e resultados ao longo da história. A Escola Dominical não precisa provar nada. Ela, em si, já é um testemunho de sua importância.

A Escola Dominical sob ataque – uma reflexão sobre o seu “modus operandi”

Nos últimos anos, todavia, o ataque à Escola Dominical como ferramenta indispensável à Igreja tem aumentado gradativamente à medida que novos modelos surgem no meio evangélico, sobretudo aqueles que valorizam os chamados “grupos pequenos”.  Diz-se que a Escola Dominical é um modelo arcaico, esgotado, que não supre as necessidades do homem pós-moderno. Afirma-se que é preciso substituí-la por um programa mais eficiente e dinâmico, que preencha também outras áreas nas quais ela não estaria sendo eficaz. Argumenta-se que a Igreja precisa estar aberta ao novo e reciclar sempre a sua metodologia para continuar sendo vanguarda no mundo de hoje. Quanto a este último argumento, diga-se de antemão, é óbvio que não se pode desprezar o novo pelo simples fato de representar uma novidade, mas nem tudo o que é novo tem legitimidade ou representa, de fato, uma opção válida. É preciso ter senso crítico para discernir o bom do ruim.

No entanto, em que pesem essas afirmações, elas ocorrem não porque a Escola Dominical tenha perdido o seu potencial como agência de ensino da Igreja ou não seja mais adequada para atender as demandas da atual conjuntura. O que produz então esse tipo de rejeição, apesar de todos os avanços?  É o modo como se presume a Escola Dominical, a forma como é tratada na vida de muitas igrejas locais, a negligência em perceber o quanto ela é o melhor instrumento da Igreja para chegar-se aos membros e a falta de investimento maciço em sua estrutura. Veremos, na próxima postagem, alguns fatores de desestimulo para uma boa Escola Bíblica Dominical.