Assembleias de Deus se opõem a postura "pró-casamento" gay de Obama


Michael Gryboski
Uma das maiores denominações pentecostais dos Estados Unidos anunciou oficialmente sua oposição à postura pró-“casamento” gay do presidente Barack Obama.
As Assembleias de Deus dos EUA, uma denominação com mais de 3 milhões de membros, divulgaram um comunicado na quinta-feira tratando dos recentes comentários do presidente apoiando o “casamento” gay. “A Bíblia ensina claramente que o casamento deve ser um compromisso de vida inteira entre um homem e uma mulher”, disse o George O. Wood, superintendente geral das Assembleias de Deus.
George O. Wood

“Embora tenha se tornado muito comum citar a Bíblia grosseiramente fora de contexto para atender a uma agenda pessoal ou política, isso porém não muda o que a Palavra de Deus declara claramente”.
Durante a eleição presidencial de 2008, o senador Barack Obama, que era então candidato, não apoiava o “casamento” gay. Em toda a sua presidência, à medida que grupos gays prosseguiam pressionando, Obama falava de sua posição sobre a questão como “evoluindo”, o que trouxe, como resultado, críticas tanto da direita quanto da esquerda por sua ambivalência.
No domingo, o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, disse no programa de TV “Meet The Press” (Um Encontro com a Imprensa) da NBC que ele estava totalmente à vontade com o “casamento” gay sendo legalizado, o que aumentou a pressão no presidente para anunciar apoio também. A declaração de apoio de Obama ocorreu na quarta-feira.
“[Michelle e eu somos] cristãos praticantes… quando pensamos acerca da nossa fé, que está na raiz de nossas convicções, não só Cristo se sacrificando em nosso favor, mas também a Lei de Ouro — tratar os outros do jeito que gostaríamos que nos tratassem”, disse Obama depois de afirmar para a ABC News que “as duplas de mesmo sexo têm o direito de se casar”.
De acordo com a posição oficial das Assembleias de Deus, “a crescente aceitação cultural da identidade e conduta homossexual, masculina e feminina, é sintoma de uma desordem espiritual mais ampla que ameaça a família, o governo e a igreja”.
“Atividades homossexuais de todos os tipos são contrárias aos mandamentos morais que Deus nos deu”.
Outros líderes e denominações cristãs fizeram declarações tanto em apoio quanto em oposição aos comentários de Obama sobre essa questão social que provoca tantas divisões.
Joel Hunter, muitas vezes considerado conselheiro espiritual de Obama, disse ao Christian Post numa entrevista passada que ele estava desapontado com o modo de pensar do presidente.
“A Lei de Ouro está na Bíblia, mas não dá para usá-la para contradizer o modelo de casamento de Deus defendido e confirmado por Jesus em Mateus 19:4-5”, disse Hunter.
“Embora discorde do modo como o presidente interpreta a Bíblia, não abandonarei nossa amizade… Apenas continuarei dizendo a ele o que creio que a Bíblia diz e deixar o resto com Deus”.
O reverendíssimo Larry R. Benfield, bispo da diocese episcopal de Arkansas, divulgou um comunicado apoiando os comentários de Obama.
“Concordo com a posição do presidente. Muito diferente da decisão da Carolina do Norte, o casamento civil de duplas gays um dia será visto como bom para a sociedade”, disse Benfield. “Aguardo o dia em que tais casamentos ocorrerão neste estado de modo que possamos viver uns com os outros num espírito de igualdade e justiça”.
Traduzido por Julio Severo do artigo do Christian Post: Assemblies of God Opposes Obama’s Same-Sex Marriage Stance
PS. Será que, mesmo depois disso, pastores do Rio de Janeiro darão apoio à reeleição de um candidato que faz do turismo sexual gay uma de suas mais vibrantes bandeiras, como mostra abaixo o vídeo da Riotur? As cenas são chocantes, mas vale a pena assisti-lo.

Movimento gay sofre derrota na Carolina do Norte


Com incentivo de Billy Graham, Carolina do Norte nos EUA rejeita todos os tipos de união homossexual


Na terça-feira, um dos estados dos EUA deu um golpe fatal nas ambições dos supremacistas homossexuais. Eleitores da Carolina do Norte aprovaram uma emenda constitucional estadual que proíbe o casamento gay, a união civil e outras formas de parcerias entre pessoas do mesmo sexo.
Eleitores da Carolina do Norte celebram vitória contra supremacistas homossexuais
Essa vitória veio como resultado de um grande esforço envolvendo lideranças evangélicas locais. O próprio Rev. Billy Graham, o mais famoso evangelista do mundo, havia entrado na batalha eleitoral da Carolina do Norte, expressando sua opinião sólida: “Nunca pensei que chegaríamos a debater a definição do casamento… A Bíblia é clara — Deus define o casamento como entre um homem e uma mulher. Quero exortar meus compatriotas da Carolina do Norte a votar a favor da emenda que proíbe o casamento gay na terça, 8 de maio. Deus abençoe vocês ao votarem”.
A opinião oficial de Graham havia sido colocada, por iniciativa dele, em anúncios de página inteira em 14 importantes jornais da Carolina do Norte.
“Observar o declínio moral de nosso país me causa grande preocupação”, o pastor de 93 anos, que orou com todos os presidentes dos EUA, desde Dwight Eisenhower, disse no site da Associação Evangelística Billy Graham. “Creio que o lar e o casamento são o alicerce da nossa sociedade e devem ser protegidos”.
Depois que Graham e outros pastores falaram, o povo falou claro e alto nas urnas — contra todas as uniões formais homossexuais. Mas será que as elites entenderam o recado?
Os EUA estão divididos com relação à questão gay: o que a elite quer, o povo não quer, e o que o povo quer, a elite não quer.
Em 38 estados dos EUA, o casamento gay é proibido, conforme informação do jornal Washington PostNas 31 vezes em que a união homossexual foi levada às urnas desde 1998, seus defensores perderam TODAS.
O quadro é paradoxo: o casamento gay é cada vez mais comum nas séries de TV dos EUA e, como reforço prático, juízes e autoridades extremistas impõem a ferro e fogo a agenda gay de todas as formas possíveis nas escolas e em outros espaços de formação educacional.
A agenda gay nos EUA avança à custa da mídia e elite esquerdista, não da vontade do povo.
A elite midiática não depende de urnas para impor sua visão moral e imoral, carregada de distorções, sobre o resto da sociedade.
Sem nenhum consentimento e aprovação do povo, eles estão literalmente no ataque aos valores morais e cristãos e à mente do público.
Em contraste, o público está sempre na defensiva. A grande maioria dos americanos permanece em silêncio, por medo de serem chamados de “homofóbicos”, enquanto são bombardeados constantemente com a propaganda universal e onipresente da supremacia homossexual. Mas, quando chega às urnas, o povo expressa claramente sua oposição ao reconhecimento formal da união matrimonial entre pessoas do mesmo sexo.
Diante da “obstinação” do povo, as autoridades radicais se enxergam com a missão de introduzir leis que imponham programas de doutrinação na população, começando da escola. É o que podem fazer para mudar com o tempo o resultado das urnas.
Já os meios de comunicação se enxergam com a missão de saturar a mente de suas audiências com imagens positivas das pretensões gays, de modo que o público se acostume tanto como o homossexualismo que, cedo ou tarde, expressará, nas urnas e outros lugares, apoio a esse comportamento.
Além disso, há sempre o poder do ativismo de juízes que, com uma única decisão tirânica, podem reverter o resultado de milhões de pessoas através das urnas.
Enquanto a lavagem cerebral midiática, social, política e cultural não está completa, os chefões da mídia americana, as autoridades extremistas e os supremacistas gays não podem confiar nas urnas e no povo que as usa. Só podem confiar em juízes e outras criaturas que impõem goela abaixo da população decisões que nunca foram aprovadas nas urnas.
Parabéns aos eleitores da Carolina do Norte por terem mostrado às elites que a supremacia homossexual não é normal nem aceitável.
E parabéns a Billy Graham e outros pastores, que estimularam os eleitores na direção certa.
PS. Enquanto isso, no Rio de Janeiro, a Riotur, empresa administrada pela Prefeitura de Eduardo Paes, divulga a capital fluminense no exterior apelando para o turismo sexual, usando a homossexualidade, com cenas constrangedoras, como uma das principais características da diversidade sexual da cidade. 
Será que ainda assim pastores do Rio de Janeiro vão apoiar a sua reeleição em outubro?
Há cenas chocantes, mas vale a pena assistir ao vídeo:

Silas Malafaia: dois pesos e duas medidas



É contraditório que líderes evangélicos, alguns deles midiáticos, combatam com veemência a mordaça gay, representada pela insistência de alguns parlamentares em aprovar o PLC 122/06, enquanto, no âmbito executivo, admitem não haver qualquer dificuldade em dar apoio a candidatos que apóiem a Marcha do Orgulho Gay desde que apóiem também a Marcha Para Jesus ou eventos religiosos de qualquer outra natureza.

Este posicionamento ficou bem claro na fala do pastor Silas Malafaia, em seu programa do dia sete de abril, quando mostrou a incoerência do Ministério Público Federal em pedir-lhe esclarecimentos por certas expressões, que não passaram de metáforas, para sermos justos, empregadas em seu discurso ano passado, na Marcha Para Jesus em São Paulo, contra o uso de símbolos católicos na Marcha do Orgulho Gay para vilipendiar a fé católica.

Mostrou em sua defesa o discurso do Senador Magno Malta no plenário do Senado, que recebeu aparte do senador Lindberg Farias favorável ao pastor Silas Malafaia, sob os protestos do setor LGBT do PT, já que o programa do partido é muito claro nessas questões. Deputados já foram punidos por infringirem essas normas. Mas para quem não sabe, conforme informa o blog Holofote Net, Lindberg, o defensor de Malafaia, assinou o pedido de desarquivamento do PLC 122/06 e, como deputado federal, votou contra a PEC 25/95 que proibia o aborto em qualquer situação. No entanto, como tem pretensões políticas em 2014, provavelmente como candidato a Governador do Estado do Rio, nada como dar uma aliviada para atrair setores evangélicos para a sua candidatura.

Mas o ponto a destacar aqui é a contradição entre atacar a mordaça gay e ao mesmo tempo apoiar candidatos a cargos majoritários, como o de prefeito, por exemplo, que sejam condescendentes com os evangélicos, mesmo que, do modo como a causa gay se insinua no Congresso Nacional, façam dela um dos pontos fortes de sua administração, tema este também já tratado no Holofote Net e no blog do Júlio Severo.

Sobre o assunto, que já começa a pipocar nas redes sociais, houve quem defendesse tal contradição com a tese de que o executivo governa para todos, e não para um grupo em particular, razão pela qual temos de aceitar, digamos, essas ambiguidades. É óbvio que a tese é válida nos termos para os quais o candidato é eleito, qual seja o de administrar a cidade, o estado ou o país e garantir que todos tenham do Estado aquilo que lhes é de pleno direito.

Este não é o caso da Marcha do Orgulho Gay e da Marcha Para Jesus, a primeira de caráter reivindicatório, embora transvestida de manifestação cultural; a segunda, olhada primariamente em suas raízes, com a finalidade de proclamar a Cristo numa sociedade secularizada. Foi assim que surgiu na Europa, embora hoje possa ter outras conotações. No entanto, em ambos os eventos não cabe qualquer patrocínio do Estado, a não ser aquilo que lhe compete, como, entre outras coisas básicas, ter um plano de operação em que conste prestar segurança, cuidar do trânsito e disponibilizar socorro médico. Quanto a isso, sou coerente com o que escrevi neste blog sobre a proposta do Senador Crivella, em 2007, que incluía as igrejas evangélicas como beneficiárias da Lei Rouanet de incentivo à cultura. Veja aqui. Defendo a separação total entre a Igreja e o Estado.

Todavia, no Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes vai muito além disso por estar comprometido até a medula com o movimento gay. Como estamos em ano eleitoral, com o intuito de amenizar tal comprometimento e angariar simpatia entre os evangélicos, chegou a dizer há cerca de dois meses, em Encontro do Conselho de Pastores do Rio, que a cidade terá a maior Marcha Para Jesus de todos os tempos. Ora, a fala do prefeito casa-se de maneira perfeita com a fala do pastor Silas Malafaia, que pode ter usado o argumento já mencionado acima para preparar o terreno com vistas a apoios futuros.

A prova que Eduardo Paes tem fortes compromissos com o movimento gay está no vídeo abaixo, preparado pela Riotur, empresa administrada pelo município, para atrair turistas homossexuais do exterior. Isso fica claro em matéria do jornal britânico, The Guardian, como citado no Holofote Net, o qual diz que as políticas implementadas por Paes tem por fim tornar o Rio a maior referência aos homossexuais. O vídeo apresenta o Rio de Janeiro como a cidade da diversidade sexual, com cenas chocantes, beirando à pornografia, e infringe a própria legislação brasileira. Quem viaja com frequência, já viu nos aeroportos do país dezenas de cartazes que combatem o turismo sexual como crime, sem tipificar a forma da sexualidade. 

Ora, o que faz o vídeo de Eduardo Paes, senão estimular o turismo sexual? Quem assiste as cenas com o máximo de imparcialidade verá implícita a seguinte mensagem subliminar: "Venham para o Rio. Aqui vocês podem praticar sexo em qualquer lugar. Aqui é o seu 'paraíso'". Ou seja, à luz da legislação brasileira, é um ato criminoso. Por outro lado, uma lei aprovada pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e sancionada pela então Governadora, Rosinha Garotinho, proíbe a venda de cartões postais que exponham mulheres em trajes sumários e estimulem, com isso, o turismo sexual. Mas o vídeo de Eduardo Paes, com suas imagens sensuais homoafetivas, infringe, por analogia, a própria lei estadual. Não dá para esconder!

Por último, caso você não se sinta constrangido pelas imagens que aparecerão na tela, sugiro que assista ao vídeo antes que o retirem do ar e possa você mesmo tirar as conclusões.


Depois disso, ainda haverá pastores que tentarão blindar Eduardo Paes, pré-candidato à reeleição no pleito de outubro?

Como ajudar aos flagelados do Acre

Foto: Sergio Vale/Secom


Navegar pelo Rio Acre nos dias atuais é testemunhar tempos de sofrimento para as comunidades ribeirinhas desde a foz, nas pequenas vilas de Tahuamanu (departamento de Madre de Dios), no Peru, até a cidade amazonense de Boca do Acre. Da nascente até a desembocadura, são 1.119 quilômetros, e é nos maiores municípios, como Rio Branco, que os estragos provocados pelas enchentes mostram a real dimensão do flagelo vivido pelos milhares de pessoas que escolheram as margens do manancial para morar e trabalhar. Da cidade até a comunidade do Catuaba, grandemente afligida pela cheia, são cerca de vinte quilômetros pelo ramal Belo Jardim – transformado pela força da Natureza em braço do rio por onde ao invés de carro transitam canoas movidas a remo ou motor rabeta. Pelo rio, leva-se 45 minutos descendo e uma hora subindo para fazer esse trajeto.

Ribeirinhos sofrem com a enchente
do Rio Acre (Marcos Vicentti)
Enquanto se percorre a zona urbana de Rio Branco, a visão é desoladora: reservatórios de água submersos, torres de energia elétrica ameaçadas, margens desbarrancando e muitas casas ameaçadas. Há regiões em que o rio avançou mais de um quilômetro além de seu leito. A situação parece piorar à medida em que se avança para a área rural: ramais estão debaixo da água, os roçados já apodreceram quase tudo e as perdas, já não há mais dúvida, se avolumam a cada centímetro que o rio sobe. As fruteiras e culturas permanentes vão se perdendo. “Estamos na safra do cajá, fruta que representa uma renda a mais para estes produtores. Eles podem faturar até um salário mínimo neste período mas, com a cheia, deixaram de ganhar esse dinheiro”, observou Jorge Rebolças, diretor da Secretaria de Floresta e Agricultura de Rio Branco (Safra).

No começo da semana a Secretaria divulgou um relatório mostrando que os produtores acumulam prejuízo de cerca de R$ 12,4 milhões com perdas totais nas lavouras de mandioca, banana, grãos e frutas. Das 16 comunidades hoje afetadas, todas estão recebendo ampla ajuda pública em cestas básicas, combustível, transporte, água potável e hipoclorito de sódio para tratamento de água.

No começo da semana a Secretaria de Floresta e Agricultura de Rio Branco divulgou um relatório mostrando que os produtores acumulam prejuízo de cerca de R$ 12,4 milhões (Marcos Vicentti)

Os produtores acumulam
prejuízos de R$ 12.4 milhões
(Marcos Vicentti)
Apesar de ser considerável, o valor será ainda mais elevado quando for levantado o prejuízo com ramal e infraestrutura e perdas mobiliárias. Para fazer o relatório, os técnicos da Safra percorreram as comunidades do Bagaço, Água Preta, Barro Alto, Belo Jardim I, 2 e 3, Benfica Ribeirinho, Catuaba, Extrema, Liberdade, Limoeiro, Moreno Maia, Moreno Maia, Barro Alto e Água Preta conversando com lideranças, moradores antigos e presidentes de associações.

Criação de peixe completamente perdida

Produtor que trabalhava com piscicultura perdeu tudo. É o caso de Raimundo Inácio da Silva, morador da comunidade Extrema, que além das estimadas 5 mil covas de macaxeiras perdidas, acumula sérios prejuízos com a piscicultura. “Cerquei os tanques com tela, mas não teve jeito: a água veio e levou tudo”, lamenta ele, que foi inscrito como beneficiário de cestas básicas para ajudar na sobrevivência da família enquanto dura o flagelo.

Produtores não desanimam

A família do Seu Oliveira, na comunidade Liberdade, trabalha na produção de goma de macaxeira mesmo com seus pertences alagados (Marcos Vicentti)

A família Oliveira trabalha na produção
de goma de macacheira, mesmo com
os seus pertences alagados
(Marcos Vicentti)
Mas o ribeirinho é forte. A família do Seu Oliveira, na comunidade Liberdade trabalha na produção de goma de macaxeira mesmo com seus pertences alagados. A maioria dos 16 filhos do Seu Oliveira está mobilizada em aproveitar ao máximo o macaxeiral que é a base de sustentação econômica da família. Em tempos normais, a produção da Colônia Paraíso, de 107 hectares, chega a cinco toneladas de goma por semana. “Nossa terra é grande e a gente está correndo para não perder a produção”, disse Leonardo Souza Oliveira. Os moradores que permanecem em suas casas (muitas famílias estão abrigadas nas escolas da região) sofrem com o corte de energia elétrica, procedimento adotado pela Eletrobras por questões de segurança. Os moradores pedem que os cortes sejam seletivos, que atinjam casas que tiveram de ser abandonadas e colônias que não tenham agroindústria. 

Lideranças locais coordenam distribuição de benefícios

Em Rio Branco, o esforço concentrado dos governos estadual e federal, e da Prefeitura, ao menos diminuem os problemas das famílias que perderam tudo com a cheia –e são os líderes que estão controlando a distribuição de cestas básicas. Cícero Medeiros Brandão, o Pita, fez questão de agradecer o empenho da Prefeitura e do Governo do Estado no trabalho de amenizar o drama dos ribeirinhos. “Todos precisam, mas há agricultores que precisam mais”, disse Pita.

Pita ajudou no atendimento à família de Raimundo Afonso, no Catuaba. Além de receber a cesta básica, Afonso pediu material para curativo. Ele mostrou o pé enfaixado após ferir-se com um pau enquanto operava a motosserra. Com isso, Jorge Rebolças, da Safra, irá pedir que outras secretarias, como a de Saúde, se integrem ao trabalho de atendimento aos ribeirinhos.


Saiba como ajudar as vítimas da enchente

Os dados para depósitos ou transferência são:
Banco do Brasil
Agência: 0071-X
Conta corrente: 100.000-4
CNPJ: 14.346.589/0001-99
Caixa
Agência: 3320 – Estação Experimental
Operação: 006
Conta: 71-7
CGC: 63.608.947/0002-80
Nome: Coordenação Estadual Defesa Civil

As bem-aventuranças dos "pastores idiotas"


Bem-aventurados sois vós, "pastores idiotas", quando fordes xingados com este epíteto simplesmente por acreditardes no que disse Jesus: "Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem consomem, e onde os ladrões minam e roubam" (Mateus 6.9). Tal ato insano, ao invés de vos maldizer, mostra que ainda estais firmes na verdade.

Bem-aventurados sois vós, "pastores idiotas", que não sucumbistes aos "encantos" da teologia da prosperidade por compreender que "os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína" (1 Timóteo 6.9). Não vos entristeçais, nem penseis que estais sozinhos. Há muitos outros "idiotas" convosco, inclusive o apóstolo Paulo.

Bem-aventurados sois vós, "pastores idiotas", por não vos curvardes aos arautos que vos maltratam em virtude de crerdes que aos ricos deste mundo a Palavra de Deus ordena: "Não sejam altivos, nem ponham a esperança na incerteza das riquezas" (1 Timóteo 6.7). Tal maldição é, na verdade, um reconhecimento de que pondes a vossa confiança não nas riquezas desta vida, mas na abundância que vos é dada para a glória de Deus.

Bem-aventurados sois vós, "pastores idiotas", que resistis aos apelos dos que vos querem enredar com o brilho do ouro que perece, porque vós bem sabeis que é vosso dever continuardes a ensinar às suas ovelhas "que façam o bem, enriqueçam em boas obras, repartam de boa mente, e sejam comunicáveis" (1 Timóteo 6.18). Saibais que outros "pastores idiotas" iguais a vós foram já recebidos na glória e aguardam o precioso galardão.


Bem-aventurados sois vós, "pastores idiotas", porque não perdestes a visão da semeadura e, por isso mesmo, sabeis que não se ganham almas com o glamour das riquezas humanas, mas com a sementeira do evangelho. Sem esquecerdes da advertência da parábola do semeador, que diz: "Os cuidados deste mundo, e a sedução das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera" (Mateus 13.22).

Bem-aventurados sois vós, "pastores idiotas", por não perfilardes o triunfalismo da pregação humanista, centrada no homem, que enriquece a quem prega e defrauda a quem ouve. Ainda que vos pareça estardes "fora do modelo contemporâneo", alegrai-vos porque continuais apegados ao modelo bíblico, que diz: "Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo" (Gálatas 6.14).

Bem-aventurados sois vós, "pastores idiotas", que embora injuriados pela vossa pregação "arcaica", ainda carregais no bolso do vosso coração a credencial de servo do Altíssimo, enquanto alguns já a trocaram pelas credenciais de semideus, arrogante e soberbo e usam-na ao sabor das circunstâncias para se locupletarem em cima da lã de suas ovelhas.

Bem-aventurados sóis vós, "pastores idiotas", que, enquanto alguns voam os céus do mundo em modernos jatinhos, trafegam as grandes avenidas em luzentes automóveis e se deleitam nos mármores de grandes mansões, o vosso prazer é estar junto das ovelhas, alegrardes com elas e, se preciso for, dar por elas a vossa própria vida. Não vos esqueçais que outros "idiotas" iguais a vós se encontram já no Reino do Pai.


Bem-aventurados sois vós, "pastores idiotas", que preferis o "prejuízo" da coerência, da fidelidade a toda prova aos princípios imutáveis da Palavra de Deus, do que sucumbirdes - ainda que tentados - às lentilhas que se vos oferecem para amenizar eventuais necessidades imediatas. Mais vale o pão dormido da consciência tranquila do que os banquetes da consciência aprisionada.


Bem-aventurado sois vós, "pastores idiotas", pelo modo como sois tratados por amor do nome do Senhor e por não vos enredardes pelo brilho passageiro da glória humana. Não sois melhores por isso, mas também não sois piores. Todavia, enchei o vosso coração de alegria porque o vosso nome faz parte da galeria dos heróis da fé que professam somente a Cristo e têm Deus como o bem maior da vida. Tende como lema o que Paulo ensinou: "Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai-vos" (Filipenses 4.4).


Assina um "idiota" como todos vós.

Pastor e poeta evangélico, 25 anos antes de morrer, escreve com serenidade sobre a sua própria morte



Joanyr de Oliveira e João Tomaz Parreira, um brasileiro,
outro lusitano: dois luminares da poesia evangélica


Jefferson Magno Costa

Em uma manhã de sábado, dia 5 de dezembro de 2009, perdemos o sublime poeta evangélico Joanyr de Oliveira. No domingo, dia de descanso, Dia do Senhor, dia em que o pastor e poeta completaria 76 anos de idade, seu corpo foi sepultado no Cemitério Campo da Esperança, em Brasília.

Conheci Joanyr de Oliveira em 1978, quando ele esteve no templo sede da Assembleia de Deus em Natal, para lançar a Antologia da Nova Poesia Evangélica, livro que reunia poemas de poetas evangélicos brasileiros e portugueses, aos quais, durante vários anos, Joanyr havia orientado, doutrinado, corrigido, aconselhado, através da famosa seção de poesia da revista A Seara, Contato Poético.

Por eu ser um dos autores incluídos na antologia, o nosso líder maior, o saudoso pastor João Batista da Silva, para minha surpresa, chamou-me até o púlpito para que a igreja me conhecesse, para que eu recebesse um abraço do poeta Joanyr de Oliveira, e para que ele me presenteasse com um exemplar autografado do livro que me incluía como o único poeta norte-riograndense a figurar naquela antologia.
Para um rapaz desconhecido, inexpressivo, interiorano, cheio de sonhos, admiração e respeito pelos ícones da literatura evangélica brasileira (Joanyr de Oliveira era o nosso maior poeta), foi uma emoção única, inesquecível.

No ano seguinte, já transferido pela Marinha e morando no Rio de Janeiro, visitei o pastor Joanyr, que era Diretor de Publicações da Casa Publicadora das Assembleias de Deus. Pouco mais de dois anos depois, recebi dele e do pastor Abraão de Almeida o convite para trabalhar como membro do Departamento de Jornalismo daquela editora.

Deus traçou minha trajetória de trabalho naquela Casa. Uma das honras que obtive foi substituir o pastor Joanyr de Oliveira na condição de comentarista da seção Contato Poético, da revista A Seara.

E quando, em fevereiro de 1985, entre muitas outras atividades jornalísticas, iniciei meus trabalhos de crítico e orientador de poesia, abri aquela seção comentando um poema de Joanyr de Oliveira, intitulado Despedida, talvez, no qual nosso saudoso amigo despedia-se poeticamente da vida. Ora, para nossa felicidade, só quase 25 anos depois é que o poema se tornou realidade plena na biografia do poeta.

Pagando hoje uma dívida de amigo, de admirador, de assíduo leitor de seus poemas, e prestando uma justíssima homenagem ao grande poeta que Joanyr de Oliveira foi e continua sendo todas as vezes em que um poema seu é lido, transcreverei a seguir seu poema Despedida, talvez, seguido do nosso comentário escrito naquela época:


DESPEDIDA, TALVEZ

Joanyr de Oliveira


Pelas portas de janeiro
Estendo antigos poemas
Que até parecem alheios
E estão repletos de luas...
Quem os dirá algum dia
Na placidez destas ruas?

Pelas portas de janeiro
Ao Universo eu espio
E afago. E me sinto pronto
Para esquiar as estrelas:
Anseio agora tocá-las
Porque cansado de vê-las...

Pelas portas de janeiro
Vislumbro as plagas do céu
E a luz que as aureola
Em coloridos sem fim,
Que nascem das mãos eternas
E passam também por mim.

Pelas portas de janeiro 
Olho, e me amadureço
Para apagar as palavras
Das pessoas mais queridas,
Trocando-as tranquilamente
Por celestes avenidas.

Pelas portas de janeiro
Minha alma voa tão leve
A beijar sóis e arcanjos
Que os olhos plenos de luz
E a concha azul de meus versos
Colhem a voz de Jesus.



Uma rápida identificação e análise dos recursos usados por Joanyr de Oliveira no poema Despedida, talvez, certamente nos levará a entender melhor alguns dos mecanismos acionados pelos poetas durante seu processo poético.

É certo que não faremos uma completa identificação dos elementos que compõem a parte técnica do poema de Joanyr de Oliveira, pois isto implicaria em termos que apresentar aqui uma ampla definição de métrica, rima e estrofação, além de fazermos um breve histórico das escolas literárias.
Por enquanto, o leitor deve saber que no poema Despedida, talvez, foram usados versos de sete sílabas (Verso é cada linha que compõe o poema; a reunião de vários versos forma uma estrofe. O poema de Joanyr de Oliveira é composto de cinco estrofes de seis versos; cinco sextilhas, portanto).

Quando analisávamos as linhas gerais deste poema, com o propósito de encontrar “a ponta do fio do novelo” que nos conduziria à sua essência, ao sentimento que desencadeou sua carga poética, lembramo-nos de um poema do genial poeta português Fernando Pessoa, onde ele, como Joanyr de Oliveira, também se despede de seus versos:



Da mais alta janela da minha casa
com um lenço branco digo adeus 
Aos meus versos que partem para a Humanidade. 
E não estou alegre nem triste. 
Esse é o destino dos versos. 
Escrevi-os e devo mostrá-los a todos 
Porque não posso fazer o contrário (...).” 


Mas o sentimento que motiva o restante do poema do poeta português é bem diferente do sentimento que conduz Joanyr pelas portas de janeiro.

O grande poeta evangélico sente-se como um fruto maduro, pronto a partir para a eternidade, a esquiar as estrelas, e em condições de apagar as palavras/das pessoas mais queridas,/trocando-as tranquilamente/ por celestes avenidas/. Em suma: é a serenidade com que o tema da morte é encarado pelos evangélicos. Joanyr calca sua poesia nesta atitude tranquila.

Para os evangélicos, não existe reação de revolta e inaceitação diante de morte – comportamento muito comum por parte daqueles que não têm esperança de beijar sóis e arcanjos, e mergulhar na plenitude da luz de Cristo. Ninguém, que não tenha a esperança que temos, poderá entender porque consideramos o assunto morte com tanta serenidade.
O próprio poeta português Fernando Pessoa, diante da morte de Sá-Carneiro, seu amigo e confrade em poesia, deu provas de uma profunda incompreensão e amarga resignação: 



Nunca supus que isto que chamam morte
Tivesse qualquer espécie de sentido...
Cada um de nós, aqui aparecido,
Onde manda a lei certa e falsa sorte,

Tem só uma demora de passagem 
Entre um comboio e outro, entroncamento
Chamado o mundo, ou a vida, ou o momento; 
Mas, seja como for, segue a viagem. 
(...)



O verso inicial de Joanyr, Pelas portas de janeiro, encima as demais estrofes de Despedida, talvez, e é responsável por essa sensação de saída (portas) e de arrebol e início (janeiro) que se forma em nosso espírito a partir do momento em que iniciamos a leitura.
     
Na primeira estrofe, os versos: Estendo antigos poemas/Que até parecem alheios/e estão repletos de luas/, representam a cristalização de uma obra (no caso de Joanyr, a soma de sua produção poética) que amadureceu e passou a pertencer mais às pessoas que a leem e assimilam do que ao próprio autor que a produziu (Lembremo-nos da pérola: quanto mais ela se desenvolve no interior da ostra, mais aumenta sua condição de “corpo estranho” no seio daquela que a está formando).

Lua é uma figura muito usada pelos poetas para representar um estado onírico (sonho). E quando a alma do poeta estiver voando leve pelas plagas do céu, será que seus versos continuarão sendo lidos na placidez destas ruas?

E estrofe por estrofe, o poeta vai-se predispondo a partir, a esquiar as estrelas, a aproximar-se delas e tocá-las porque cansado de vê-las. E já vislumbra as regiões do céu (plagas), e já sente-se tocado pela claridade que nasce das mãos eternas, e maduro o suficiente para apagar as palavras das pessoas mais queridas.
Sua alma, que voa leve e é beijada por sóis e arcanjos, banha-se de luz. E Joanyr encerra o poema com uma imagem que envolve cor (azul de meus versos, que lembra também o azul do céu) e som (voz de Jesus), que lembra a saudação divina: “Vinde, benditos de meu pai...” (Mateus 25.34).



Poetas que não conhecem ou conheceram Jesus não escrevem poemas assim. Manuel Bandeira, um dos maiores nomes da poesia brasileira de todos os tempos, desnuda sua alma sem esperança, sua vida transcorrida longe dAquele que poderia ter-lhe dado a plenitude existencial e a perspectiva da felicidade eterna, no seu poema

A MORTE ABSOLUTA:



Morrer.
Morrer de corpo e de alma.
Completamente.

Morrer sem deixar o triste despojo da carne,
A exangue máscara de cera,
Cercada de flores,
Que apodrecerão - felizes! - num dia,
Banhada de lágrimas
Nascidas menos da saudade do que do espanto da morte.



Morrer sem deixar porventura uma alma errante...
A caminho do céu?
Mas que céu pode satisfazer teu sonho de céu?

Morrer sem deixar um sulco, um risco, uma sombra,
A lembrança de uma sombra
Em nenhum coração, em nenhum pensamento,
Em nenhuma epiderme.

Morrer tão completamente
Que um dia ao lerem o teu nome num papel
Perguntem: "Quem foi?..."

Morrer mais completamente ainda,
- Sem deixar sequer esse nome.


Quem não tem Jesus como Redentor de sua alma, vê o seu destino, a transitoriedade da vida de forma pessimista, melancólica. Muitos esperam a morte como o poeta judeu-brasileiro Augusto Frederico Schmidt a esperou e expressou em um de seus poemas:


PAZ DOS TÚMULOS



Ó paz dos túmulos
Ó frio das tardes invernais nos cemitérios
Ó mármores gelados, rosas frias, noites de gelo, como vos espero!
Quando serei silêncio e frio apenas?
Quando serei apenas o íntimo da terra?
Quando, enfim, dormirei na paz – na álgida paz?
Ó vento que matais as rosas, vento frio!

Quando me levareis mudado em poeira?
Quando me levareis pelas ruas
Quando me levareis em mim mesmo mudado
Para o grande mar, o grande mar, o grande mar...?

Não posso deixar de comparar o poema que Carlos Drummond de Andrade, o maior poeta brasileiro de todos os tempos, deixou como epitáfio, com o poema que o nosso Joanyr de Oliveira escreveu com a mesma finalidade.
     
Eis o epitáfio poético que Drummond escreveu para ele mesmo: 



O POETA ESCOLHE O SEU TÚMULO



Onde foi Tróia, 
Onde foi Helena,
onde a erva cresce,
onde te despi,

onde pastam coelhos 
a roer o tempo,
e um rio molha
roupas largadas,

onde houve , não 
há mais agora,
o ramo inclinado,

eu me sinto bem 
e aí me sepulto 
para sempre e um dia!



E eis o epitáfio poético que o poeta Joanyr de Oliveira escreveu para ele mesmo:



EPITÁFIO



Os casulos do silêncio
recolhem meu rosto,
meu canto e meu nome.
Entre arcanjos e estrelas,
minha essência navega
o esplendor dos milênios.
Doce é o sabor do infinito. 


Quão diferentes são os cristãos diante diante da morte! Quão diferentes foram os sentimentos que levaram o salmista a escrever estas palavras:


“O Senhor, tenho-o sempre à minha presença; estando ele à minha direita não serei abalado. Alegra-se, pois, o meu coração, e o meu espírito exulta; até o meu corpo repousará seguro. Pois não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu Santo veja a corrupção. Tu me farás ver os caminhos da vida; na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra delícias perpetuamente”, Salmo 16.8,11.

Os que sentem, pensam e se posicionam na vida como Manuel Bandeira, Augusto Frederico Schmidt e Carlos Drummond de Andrade, tiveram o seu destino descrito pelo salmista:
“Como ovelhas são postos na sepultura; a morte é o seu pastor; eles descem diretamente para a cova, onde a sua formosura se consome; a sepultura é o lugar onde habitam”, Sl 49.14.
Porém, os que têm a fé que norteou a vida e conduziu para os mistérios da morte o poeta Joanyr de Oliveira, podem dizer, à semelhança do salmista: 

“Mas Deus remirá a minha alma do poder da morte, pois ele me tornará para si”, Salmo 49.15.

Para mudar um pouco o tom lúgubre e sepulcral desta postagem, e para satisfação dos leitores da bela e genuína poesia, publicarei como encerramento deste artigo, um dos poemas de Joanyr que eu mais gosto, o CANTARES VII, Filha do Rei:



Os teus passos, filha do Rei,
acariciam a face translúcida
do dia, os caminhos, os campos.



Teu andar se harmoniza
com o mar e os pássaros,
em louvações perfeitas.



O imaculado corpo, teu corpo,
Estende-se ao longo da paisagem,
bendizendo os ofícios do Sol.



Nas têmporas do monte,
teus olhos equilibram as águas
construídas em meigo azul.



Ramos ataviam as alturas.
A cabeça nívea, serena.
A cabeleira flutuante no tempo,



O esquio porte, de palmeira.
Espargem teus cachos na Terra
taças de unções indizíveis.



Tens aroma – que estremecem e inebriam
as várias colunas da noite,
porque beijas o soluço e a dor



e os transmudas em flores.
Bem-aventurados teus filhos,
ó vero amor de delícias!



Sobre as piscinas de Hesbom,
deslizando as saudades antigas,
mosto de romãs, perfumes.



Bem-aventuradas tuas sandálias
sob a altiva torre do Líbano,
e as frontes iluminadas do Eterno!


Post-Scriptum

Meu caro poeta pastor escritor editor pregador Jefferson Magno Costa (também sem vírgulas. Não são fragmentos. São unidade).

Agradeço-lhe a gentileza da autorização para reproduzir o seu ensaio sobre a poesia do saudoso Joanyr de Oliveira, com o devido credito e citada a fonte.

Pena que nem todos - embora possam ter lá os seus rasgos poéticos - conshigam valorizar a poesia como uma arte na qual, mais do que na prosa, se pode descer a profundidades, sem nunca chegar ao mais profundo - sempre há mais profundezas - que nos deixam embevecidos e surpresos pelo primor das pérolas encontradas.

Eu e você fomos "aprendizes" com (e de) Joanyr de Oliveira. Convivemos ao seu lado por algum tempo. Quantas vezes ele copidescou os nossos textos e nos ensinou a evitar os adjetivos, a estilizar, a frase, o período, a olhar as palavras com os olhos de artesão etc., etc. Tive a gratíssima honra de prefaciar uma de suas obras - Entre os Vivos e os Mortos - onde revelou também o seu pendor como romancista. Citei-o na minha obra: "A Transparência da Vida Cristã" pelo que representou para o meu aprendizado. Sem orgulho (mas orgulhoso) digo: tivemos um excelente mestre!

De tempos em tempos, revisito a prosa e os poemas do grande escritor. O seu nome é digno de constar em qualquer galeria dos grandes poetas brasileiros. Chegou a ser verbete da Delta Larousse. Joanyr de Oliveira foi o maior intelectual assembleiano. Ninguém ainda o superou.

Além disso, era homem comprometido com os valores do Reino, com as causas justas, com a solidariedade, com a ética, com a pureza da Igreja, com a dignidade do pastoreio, com os simples e contra toda sorte de opressão, inclusive religiosa. Talvez, por essas razões, o sistema muito tenha lutado para preteri-lo. Mas cumpriu a sua missão sem abrir mão de convicções, que, talvez, 25 anos antes de sua morte, lhe tenham inspirado a escrever este que foi um de seus grande poemas, Despedida, talvez, no qual o céu suplanta quaisquer outras perspectivas terrenas, muitas vezes frustrantes e impregnadas de perigosas sombras.

Joanyr de Oliveira termina a primeira estrofe com uma pergunta sobre como os seus poemas seriam lidos no futuro:

Quem os dirá algum dia
Na placidez destas ruas?

O tempo é inclemente e insiste em apagar o passado. Mas aqui e ali, "na placidez destas ruas" ainda ouviremos dezenas de vezes que "Deus espraia o mel da sua voz".

Geremias do Couto
 
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