quinta-feira, 27 de novembro de 2014

A atualidade dos métodos de Jesus


INTRODUÇÃO

O ministério terreno de Cristo teve por essência o ensino. Todos os seus atos – inclusive os milagres – não fugiram à regra. Onde quer que estivesse, tinha uma meta: ensinar as pessoas. As situações aparentemente mais corriqueiras serviam-lhe de instrumento para expor uma lição aos seus ouvintes. Jesus viveu movido por este propósito e empregou as estratégias certas para cumpri-lo.

Igualmente, a Igreja hoje exerce o ministério pedagógico. Essa é a sua prioridade. O complexo mundo pós-moderno impõe-lhe o dever de multiplicar as suas energias nessa direção e ter como foco, sobretudo, as crianças, pois é nos primeiros anos de vida que ocorre a estruturação psicológica do indivíduo.

Não desconhecemos o avanço da pedagogia, nem lhe tiramos o mérito de introduzir novas formas de pensar a educação para que os objetivos do ensino sejam alcançados. Mas estas são as grandes perguntas de nossa reflexão: os métodos de Jesus continuam válidos para a época atual ou perderam a sua eficácia?  Se Cristo vivesse sua humanidade hoje como seria a sua forma de aproximação das pessoas?  Se a pedagogia põe ao nosso dispor novas ferramentas para cumprir os objetivos do ensino, em que podemos aprender com os métodos de Jesus?

UM HOMEM AFINADO COM O SEU TEMPO

Para que tenhamos uma visão clara sobre isso, precisamos primeiro descobrir como Jesus se relacionou com a sua época, envolvendo não só a questão religiosa, mas também a cultura e os aspectos sociais. Esta premissa é necessária para que não se tenha a idéia, pela leitura equivocada dos evangelhos, de que o Mestre tenha sido uma pessoa alienada do contexto em que viveu.

Não obstante Cristo ter nascido para cumprir os propósitos de Deus de implantar o Novo Concerto entre os homens, do qual seria o mediador através do próprio sacrifício vicário, sem nenhum vínculo formal com o judaísmo, a sua nacionalidade judaica não foi uma circunstância, mas uma necessidade espiritual, profética e teológica. Deus usou a nação de Israel para ser a depositária de sua revelação à humanidade. Portanto, o Salvador do mundo, enquanto homem, teria de vestir-se de judeu para  cumprir os propósitos divinos.

Assim, Cristo foi em tudo uma pessoa afinada com o seu tempo. Ele viveu como judeu, cumpriu os ritos do Antigo Concerto, incorporou em sua prática diária os elementos básicos de sua cultura e fez uso das convenções sociais de então nos seus relacionamentos. É óbvio que confrontou os erros, condenou a hipocrisia religiosa, combateu o formalismo da fé, proclamou as boas novas do novo tempo que Ele próprio representava, mas sempre se utilizou de ferramentas judaicas para isso, inclusive na arte de ensinar ao povo.

Em suma, esta é a expressão que melhor resume como o Mestre se comportou em sua vida humana: um homem contemporâneo.

UM HOMEM QUE CONHECIA AS NECESSIDADES HUMANAS

Outra peculiaridade de Jesus está na importância que dava aos relacionamentos. Ele não deixou de valorizar os momentos a sós com Deus, onde renovava as forças para os embates diários, mas ocupava grande parte de seu tempo em contatos com as multidões e as pessoas em particular. Ele o fazia porque conhecia as necessidades humanas. Esse era o foco de sua atenção. Essa era a prioridade do seu ensino.

Qualquer que fosse a forma de aproximação de alguém necessitado, ou da própria multidão, o Senhor conduzia o processo até chegar ao âmago do problema para então propor os caminhos para a mudança de curso e a restauração pessoal ou comunitária. Mas o ponto de partida nunca se constituía de um discurso vazio e sem levar em conta o que importava: a necessidade do próximo.

Em outras palavras, o ensino não pode ser superficial, nem apenas formal. É preciso considerar o que as pessoas necessitam e ponderar sobre como é possível levá-las a mudar a sua concepção e a pôr em prática os conceitos aprendidos para que façam sentido em sua vida e produzam aperfeiçoamento.

Isso implica em convivência, compartilhamento, aceitação do ser humano, capacidade de avaliar as reações alheias, interesse pelo que as outras pessoas vivem e sentem e disposição para ser mais que um professor: tornar-se um verdadeiro condutor de pessoas, segundo a etimologia do termo grego. Esse foi  o sentimento que moveu o coração de Cristo em sua compaixão pelo homem.

UM HOMEM QUE DOMINAVA OS RECURSOS PEDAGÓGICOS

Em vista do que acabamos de expor, Jesus sabia fazer uso dos recursos pedagógicos e os aplicava à luz das especificidades humanas. Ele não era um autômato que seguia a mesma rotina em todos os casos. Mas agia como um conhecedor dos problemas humanos.

Os diálogos do Mestre não se restringiam à mera ocupação do tempo, mas tinham objetivos bastante definidos; suas perguntas retóricas não eram para demonstrar conhecimento, mas instrumentos para chegar a um fim; suas parábolas não o tornavam um simples contador de histórias, mas levavam-no a estabelecer analogias consistentes; os seus simbolismos não ficavam no mundo abstrato, mas eram extraídos da linguagem do povo para que este o compreendesse – em qualquer situação o método era aplicado conforme o propósito.

Quando a circunstância exigia conduzir o processo pedagógico etapa por etapa, esse era o caminho; quando o confronto direto se impunha, esse era o método; quando a demonstração de atitude era mais forte do que as palavras, esse era o comportamento. Mesmo naquelas situações que envolviam logística, o Senhor preocupou-se em criar condições para que seus ouvintes não tivessem nenhuma dificuldade que os impedisse de serem alcançados.

Portanto, quando se olha para a tríplice perspectiva do ministério terreno de Cristo – ensinar, pregar e curar – percebe-se com bastante precisão que Ele não perdia as oportunidades de cumprir os seus propósitos pedagógicos. Qualquer que fosse o contexto, nunca deixava de ser contemporâneo na forma de falar às pessoas em busca do fim desejado.

UM  HOMEM CUJOS MÉTODOS PERMANECEM ATUAIS

Após esta reflexão, chegamos então à nossa grande pergunta: permanecem ainda atuais os métodos empregados por Jesus? A resposta é positiva. À medida que a pedagogia avança, novos conceitos são incorporados e outros vão sendo aperfeiçoados. Não se discute, por exemplo, a importância da tecnologia para a educação. Entre o antigo flanelógrafo e um moderno sistema multimídia a distância é muito grande e ninguém, em sã consciência, abre mão do último recurso, se estiver disponível.

Todavia, se nos dermos ao gratificante trabalho de comparar conceitualmente os recursos da pedagogia moderna com os métodos empregados por Cristo, numa época em que as limitações físicas eram enormes e o sistema educacional não dispunha das mesmas facilidades de hoje, temos de convir que o Mestre sempre esteve na vanguarda. Não só o seu ensino continua atual – e jamais deixará de sê-lo – mas os seus métodos se constituem em excelente modelo para a nossa prática pedagógica.

Quando estudamos as várias correntes da pedagogia, descobrimos conflitos entre uma e outra escola. Mas há também nelas verdades que se complementam. Se cotejarmos essas verdades à luz dos métodos de Cristo, veremos por fim que o Senhor, para o nosso exemplo, “ousou” antecipá-las na realização do seu ministério pedagógico.

CONCLUSÃO

A conclusão se dá, portanto, em duas vertentes. Na primeira, somos levados a crer que temos muito a aprender com o modelo pedagógico de Cristo. Sem desconsiderar o que os especialistas de hoje nos apontam como tendências da educação, no seu aspecto positivo, nunca devemos abrir mão de compreender que o Senhor continua sendo o nosso modelo de melhor educador.

Na segunda, temos também de aceitar que se Jesus vivesse fisicamente entre os homens nos dias atuais, não se furtaria em estar na vanguarda da educação com o propósito de levar os seus ouvintes modernos a compreenderem cabalmente o seu ensino. Repita-se: Ele é o nosso exemplo, somos seus imitadores, exerçamos o paidon em toda a sua plenitude.


Post Script:

Resumo de palestra ministrada em diferentes conferências e congressos na área da Educação Cristã.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Eu e os meus defeitos. Quer conhecê-los?

"Viver pela graça significa reconhecer toda a minha história de vida,
o lado da luz e da escuridão. Ao admitir o meu lado escuro,
 eu aprendo quem eu sou e o que a graça de Deus signfica", Brennan Manning

Há algum tempo, não sei precisar os anos, um jovem conversava comigo e manifestou um desejo que, até certo ponto, me surpreendeu. Disse-me então que gostaria de passar pelo menos 24 horas comigo para me conhecer mais de perto. Minha resposta saiu com bastante naturalidade. Afirmei-lhe que ele não ganharia muita coisa, senão perceber que eu era uma pessoa de carne e osso, com virtudes, mas também cheia de defeitos. Sempre que o encontro, ainda hoje, lembro-me desse dia. Sua pergunta era apenas um verniz para um conceito que as pessoas constroem acerca de quem exerce algum tipo de liderança: o da perfeição quase beirando à infalibilidade. Mas de lá para cá não mudei nada. Continuo a ter virtudes, mas os defeitos permanecem.

Como qualquer outro cristão, lido com todas as ambiguidades inerentes à natureza humana. Aprendi muito cedo a lidar com o orgulho, mas vez ou outra ele põe as unhas de fora, tenho momentos em que a ira quer assumir o controle de minhas ações e em outras horas vivo a agonia da incerteza, das frustrações, das decepções, e acabo também sendo um agente de incerteza, frustrações e decepções para outras pessoas. Lembro-me das diferentes ocasiões em que fui precipitado e das vezes em que deixei passar tanto o tempo que perdi a "grande" oportunidade da vida.

Se você tinha outras expectativas a meu respeito, faço questão de descontruí-las. Já passei da idade de viver de fachada, embora sempre tenha procurado expor a minha vida do avesso. Não sou nem a primeira, nem a do meio e nem a "última coca-cola do deserto". Sou um errante maltrapilho que tateia neste mundo conturbado diante do pecado que tão de perto nos rodeia. Já errei bastante querendo acertar. Já sofri sérias consequências pela teimosia em fazer escolhas, que, depois, vi serem erradas. Já me vi profundamente envergonhado por não conseguir cumprir compromissos em virtude de minhas limitações. Já me senti em completo desânimo sobre que direção seguir. Enfim, sou necessariamente humano!

Mas aprendi algumas lições. Descobri, por exemplo, que Deus é especialista em pôr as coisas em seus devidos lugares, mesmo quando tudo pareça sem qualquer controle. Aprendi tambem que não adianta usar a carne para tentar dominar a carne. É uma luta inglória, um esforço vão, pois ambas são da mesma natureza. A carne jamais se subjugará à carne. Em outras palavras, só o Espírito pode dominá-la e só teremos como vencê-la em nossa luta diária contra o pecado, se andarmos em Espírito e deixar que ele se esforce em nosso lugar e em nosso favor.

Mas a grande descoberta é que, mesmo miserável (não foi esse o sentimento de Paulo?), maltrapilho, errante, sujeito aos sentimentos mais primitivos, quando me sinto injustiçado, ainda assim, tenho um espinho extremamente desconfortável na carne, pelo qual não adianta orar, a me lembrar todas as horas que a graça de Deus me é suficiente, plena, doce e surpreendente no mais tenebroso dos dias.

Bendita graça que me vence e me tira do pó para manter-me assentado nas regiões celestiais em Cristo Jesus... porque sou necessariamente humano!

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Que tipo de profetas o mundo de hoje precisa?


Tenho enorme predileção pelo profeta Jeremias. Não é porque meu pai me tenha emprestado o seu nome (com "G" por erro do escrivão), mas por perceber que o seu fecundo ministério é o inverso do que hoje se chama de sucesso no meio evangélico. Para começar, considerou-se incapaz para a tarefa e só seguiu adiante por ter sido "empurrado" para ela pelo próprio Deus. 

Jeremias não via em si qualidades e nem ficou na fila para ser agraciado com um título que lhe abrisse as portas dos "palácios". Aliás, o cerne de sua pregação era a apostasia dos proprios governantes, disseminada também entre o povo. Ele não foi um profeta estadista, profissional, mas alguém que, desvencilhado do próprio sistema, foi a voz de Deus em uma nação conturbada e rebelde, onde a prostituição cultual predominava até no próprio templo em Jerusalém.

Nos dias de hoje mede-se o sucesso de um "profeta" pela sua capacidade de arrebatar auditórios, pelos aplausos que recebe como um "grande artista do evangelho", pelo número quase desumano de agendas que consegue cumprir e pelo triunfalismo de suas mensagens, onde pode até falar em desertos pontuais na vida de seus ouvintes, sem deixar de concluir, todavia, que o destino de cada um deles será a vida no "palácio", regada de todo o conforto do mundo consumista, para a frustração de seus inimigos. Tenho certeza que Jeremias não passaria no teste. Seria um fracassado para os padrões modernos.

Jeremias, ao invés de um palácio, enfrentou a prisão; ao invés dos holofotes da plataforma, foi parar no calabouço; ao invés dos aplausos humanos, recebeu o desprezo; ao invés de qualquer suporte, foi alvo da calúnia e difamação; ao invés de multidões ávidas para ouvi-lo, pregava na solidão. O profeta teve momentos de grande agonia, quase depressão, ao perceber que malhava em ferro frio e por não ver repercutir a sua mensagem. Morreu lá pelas bandas do Egito, não porque quisesse ir para lá, mas em razão de os remanescentes que ficaram em Jerusalém não lhe darem ouvidos, na hora do desterro, preferindo fugir naquela direção e levando-o como prisioneiro.

Mas aos olhos de Deus Jeremias foi um sucesso. Cumpriu com integridade a sua chamada. Considerado o profeta das lágrimas, prefiro denominá-lo de o profeta da esperança. Pregou o juízo, a destruição, a deportação para o exílio por causa dos pecados do povo, mas não deixou de proclamar, também, por ordem de Deus, a restauração, a cura das feridas, o retorno à terra. Chegou a comprar, com escritura lavrada, um pedaço de terra para mostrar que a terra outra vez floresceria. Mas ele não pôde contemplar esse novo tempo. VIveu apenas o período da destruição. O seu fim foi o ocaso... Aliás, minto, o seu fim foi a glória de se encontrar com Aquele a cujo chamado obedeceu e a quem serviu por toda a vida. Ele foi aplaudido no céu!

Que tipo de profetas o mundo de hoje precisa?

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Entre o idealismo e o pragmatismo


A campanha eleitoral me deixou gratas recordações e me permitiu aprofundar a minha análise sobre a realidade política brasileira. Foram quase dois anos de construção do processo, culminando com os dois meses finais de intensa maratona em busca do voto. Percorri vários municípios e comunidades, levando a minha mensagem da renovação com experiência.

Saio das urnas de cabeça erguida. Obtive votos em 69 dos 93 municípios do Estado do Rio, sem que pudesse visitar a maioria. Conheci e fiz novos amigos, reencontrei tantos outros que há muito tempo não os via e jamais deixei de cumprir o meu papel de agente do Reino de Deus, onde quer que estivesse. Muitas vezes, durante as minhas visitas, orei por pessoas doentes, depressivas, com problemas familiares e falei também do poder do Evangelho.

Quanto à campanha em si consolidei o que já sabia. O Brasil está a anos-luz de ter um modelo limpo em que prevaleça o debate de ideias. Com as exceções de praxe, o jogo é rasteiro, o poder financeiro predomina e o eleitor, regra geral, continua mal-acostumado, principalmente quando se trata de eleições proporcionais. Infelizmente, a caminhada para mudar essa cultura é ainda muito longa. Mas não perco o ideal. Como afirmei no post anterior, "não planto para o presente. Planto para deixar um legado".

No entanto, ainda sobrepuja a derrama de dinheiro, a compra do voto, o "voto de cajado", que acaba elegendo os piores candidatos, com as devidas exceções, em detrimento dos mais preparados, que não lançam mão dos mesmos recursos. O "caixa 2" funciona a todo o vapor até mesmo em muitos dos nossos púlpitos. Sei de casos horrorosos, não poucos, em que a igreja foi "vendida" de porteira fechada para certos candidatos, o que me deixa ainda mais convicto de que boa parte de nossa liderança está gravemente doente!

Não tenho dúvida que precisamos de uma profunda reforma política, com a implantação do voto distrital, o aprimoramento da forma de fazer campanha, privilegiando o debate e não só a conquista do voto em si mesmo e a implantação urgente do voto facultativo. Aqui no Rio de Janeiro, somando a abstenção com os votos nulos e brancos, mais de 50% dos eleitores deixaram de votar em qualquer candidato! É um nível elevado de perda! É óbvio que isso decorre da falta de credibilidade política, mas prova também que o voto obrigatório já não é um instrumento adequado para o momento.

Fiz a minha parte e continuarei a fazê-lo. Lembro-me que há muitos anos um amigo pastor, em cuja igreja vou pregar em novembro, me disse na mesa do almoço: "Geremias, você é muito idealista. Tem de viver no mundo real". Respondi-lhe com candura: "Se não fossem os idealistas do passado, não teríamos o mundo real em que hoje vivemos". Continuarei a nortear-me pelo ideal e menos pelo pragmatismo, com todas as perdas que isso possa me proporcionar. Quero que as próximas gerações tenham um "mundo real" melhor do que o de hoje até que o Reino de Deus seja definitivamente implantado na história humana.

É o que penso.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

"Não planto para o presente. Planto para deixar um legado"



Durante a campanha, abstive-me de postar no blog para não misturar as sintonias, já que o utilizo com outras finalidades. Questão de princípios. Mas a eleição passou e me cabe registrar algumas palavras sobre o pleito como forma de agradecimento àqueles que oraram, torceram e ajudaram direta ou indiretamente em nossa maratona.

Obtive 3529 votos de eleitores que confiaram em minhas propostas como candidato a Deputado Federal. Fiz uma campanha limpa, ordeira, com pouquíssimos recursos, sem os vícios "normais" da política brasileira, como, por exemplo, o despejo de rios de dinheiro que todos nós sabemos de onde e como saem. Não fiz qualquer tipo de acordo com cúpulas denominacionais e nem me dispus a ser patrocinado por qualquer grupo paraeclesiástico. Sequer fiz o chamado "voo da madrugada" em que os candidatos espalham a sua propaganda próximo às urnas e poluem a cidade. De minha parte, as ruas ficaram limpas. Ainda assim, como sempre previ, obtive votos em quase todos os municípios do Estado, a maioria dos quais sequer pude visitar.

Embora não tenha sido eleito, esses votos me credenciam a cobrar com mais energia às nossas autoridades e fiscalizar os seus atos no exercício da coisa pública, além do aspecto profético da missão que exerço como agente do Reino de Deus. Jamais abrirei mão disso. Continuarei na trincheira. A todos o meu abraço e a minha gratidão, compreendendo com serenidade e paz de espírito que "todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito", Romanos 8.28. Não planto para o presente. Planto para deixar um legado que contribua para mudar os costumes políticos tanto de eleitores, formadores de opinião e candidatos

Por fim, os que me conhecem mais de perto sabem que não sou adepto do "murismo". Votei em Marina Silva por exclusão, acreditando que ela reuniria mais condições de derrotar Dilma no 2° Turno. Embora tenha tido um percentual um pouco maior do que nas eleições de 2010, o bombardeio que sofreu da máquina petista de triturar reputações, aliado ao apoio de muitos líderes cristãos com visão messianista equivocados, que mais atrapalham do que ajudam, além dos equívocos da própria campanha, os seus números derreteram nas últimas semanas.

Minha decisão já está tomada. Votarei e farei campanha para Aécio Neves no 2° Turno por acreditar que a alternância de poder faz bem à democracia e por compreender que o país não suportará mais quatro anos de governo petista, após 12 anos de aparelhamento do Estado pelo petismo e pela sutil (ou escancarada?) e gradual implantação do modelo bolivariano de governar a "la Hugo Chavez", iniciado por Lula e continuado por Dilma.

Para o Governo do Rio de Janeiro, por falta de opção, o meu voto é nulo. Pezão é a continuidade de Sérgio Cabral. Por outro lado, Crivella e cúpula da IURD são a mesma coisa.

A Deus toda a glória!

domingo, 3 de agosto de 2014

O Templo de Salomão e a veneração dos nossos templos


O assunto da semana foi o "Templo de Salomão" construído e inaugurado em São Paulo pelo Bispo Macedo, com a presença de Dilma Rousseff e outras autoridades. Não quero, aqui, discutir a grandiosidade da obra nem tocar em outros pontos já amplamente debatidos nas redes sociais. Que se trata de um sacrilégio, não há dúvida. Mas o meu objetivo é, em poucas palavras, mostrar como o templo, de maneira geral, pode ser compreendido à luz da Nova Aliança em Cristo.

Convém ressaltar, de início, que a atitude de importar liturgias do judaísmo tem sido característica das igrejas que se enveredaram pelo caminho do neopentecostalismo. Não é "privilégio" só de Macedo. A presença da "Arca", hoje, predomina em muitos ambientes evangélicos e até mesmo em igrejas históricas. A diferença é que o Bispo da Universal foi mais longe e, com a construção do templo, incorporou com pompa e luxo os ritos judaicos. Parece mais uma jogada de marketing do que outra coisa, na tentativa de dar outro impulso ao crescimento de sua igreja, que vinha estagnada nos últimos anos.

É interessante observar, também, que Luiz Felipe Pondé, em seu ensaio sobre a inauguração do "Templo de Salomão", publicado na Folha de São Paulo, tocou no ponto central da celeuma. Com a teologia da prosperidade, o neopentecostalismo (em que a IURD desponta como o carro-chefe), quer assimilar o "paraíso" prometido por Deus em sua aliança com Israel, mas se nega a aceitar a outra parte do pacto, que já levou a nação judaica a experimentar os momentos mais tenebrosos da história. Portanto, essa "judaização" urdiana e neopentecostal é um contrassenso por querer apenas o que poderíamos chamar de "lado bom" da moeda.

Mas vamos ao que aprendemos sobre o templo na Nova Aliança. O próprio Jesus em seu diálogo com a mulher samaritana (leia João 4) já o desvestiu dessa sacralidade. Para ela a questão não era apenas onde adorar, mas qual o lugar da verdadeira adoração. Em sua resposta, Cristo foi ao cerne: valorizou mais a atitude do que o lugar. Ou seja, não é este que importa, mas a devoção santa de quem o usa. Nesse sentido, o "templo" pode ser o quintal da nossa casa desde que, ali, o nosso coração seja pleno de adoração a Deus. Isso é o que conta. Em outra ocasião, embora tratando da disciplina na igreja, Cristo deixa claro que uma reunião cristã só tem valor se for feita em seu nome, sem, no entanto, dar primazia ao lugar, Mateus 18.20.

Quando chegamos em Atos, descobrimos que as reuniões cristãs tinham predominância nas casas. Certamente os apóstolos iam ao templo judaico por serem judeus, sendo muito provável que ali se reunissem, na área do pátio, para também proclamar o nome de Cristo. Mas a importância do templo judaico perde todo o significado para o então incipiente cristianismo. É tanto que este foi o ponto de maior tensão entre Estêvão e os que o combatiam a ponto de levantarem falsas acusações contra ele. Em dado momento do seu discurso diante de seus algozes, o primeiro mártir cristão tocou na ferida: "O Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens", Atos 7.48. Mais tarde Paulo também repetiu o mesmo conceito no areópago, Atos 17.24.

Como se percebe, a ênfase deixou de apontar para um lugar sagrado, tornando-o secundário, e trouxe a Presença para a vida orgânica da Igreja - o Corpo de Cristo - que se reúne em diferentes lugares e sob as mais diferentes condições, sem primazia para esta ou aquela "casa de adoração". Esta verdade está pontuada em todas as epístolas e transparece nas diferentes formas em que os cristãos primitivos se reuniam para a vivência comunitária da fé. Vale ressaltar, inclusive, que nos primeiros três séculos da era cristã havia templos pagãos, mas não havia templos cristãos. Estes só aparecem com a constantinização da Igreja, que se torna a religião oficial do Estado, e passa até mesmo a usar os templos antes dedicados ao paganismo. É a partir daí que o templo como local de culto a Deus começa a fazer parte da história cristã.

Considerados os pontos acima, se a construção do "Templo de Salomão" por Edir Macedo, com a incorporação dos ritos judaicos, é uma das maiores blasfêmias contra Deus, não menos pecaminoso é sacralizar qualquer outro lugar, como se a Presença dependesse de templos feitos por mãos humanas para neles habitar. A Nova Aliança não se baseia em ritos, a não ser na obra vicária de Cristo, e não fez de um templo o meio para aproximar o homem de Deus. Temos apenas dois sacramentos - a ceia do Senhor e o batismo - que necessariamete não precisam de um templo para serem oficiados.

É óbvio que, com isso, não quero menosprezar o lugar em que a igreja local congrega, não importa se num templo de alvenaria ou numa casa de pau-a-pique. Mas pecamos em sacralizá-lo, dando maior valor a ele do que ao povo de Cristo que ali se reúne, gastando fábulas de dinheiro para orná-lo como um objeto sagrado. Pecamos ainda mais quando introduzimos no nosso culto ritos e objetos que tinham sentido na Antiga Aliança (arca, shofar, candelabro etc), como sombras das coisas futuras, mas que hoje não fazem sentido algum, já que a história da fé está centrada na glória da cruz de Cristo.

Isso vale para Edir Macedo. Isso vale para todos nós.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Não há mais promissórias: a dívida foi paga

A insistência de muitos em acrescentar adendos ao sacrifício de Cristo não faz sentido algum. Não podemos oferecer um milímetro sequer de ajuda à sua obra realizada no Calvário. Tudo quanto tinha de ser feito, ele já fez. Se eu tivesse uma dívida elevada e alguém a pagasse em meu lugar, passaria o resto da vida sendo grato a tal pessoa. Pois foi isso que Jesus fez por nós. Ele pagou a nossa dívida. Esse é o tema do último programa desta primeira série do "Fala, Pastor!": "A dívida foi paga". Voltarei após as eleições. Conto com a sua intercessão.

terça-feira, 17 de junho de 2014

IURD reúne líderes para propor a unidade da igreja


Li agora há pouco que alguns líderes da IURD realizaram um encontro interdenominacional na sede da igreja no Rio de Janeiro, com o propósito de "promover" a unidade da Igreja. Essa é uma pílula que não engulo. Os seus propósitos são outros. É uma tentativa disfarçada de atrair as lideranças evangélicas para o seu projeto de poder. 

A IURD sempre agiu de forma sectária, mas às vésperas das eleições nunca deixou de ter o despudor de mostrar-se aberta para caminhar com as outras igrejas. Nada mais, nada menos do que estratégia política para pavimentar o seu projeto político, do qual Crivella é mero ponta de lança. Essa unidade não queremos. Devemos refutá-la em nome da verdade do Evangelho.

A unidade de que Cristo fala em sua oração sacerdotal se dá à luz da missão da igreja e ao redor do próprio Cristo, não ao preço dos fundamentos que são o cerne da fé cristã. Nossa consciência não pode estar à venda em nome de interesses que não têm como fim a glória de Deus, mas a ambição pela glória humana.  Em resumo, os nossos pontos não são convergentes com os pontos defendidos pela IURD. 

O seu líder, Edir Macedo, defende o aborto. Somos contra. Sua posição é dúbia quanto ao movimento gay. A nossa é clara.  Os seus pontos de fé não estão centrados na pessoa de Cristo. Os nossos estão. Portanto, no que me concerne, dizemos um rotundo "não" a essa proposta de unidade.