quarta-feira, 27 de abril de 2016

Porque não sou devoto de "teologia brasileira"


Nos primeiros anos da minha caminhada teológica, tive bastante entusiasmo pela ideia de construir uma teologia contextualizada à realidade brasileira sob o argumento de que as teologias "importadas" vazavam os seus argumentos a partir de realidades bastantes distintas das que vivíamos. Era uma hipótese bastante atraente. Por que não encontrar compatibilidades pelo viés teológico com os nossos enfrentamentos? Poderia ser até mesmo uma maneira coerente de justificar certas atitudes.

Com o tempo, todavia, percebi que se tratava de um engodo. Não que a nossa realidade deixasse de merecer respostas teológicas que norteassem os nossos posicionamentos, mas pela sutileza marxista envolvida na ideia. No fundo a finalidade era instrumentalizar a teologia com as ferramentas da ideologia política para que ela - a teologia - dissesse o que esta queria dizer. Ou seja, a famosa "teologia brasileira" seria apenas um leito - um canal - onde livremente correriam as ideias marxistas, como uma forma velada de doutrinação esquerdista em nossas cátedras, algo a que se presta hoje a TMI.

A partir de então tomei distância e ojeriza dessa proposta. Entendo que a nossa base para qualquer enfrentamento é o pressuposto de que a Bíblia é a Palavra de Deus, de onde somos capazes de extrair princípios para todas as situações da vida, sem rótulos que  a reduzam por subserviência a este ou aquele viés. Apenas para ilustrar, é puro reducionismo tentar, por exemplo, construir a "teologia do rico" ou a "teologia do pobre", tornando a Palavra de Deus mero eco dos interesses de seus proponentes.

Mas, por outro lado, sempre tendo a Palavra de Deus como base e fulcro para todas as áreas da vida, é justo perguntar que respostas ela tem não só para esses temas, mas também para outros grandes desafios contemporâneos. É óbvio que estaremos, de qualquer modo, fazendo teologia, mas sem rotulagem, reducionismo, deixando de instrumentalizá-la em defesa de posições muitas vezes indefensáveis do ponto de vista bíblico. Hoje, mais do que nunca, a minha base é a Bíblia. Sem rótulos.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Justiça bloqueia contas da CGADB


Conforme já noticiado no blog do pastor Robson Aguiar (veja aqui) e reiterado pelo pastor Nilson Alves, secretário da Comissão Jurídica da CGADB, em seu perfil pessoal no Facebook, a Justiça determinou o bloqueio das contas da entidade para o pagamento da multa, já em nove milhões, em processo movido contra ela, peticionando que informasse o número de inscritos na AGO de Brasília em abril de 2013, decisão essa que a CGADB reiteradamente deixou de obedecer.

O mais interessante, porém, é que, instado por alguns comentários em seu perfil, o pastor Nilson Alves, a quem muito prezo, informou que em nenhum momento foi convocado pela presidência da Comissão para prestar qualquer assessoria à Mesa no processo em tela e que jamais teria participado de qualquer reunião para tratar do assunto. Disse ainda que hoje sabe terem sido o presidente e o vice-presidente da Comissão patronos da causa na Justiça.

A informação do secretário, que reputo como verdadeira, pelo seu caráter e integridade, revela o "modus operandi" que impera no âmbito administrativo da CGADB. É inadmissível que membros de uma comissão tão relevante pelo aspecto jurídico não sejam chamados a opinar em assunto de tamanha gravidade. Pior: o fato de o presidente e o vice-presidente da Comissão Juridica terem sido patronos da causa revela outro comportamento em desacordo com Estatuto, o chamado conflito de interesses, ainda mais quando se sabe, mediante documentos que dispomos, que ambos teriam sido remunerados por algum tempo para tal.

O caso é grave.

CGADB garante votação online



Segundo apurei nos últimos dias, representantes do pastor Samuel Câmara na Comissão de Consenso, que propôs as reformas aprovadas no Estatuto da CGADB na última AGE, estiveram recentemente reunidos com o pastor Abiezer Apolinário, presidente da Comissão Jurídica, para aclarar as dúvidas levantadas pela publicação equivocada do Mensageiro da Paz, afirmando que as eleições para a Mesa Diretora da entidade em 2017 seriam por urnas eletrônicas e não pelo sistema online, como aprovado, notícia que foi também reverberada pelo pastor Nilson Alves, secretário da mesma Comissão, em seu perfil pessoal no Facebook.

A boa informação é que tanto o presidente da Comissão Jurídica quanto o presidente da Comissão Eleitoral, Antonio Lorenzetti, teriam reconhecido a falha na publicação, prometendo retificá-la, bem como reafirmado os termos do Artigo 16, que estabelece o padrão online como sistema de votação, ficando as urnas eletrônicas e até o sistema manual como alternativas apenas em casos excepcionais, como comanda a emenda aprovada. Na mesma ocasião teria havido também uma revisão pormenorizada tanto da nova redação do Estatuto quanto do Regimento Interno. Teria ficado claro para participantes do encontro, segundo apurei, que as copias enviadas a cartório para registro refletiriam com fidelidade o que foi aprovado.

Outra informação importante, que teria sido passada pelo presidente da Comissão Eleitoral, dá conta que ele já teria contatado duas empresas, uma delas com 41 patentes internacionais em tecnologia e votação via web, dissipando qualquer dúvida que pudesse haver sobre a viabilidade do sistema, conforme ficou subentendido na matéria do Mensageiro da Paz. Lorenzetti teria dito: "Asseguro a todos em nome da comissão eleitoral que a redação do artigo 16 e o método de votação é, em primeiro lugar, o online e não trabalhamos em nenhum momento com outra hipótese, estando, ainda, todo o trabalho em estudo aprofundado".

Apurei ainda que ontem a Mesa Diretora da CGADB também teria se reunido e autorizado o seu presidente, pastor José Wellington Bezerra da Costa, a discutir um possível acordo com os pastores Samuel Câmara e Ivan Bastos para pôr fim aos processos movidos contra a CGADB, que deram ganho de causa a ambos. Parece que chegaram até discutir a possibilidade de lançar uma chapa única para as eleições de 2017. Pelo visto começa a surgir uma luz no fim do túnel, embora eu, pessoalmente, prefira o lançamento de candidaturas que concorram entre si em clima cristão e saudável, sem que isso os leve a serem tratados como inimigos num tipo de comportamento que não honra o Evangelho. Esperemos que o jabuti desça finalmente da árvore.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Mensageiro da Paz põe em dúvida votação online na CGADB


Primeiro, o pastor Nilson Alves, secretário da Comissão Jurídica da CGADB, divulgou em seu perfil no Facebook que, embora não tivesse participado da reunião, chegou ao seu  conhecimento informações que teriam sido passadas pela Comissão Eleitoral à Mesa Diretora da entidade, alegando que a eleição do novo colegiado prevista para abril de 2017 teria de ser feita pelo sistema biométrico, com urnas eletrônicas, nas sedes da convenções estaduais, por ser inviável a implantação do sistema online, pela internet, como se determinou na reforma estatutária aprovada na última AGE.

Segundo, como se não bastasse, o Mensageiro da Paz do mês de março, que reportou as mudanças do Estatuto, cometeu o equívoco de informar que teria sido aprovado o uso de urnas eletrônicas com o sistema biométrico, pressupondo que o sistema online seria apenas uma possibilidade. Para não haver dúvida, transcrevo:  “A principal mudança aprovada é a que estabelece que as eleições ocorrerão agora em todo país, via urnas eletrônicas, mas com a possibilidade também de a votação ser realizada online, por meio de biometria, via dispositivos móveis (tabletes e celulares) com aplicativo especial para a votação”.

Só que esses não são os fatos, senão um arrazoado de "invencionices", que não corresponde à letra da lei. Como se percebeu na AGE que os dois terços exigidos para aprovar a reforma proposta pela Comissão Jurídica não seriam alcançados, optou-se então por uma Comissão de Consenso, que acatou proposta do convencional Antonio Manoel, aprovada pelo plenário, tornando o sistema de votação online, pela internet, inclusive com o uso de tablets e smartphones, após ser apresentado estudo de empresa idônea comprovando a sua viabilidade. A previsão legal ficou redigida nestes termos, no artigo 16:

"A votação e a totalização serão feitas pelo sistema eletrônico online, operado por uma empresa com comprovada capacidade técnica e certificada na elaboração de eleições, podendo a Comissão Eleitoral autorizar em caráter excepcional, a votação por sistema eletrônico-digital em equipamento eletrônico digital, também por empresa certificada ou uso da votação manual consoante as regras fixadas neste Estatuto e Regimento e Resolução Eleitoral".

A ideia foi tão bem recebida que até mesmo o blog do pastor José Wellington Bezerra da Costa, presidente da CGADB, expressou o seu entusiasmo pelo novo modelo de votação, repetindo praticamente os termos do que foi definido na reforma estatutária na postagem ali publicada. Veja o que foi dito: "Após a 7ª Assembleia Geral Extraordinária da CGADB, o processo eleitoral adotadopela entidade para eleição de sua Diretoria e Conselho Fiscal se modernizou. Todos os ministros filiados e em dia com as suas obrigações votarão via sistema eletrônico-online ou excepcionalmente mediante autorização da comissão eleitoral por equipamento eletrônico-digital e em último caso, onde o acesso a estes meios for precário, a votação poderá ser manual em locais indicados via resolução da comissão eleitoral".


Soa estranho e fora de tom, portanto, não só a informação que teria sido prestada pela Comissão Eleitoral à Mesa Diretora da CGADB, conforme o Secretário da Comissão Jurídica, pastor Nilson Alves, publicou em seu perfil no Facebook, bem como o "equívoco" na reportagem do Mensageiro da Paz, principalmente quando se sabe  que a Ata da sessão que aprovou as mudanças não teria sido ainda registrada. Com isso, acendeu-se a luz amarela, pois não há nenhuma razão excepcional, como previne o Estatuto, para não implementar a proposta. Por outro lado, não acredito que o pastor Nilson Alves, pela sua integridade, fosse capaz de lançar um boato nas redes virtuais só para embaralhar o processo. Não combina com o seu caráter.

A preocupação aumenta porque na AGE ficou claro que não haveria qualquer dificuldade para implantar a votação online. Tanto é verdade que o pastor Daladier Santos, de Abreu e Lima, PE, especialista em TI, afirmou em comentário feito em meu perfil no Facebook que num prazo máximo de 120 dias ele mesmo poderia montar o sistema, tendo inclusive condições de fornecer parciais durante a apuração. Ou seja, é preciso que a Comissão Eleitoral, composta de homens de bem, esclareça a questão de maneira transparente para não pairar dúvidas sobre a lisura do processo.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

CGADB quer mudar processo de eleição


Um amigo de São Paulo, com acesso à liderança da CGADB, fez contato comigo segunda-feira à noite para adiantar que a Mesa Diretora, em reunião a ser realizada nos dias 29 e 30 de setembro, portanto ontem e anteontem, discutiria e aprovaria algumas propostas de repercussão no âmbito administrativo-eleitoral para vigir nos próximos anos. Não chegou a ser novidade a informação, porque desde 1977, quando fui ordenado a pastor e tornei-me filiado a ela, sob o número 3866, o que mais assisti em suas AGOs foram discussões e mais discussões sempre sob essa ótica. O único "hiato" para um projeto de grande porte em benefício da igreja foi quando se aprovou o projeto da Década da Colheita.

Segundo a informação, seria marcada uma AGE - Assembleia Geral Extraordinária, com realização prevista para 25 a 27 de janeiro do próximo ano, nas instalações do novo templo da AD do Belenzinho, em São Paulo, onde, entre outros pontos, estaria em discussão uma nova reforma do Estatuto da CGADB, propondo mudanças radicais no processo de eleição da nova Mesa Diretora. Convém lembrar antes que não faz mais do que três anos da realização de uma AGE em Maceió, AL, com mudanças no Estatuto, cujos efeitos, até onde sei, continuam sub-júdice. Se aprovadas as mudanças estatutárias, as eleições passariam a ser realizadas nas sedes das respectivas convenções estaduais pelo sistema eletrônico e o voto de cada eleitor seria em chapa completa ao invés de candidaturas individuais. Até lá todos os filiados teriam de se submeter ao registro biométrico, que seria o meio não só de identificar o eleitor na hora do voto, mas também de acesso aos plenários convencionais.

Caso se confirme a proposta, há pontos positivos e negativos a serem considerados. Comecemos pelos positivos, que podem ser resumidos da seguinte forma: 1) a ampliação da base de eleitores, pois a imensa maioria dos filiados não tem como se deslocar para as AGOs quadrienais, quando as eleições se realizam, em virtude do elevado custo de translado; 2) milhares de pastores que nunca votaram teriam, agora, a oportunidade de exercer o seu legítimo direito ao voto na própria sede de sua convenção estadual, e 3) sendo por chapa, o peso da campanha se reduziria ao cabeça - o candidato a presidente - que teria de percorrer o Brasil para levar a sua mensagem e a de seus companheiros.

Os pontos negativos, a meu ver, seriam: 1) o elevado custo para se montar uma estrutura eleitoral desse porte em todo o país, com a contratação do sistema através de empresa privada, já que o TSE não mais se dispõe a fornecer as urnas eletrônicas; 2) a garantia de lisura, com urnas particulares, haja vista o que ocorreu na AGO do Anhembi, em São Paulo; 3) o modo como será feita a totalização nacional dos votos, se através da internet ou de outro sistema, já que é notório e sabido que há suspeitas sobre o envio eletrônico dos votos - basta pesquisar no Google; 4) a impossibilidade de candidaturas avulsas, retirando a possibilidade de lançamento de candidatos alternativos, e 5) o elevado custo para os concorrentes, que terão de percorrer todo o Brasil em campanha, além de ter de montar equipes em cada convenção para o acompanhamento do processo eleitoral.

Outro ponto interessante a ser observado é como votarão aqueles ministros filiados a convenções que não estão baseadas em seu estado de residência. Não é novidade para ninguém que várias delas têm coordenadorias em todos os estados do Brasil. Teriam de viajar até a base de sua convenção? Votariam em urnas separadas nas convenções de seu Estado? E nos casos de estados em que há mais de uma convenção? Elas se uniriam para que a eleição fosse em apenas um só lugar ou cada uma teria estrutura própria de votação para os seus filiados? Ou seja, a decisão é mais complexa do que se imagina e tem uma só finalidade: eleição. Esta simples palavra diz tudo.

A se confirmar o que me foi informado, sugiro aos pastores que façam as suas economias para participar da AGE em São Paulo e darem a sua contribuição a mais essa reforma estatutária. As minhas já estão nesta postagem, pois certamente não participarei de mais este ato.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

A vinda de Jesus e o fenômeno da "lua de sangue"


Passou-se o fenômeno da "lua de sangue" e as profecias alarmantes não se concretizaram. Previu-se que o mundo acabaria em setembro, mas pelo menos até agora a roda continua a girar. Aguardemos até meia-noite. Ainda faltam algumas horas. A verdade é que a falta de conhecimento bíblico, aliada à ausência de bom senso, produz tais mensagens alarmistas e catastróficas que nada têm a ver com o verdadeiro ensino bíblico sobre a vinda de Jesus. Mas parece que o povo gosta de viver debaixo dessa opressão.

Em primeiro lugar, temos de entender que os sinais previstos na Bíblia - antes que venha o terrível dia do Senhor - são de natureza cataclísmica, catastrófica, que ocorrem sem qualquer previsibilidade, diferente dos fenômenos naturais, como a "lua de sangue", que só voltará a ocorrer em 2033, quando eu, se ainda estiver por aqui, completarei 79 anos. Ou seja, desde o início da existência do Universo esses fenômenos se repetem e, hoje, são previstos com precisão pelos cientistas. Os sinais bíblicos são de outra natureza. Eles ocorrem de forma abrupta, imprevista, como aconteceu em Teresópolis, em janeiro de 2011, ocasião em que, sem exagero, experimentamos um fenômeno diluviano.

Em segundo lugar, na esteira de tais alarmismos surgem as especulações escatológicas e as teorias conspiratórias, como as que antecederam o ano 2000. Houve até quem ensinasse que Lula seria o Anticristo. O disseminador da teoria baseou-se na visão dos quatro animais dada por Deus a Daniel, representando a sequência dos quatro impérios mundiais - babilônico, medo-persa, grego e romano, simbolizados, nessa ordem, pelo Leão, Urso, Leopardo e Animal Grande e Terrível. Que fez o professor? Construiu um acróstico, em português, com a primeira letra do nome de cada animal, que deu o seguinte resultado: Lula! Experimente você mesmo e veja. Ora, se fosse para ser dessa forma, o acróstico tinha de ser construído com as primeiras letras dos nomes em hebraico! Em inglês, por exemplo, o segundo nome já não permitiria tal conclusão: urso é bear!

Em terceiro lugar, embora haja sinais na Escritura acerca do fim dos tempos, a vinda de Jesus será surpreendente, numa hora em que não pensamos, sem que possa haver a "espera" de um tempo predeterminado. Isto implica numa santa expectativa, que nos impõe estar preparados em todo tempo. As malas precisam estar sempre prontas. Muitas datas foram já marcadas - algumas de repercussão mundial - e só trouxeram frustração, desânimo e perda da esperança. Aqui mesmo no Brasil houve vários casos pontuais que resultaram em consequências amargas!

Em quarto e último lugar, para os que têm esperança a vinda de Jesus não é instrumento de opressão, medo, angústia e pavor. Em suas semanas finais antes da cruz, Jesus diz aos discípulos que não fiquem turbados, tristes, frustrados para então introduzir a solene declaração: "Virei outra vez e vos levarei para mim mesmo". Que alegria! À igreja de Tessalônica em que os crentes pareciam estar preocupados se voltariam a ver os entes queridos que tinham partido, Paulo os instrui sobre a bem-aventurada esperança como motivo de regozijo e conforto. Segundo o apóstolo, fomos destinados para a plena salvação em Cristo Jesus.

Portanto, não espere a próxima "lua de sangue" em 2033 para preparar-se. Esteja pronto hoje, com as malas arrumadas, esperando Jesus. Esse é o verdadeiro proceder do crente!

sábado, 19 de setembro de 2015

Belenzinho entra no Tocantins

Tomei conhecimento através do portal JM Notícias, do Tocantins, que o Ministério do Belenzinho, SP, estaria estendendo as suas estacas àquele Estado por intermédio da Assembleia de Deus em Limeira, no estado paulista, com um audacioso projeto de implantar igrejas em todas as cidades tocantinenses. Parece de início uma iniciativa a ser aplaudida, pois quem não deseja a expansão do Reino de Deus "até os confins da terra"? Usando uma expressão corrente em certo círculo neopentecostal, seria algo "para glorificar de pé, igreja"! Mas o que poderia estar por trás da proposta?

Sem maiores delongas, lembro-me de 1989, quando, em Assembleia Geral Extraordinária da CGADB realizada em Salvador, BA, por pressão da liderança do norte e do nordeste,  entre eles Samuel Câmara, aliada ao presidente José Wellington Bezerra da Costa, votou-se a suspensão do Ministério de Madureira até que se retirasse dessas regiões, no que comumente se designou como "invasão eclesiástica", e também o Ministério concordasse em retirar de seu Estatuto a natureza nacional de sua convenção. Houve apenas oito votos contrários. Eu estava entre eles, ao lado de homens do naipe de José Pimentel de Carvalho. Ao me questionarem, simplesmente aleguei: "Hoje, com essa decisão, estamos retirando Madureira. Amanhã outra Madureira surgirá em nosso meio. O que precisamos é de reforma em nosso modelo eclesiástico, se a liderança tiver coragem para isso".

Creio não ser necessário acrescentar mais nada. A nova "Madureira" está aí para quem quiser ver e a tendência é expandir-se cada vez mais, dependendo dos rumos da eleição na CGADB em 2017. Não nos esqueçamos, fora isso, que aquela resolução e outras parecidas tratando de "invasão eclesiástica" nada adiantaram, pois o que temos são extensões de diferentes convenções estaduais do sudeste em todos os estados do Brasil. Só no Rio de Janeiro, além de nossas quatro convenções estaduais, há núcleos de outras coirmãs de estados bem próximos. E ninguém fala mais no assunto.

Tudo isso decorre do hibridismo do nosso sistema eclesiástico, que permite a construção de grandes impérios, onde, nas pirâmides, estão pastores afortunados, enquanto na base se encontram aqueles que andam de bicicleta, mal assalariados, como bem expressou o pastor Claudionor de Andrade em sua plenária na Conferência de Escola Dominical realizada em João Pessoa, PB. Na verdade, não estamos construindo o Reino de Deus, mas construindo o nosso reino.

Como diria Ibrahim Sued, o resto é silêncio.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Que atire a primeira pedra

Crédito: Célio Nunes
Um dos versículos mais usados contra aqueles que combatem as heresias e outros tipos de erros no meio cristão é o de João 8.7: "Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra nela". Parece que basta citá-lo de forma isolada para impedir que se faça qualquer exposição sobre as atitudes contrárias aos princípios bíblicos praticadas por pessoas que fazem de tudo para acobertar os seus atos pecaminosos. Como mencionei em meu perfil no Facebook, é "uma anomalia desesperadora", que chega a ser um anacronismo hermenêutico, visto que despreza todo o contexto na interpretação.

Como também afirmei na mesma postagem, "uma 'regrinha' básica de interpretação diz que para se aplicar um texto aos dias de hoje ou a uma situação contemporânea, necessita-se primeiro saber em que contexto foi dito ou escrito, bem como o significado pretendido pelo autor. Portanto, antes de disparar versículos isolados, que tal olharmos primeiro o que eles significam à luz do contexto em que estão incorporados?". É à luz disso que gostaria de analisar em poucas palavras o tão propalado versículo abusivamente citado na hora em que alguém é confrontado em alguma falta.

Em primeiro lugar, os doutores da lei - escribas e fariseus - tinham a intenção de pegar Jesus em uma armadilha, qual seja a de descumprir a legislação mosaica, para poderem, então, acusá-lo de traição à fé judaica. Portanto, ao se dirigir daquela forma aos acusadores da mulher apanhada em adultério, essa era a perspectiva que o Mestre tinha em mente: a intenção maléfica engendrada pelos ditos representantes da lei.

Em segundo lugar, faltou, no episódio, a presença da outra parte, que, pelo sistema legal, deveria sofrer a mesma punição: o apedrejamento. Em outras palavras, não estava havendo imparcialidade na acusação. Por quê? Estaria ele sendo "protegido" pelos doutores da lei? Teria escapado? O que estaria por trás dessa ausência? Seria ele um dos membros do grupo de escribas e fariseus? São conjecturas. O certo é que, como parte, não foi trazido juntamente com a mulher acusada. 

Em terceiro lugar, quando Jesus sugeriu que quem estivesse sem pecado atirasse pedra na mulher não quer dizer que ele concordasse com o pecado dela, mas tal sugestão nos leva, pelo menos, a duas conclusões: a) como judeu, cumpriu a exigência da lei ao propor que fossem adiante. Ou seja, desvencilhou-se de imediato da armadilha farisaica. Mas não deixou de ser justo, quando os pôs no mesmo barco da pecadora: "Aquele que de entre vós está sem pecado", e b) ao mesmo tempo, expôs os propósitos maus dos doutores da lei, que certamente estariam incorrendo nas mesmas praticas que condenavam, mas se "protegiam" uns aos outros mediante o "poder" que dispunham. 

Em quarto lugar, ao despedir a mulher, já que os escribas e fariseus não estavam em condições morais para cumprir o preceito legal, Jesus deixou claro o que pensava, disposto a atraí-la ao Reino com a sua bendita graça. Ele não afirmou: "Siga em frente e viva a sua vida" ou "Vá e se divirta à vontade", mas vaticinou de forma explícita: "Vai-te, e não peques mais". É óbvio que encontrou arrependimento naquele coração humilhado e despedaçado diante dos representantes da religião. 

Em quinto e último lugar, eu diria que o texto seria melhor aplicado àqueles que escurraçam as ovelhas, quando elas pecam; àqueles que, como tiranos, não restauram as suas feridas, não as fortalecem, mas preferem esmigalhá-las sob os pés; àqueles que, pelo "poder" que têm, protegem-se uns aos outros de seus pecados e vivem em rasgada hipocrisia diante da religião professante. É a esses que o texto deve ser endereçado, que não têm escrúpulos até em matar as ovelhas, mas querem misericórdia, quando são apanhados nas mesmas faltas.

É simplesmente isso.