quarta-feira, 25 de março de 2015

CGADB, CONAMAD, BELENZINHO, IGREJA-MÃE: QUE SIGNIFICAM?


Há dois dias, no perfil do Facebook, me foi feita a pergunta se eu ainda estava vinculado à Assembleia de Deus, Ministério do Belenzinho. Não é a primeira vez que tal indagação me é dirigida dessa forma. Dei a resposta que julguei adequada, mas lembrei-me que há mais de um ano planejei escrever algumas poucas linhas que ajudassem os cristãos de maneira geral, especialmente os assembleianos, a entender um pouco sobre como funciona a nossa estrutura denominacional. Acabei me esquecendo. 

Mas com a pergunta de anteontem, o tema me veio outra vez à memória, pois sei que não é fácil compreender esse "hibridismo" assembleiano, recheado de siglas e nomenclaturas, tais como CGADB, CONAMAD,  CPAD, Ministério do Belenzinho, Ministério de Madureira, Igreja-Mãe etc., etc. Com o intuito de ajudar, tentarei clarificar as coisas, sem formalidade acadêmica e da forma mais simples possível. Comecemos.

CGADB é a sigla para Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil, considerada o tronco da denominação, pois é consequência da história que começou em Belém, PA, no ano de 1911, e passou a existir desde 1930 para, em tese, servir de guarda-chuva às Assembleias de Deus no país, que até então tinham predominância no norte e nordeste brasileiros, expandindo-se para o sudeste só a partir de 1924. Embora se considere das Assembleias de Deus e seu estatuto contenha normas que elas devem pôr em prática, não se trata de uma convenção de igrejas, como no caso da Convenção Batista Brasileira, mas de pastores: significa dizer que ela praticamente não tem nenhum poder de interferência na vida da igreja local.

Mas onde entram os ministérios e como eles se relacionam com a CGADB? Em tempos idos, mesmo já com a existência da entidade máxima, não havia convenções estaduais organizadas. Salvo engano, a primeira a ser estruturada foi a de Santa Catarina, no ano de 1948. Outras vieram depois. O que havia eram os chamados ministérios, geralmente com a sede na capital e igrejas espalhadas pelos bairros e cidades do Estado, com um pastor presidente a cuja autoridade os demais se submetiam. Ainda hoje é assim em alguns estados do nordeste. É tanto que a CGADB reconhece não só convenções, mas também ministérios estaduais a ela vinculados.

O Ministério do Belezinho, em São Paulo, se insere nessa construção "híbrida" assembleiana e surgiu da mesma forma como os demais. Embora, posteriormente, tenha gerado a CONFRADESP - Convenção Fraternal das Assembleias de Deus no Estado de São Paulo, as igrejas a ela filiadas nos municípios são conhecidas como pertencentes àquele Ministério, com sede na capital e estrutura eclesial no município e em outros adjacentes dividida em setores. Assim, quando se fala em Ministério do Belezinho pode-se estar falando da sede e seus setores, bem como da CONFRADESP e das igrejas no âmbito da referida Convenção Estadual, com o mesmo presidente: José Wellington Bezerra da Costa.

Mas o Ministério do Belenzinho não é a mesma coisa que CGADB. Este é o ponto. São distintos. Assim como outros ministérios e convenções estaduais, ele é mais um entre os demais a ela vinculados, sem "status" privilegiado. O que provoca confusão em algumas pessoas é que o presidente daquele Ministério é, também, o presidente há 25 anos da CGADB, passando a impressão que são apenas nomenclaturas distintas para a mesma organização, o que não corresponde à realidade. Belenzinho é uma coisa, CGADB outra. Portanto, pondo os pingos nos "is", o pastor José Wellington Bezerra da Costa não é o presidente das Assembleias de Deus no Brasil, mas da CGADB, que congrega pastores de todo o país, sem que haja qualquer subordinação das igrejas à referida presidência, a não ser as do Ministério do Belenzinho por ele o presidir.

Para não estender demais o post, CONAMAD, por sua vez, é a expansão do Ministério de Madureira, que teve como fundador o pastor Paulo Leivas Macalão no bairro do mesmo nome, no Rio de Janeiro, avançando depois pelos estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal. Até 1989 os seus pastores estiveram sob o guarda-chuva da CGADB, mas com a assunção de outra liderança que poderia fazer frente a certos interesses já latentes, aliada ao avanço para os estados do norte e nordeste, resolveu-se em AGO realizada em Salvador, BA, que ficariam suspensos até que se afastassem das referidas regiões e retirassem o caráter "nacional" de sua convenção. Como isso não aconteceu, Madureira passou a ser outro braço da Assembleia de Deus em nosso país e a sigla que ostenta - CONAMAD - significa Convenção Nacional das Assembleias de Deus no Brasil - Ministério de Madureira. A ela pertence a Editora Betel.

Por fim, quando nos reportamos à Igreja-Mãe, a referência é sempre à primeira igreja plantada em Belém, PA, pelos pioneiros Gunnar Vingren e Daniel Berg. Dali o trabalho floresceu em todo o Brasil e, por mais que haja quem torça o nariz, a história não pode ser mudada, a não ser que se faça como Stalin e se apaguem os fatos dos registros. Mãe nunca deixará de sê-lo. Convém ressaltar que quando se comemora o aniversário de fundação das Assembleias de Deus, não estamos falando de CGADB, mas da igreja em si mesma, cuja data é 18 de junho, oportunidade em que os pioneiros, em 1911, juntamente com irmãos desligados da Igreja Batista por causa da doutrina pentecostal, estabeleceram em Belém, PA, a nova igreja, que, inicialmente, chamava-se Missão de Fé Apostólica. Só passou a chamar-se Assembleia de Deus em 1918 por decisão de Gunnar Vingren, dos obreiros e da igreja em Belém. A CGADB ainda estava longe de vir à existência. E a CPAD, onde entra nisso tudo? Sem muitas delongas, a sigla significa Casa Publicadora das Assembleias de Deus e tem como legítima proprietária a CGADB. Ela não é de um grupo, mas da organização, assim como a Editorial Patmos, nos Estados Unidos.

Uma última informação: a quem interessar possa, sou filiado à CONFRADERJ - Convenção Fraternal das Assembleias de Deus no Estado do Rio de Janeiro, sob a presidência do pastor Temóteo Ramos de Oliveira, também vinculada à CGADB, onde sou registrado sob o número 3866.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Babilônia religiosa & Avivamento: nem tudo está perdido

Encontro das águas entre o Rio Negro e o Solimões
Embora a Babilônia religiosa exerça, hoje, forte predominância no meio cristão, não podemos ter a atitude de enterrar a cabeça na areia, qual avestruz, para não enxergar a triste realidade ao nosso redor. Não é próprio, também, pensar que, pelo andar da carruagem, não há nada mais que possa ser feito. Tudo está perdido. Mas não é bem assim. Se fosse este o caso, o sacrifício de Cristo na cruz teria sido em vão e seria melhor, então, tomarmos o caminho de volta para Emaús. Talvez até fosse uma boa estratégia, pois no meio da estrada o Senhor nos apareceria para dizer: "Ó néscios, e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram!"

A verdade é que em meio a esse caos, os lírios ainda florescem! O próprio Jesus, ao mesmo tempo em que fez a pergunta retórica, se o Filho do homem, quando voltasse, acharia fé na terra, também admitiu na mesma parábola que Deus faria justiça aos seus escolhidos. Em outras palavras, mesmo diante das coisas mais absurdas feitas em nome de Cristo, haveria milhares que não se curvariam e nem se curvarão aos deuses erigidos nos templos dos que introduziram o antropocentrismo na prática da fé cristã. Não nos deixemos sucumbir pela síndrome de Elias! Você não está sozinho. Há outros na mesma trincheira em defesa do Evangelho puro e simples.

Mas a bem do que expressa o Novo Testamento de ponta a ponta, não creio num avivamento final, que varrerá o mundo e produzirá conversões em massa, quase cheirando a universalismo, se bem que muitos defensores da tese assim acreditam. Mas não é o que lemos na Escritura e o que vemos acontecer no mundo. Ao contrário, como diz a Bíblia sobre o fim dos tempos, cada vez mais cristãos estão sendo "encurralados", perseguidos e expostos à execração pública por expressarem princípios que não se submetem à cultura mundana. Não precisamos ir longe. Vivemos já esse quadro em nosso país. Não desconheço que ao falar sobre a ação do Espírito, o Senhor usou como analogia o vento, que "assopra onde quer", mas isso não corrobora de forma alguma qualquer ideia de universallização da salvação mediante um avivamento transmundial.

É provável que a esta altura você me pergunte: Em que tipo de avivamento então o irmão crê? A minha resposta é simples e direta. Creio no avivamento bíblico. Essa foi a oração de Habacuque, nos anos que antecederam ao exílio dos judeus em Babilônia. O profeta não podia concordar com a rebelião e a apostasia do povo contra Deus, mas também não compreendia que ele usasse um império pagão para trazer severo juízo sobre a nação judaica. Parecia uma contradição à sua santidade. Foi então que se lembrou dos feitos divinos no passado em favor de seu povo e orou com a alma compungida, usando expressões poéticas carregadas de figuras de linguagem, onde a ênfase é para que Deus avive a sua obra (não a do homem), ou seja, realize de novo os seus grandes feitos, revitalize a vida de fé mediante a sua misericórdia em tempos de ira, para então concluir dizendo que, mesmo se estivesse em condições de terra arrasada ("ainda que a figueira não floresça"), continuaria a alegrar-se no Deus da sua salvação. É a fé viva contra todas as circunstâncias! Isso é avivamento.

Mas esses avivamentos do reteté, do cair no espírito sob o efeito do paletó, dos rodopios pela nave do templo, da gritaria histérica, desenfreada e babélica, dos "corredores de fogo", onde, ao final, se bebe um "cálice de água ungida", dos "recados proféticos" que se contradizem entre si, das curas prometidas que não acontecem e frustram a fé das pessoas, tudo isso em flagrante contraste com o ensino de Paulo em 1 Coríntios 12, 13 e 14, nada têm a ver com a ação ativa de Deus e não promovem nenhuma mudança de coração. São apenas espetáculo que exalta os "ungidos", sem nenhuma piedade, e os leva a usar o mecanismo para submeter o povo à opressão religiosa para lhe arrancar a preciosa lã. Quero distância desses movimentos. Quanto mais longe estiver, mais o meu coração estará livre para o verdadeiro avivamento.

À luz do que acabei de escrever, percebo que, apesar do caos, o verdadeiro avivamento está à mão dos que creem e pode ser visto entre aqueles que não cederam às pressões do panteão ególatra. É só tirarmos a nossa cabeça de dentro da areia e olharmos em volta que veremos os seus resultados. Não é algo que está no terreno do abstracionismo, mas é visível para quem acredita que Deus continua a realizar os seus feitos no mundo contemporâneo. Como costuma afirmar Hernandes Dias Lopes: "Ainda que tudo possa parecer fora de controle, Deus está no absoluto controle de todas as coisas".

Vejo, por exemplo, entre os jovens cristãos um florescimento acentuado pelo estudo da Palavra de Deus. Eles estão cansados de comer algodão doce, que só enfraquece o organismo. Já não se satisfazem com pregações inflamadas, cheias de frases de efeito, que torcem o texto bíblico a belprazer do pregador, sem consistência doutrinária alguma, além das canções "gospéis" que já não lhes atraem a alma. Por quê? Por descobrirem que estão famintos e só a Palavra de Deus os alimenta, quando os seus nutrientes são metabolizados. É prazerozo vê-los querendo saber, perguntando, trocando ideias e até mesmo debatendo de forma saudável em busca das verdades da Escritura. Tenho experimentado essa realidade em minhas viagens. Nesse avivamento eu creio!

Vale ressaltar que, quando Josias começou a reinar em Jerusalém, o Livro da Lei estava perdido na Casa do Senhor. É aí que ele precisa ser resgatado. E se isso ocorre, o avivamento chega, não como obra de homem, com hora e dia agendados, mas como obra de Deus, sem qualquer manipulação humana, sem apelos psicológicos, a partir do resgate da Escritura na vida da igreja e de cada um em particular. O resultado não poderia ser outro, senão arrependimento, confissão de pecados, perdões mútuos - não da boca para fora, mas do coração - fortalecimento da comunhão uns com os outtros, onde a necessidade do próximo é mais importante do que a nossa, vivência fervente da fé, desejo apaixonado em proclamar o evangelho onde quer que seja, aqui ou além mar, para que os perdidos ouçam e sejam chamados à salvação, enfim, o ápice do verdadeiro avivamento é a ardente paixão de amar a Deus sobre todas as coisas.

A Babilônia religiosa aí está, fazendo os seus estragos. Mas em paralelo, o remanescente fiel não entregou os pontos. Tal qual o encontro das águas do Rio Negro e do Solimões, no Amazonas, flui entre eles, ao lado do caos babilônico, a graça da vida avivada, cujo fim primeiro e último será sempre a glória de Deus.

quinta-feira, 19 de março de 2015

Retrato em preto e branco da Babilônia religiosa

Jardins Suspensos da Babilônia
Segundo notícias da mídia, começa hoje à noite uma nova novela na Rede Globo: Babilônia é o título. Mas não é sobre ela que eu quero escrever algumas poucas palavras. Minha mente se volta para a Babilônia religiosa, como prevista no Apocalipse, e viaja no tempo para trazer à memória a grandiosidade, a opulência e o luxo do Império Babilônico no auge de Nabucondonozor. Foi tamanho o seu orgulho que Deus o humilhou e o fez pastar entre os animais no campo até que reconhecesse a soberania do Altíssimo. Teve de deixar o trono para viver no pasto.

Esse é, também, o grande pecado da Babilônia religiosa contemporânea. Não me refiro aqui a uma instituição de per si, mas a um complexo religioso cristão, que junta sob o mesmo guarda-chuva distintas estruturas detentoras dessas características. Devo ser sincero e reconhecer que tal perfil já não é "privilégio" apenas de um grupo vistoso e midiático, mas se tornou tão eclético que inclui as mais diferentes tendências cristãs. Elas estão aí bem diante de nossos olhos. Não é difícil identificá-las.

Mas qual é, mesmo, o perfil da tal Babilônia religiosa?

Ele se caracteriza, em primeiro lugar - não necessariamente nessa ordem - pelo ecletismo de sua mensagem centralizada no homem em que se buscam quaisquer recursos, quaisquer fórmulas, para massagear o seu ego e colocá-lo no topo do mundo como "senhor da terra". A heterodoxia predomina nos sermões, na liturgia e em eventos nos quais tudo é organizado e conduzido para que ele ocupe o seu lugar no panteão das vaidades humanas. Não importa se o que diz não se submete ao crivo da Escritura e, sim, se agrada aos ouvidos de quem ouve. A Babilônia religiosa é eclética e também pagã, pois presta culto ao homem!

Outra característica predominante é o mercantilismo. A Babilônia religiosa mais se parece com um "mercado árabe" ou com um desses "camelódromos", onde se negocia de tudo e se barganham as coisas mais inimagináveis desde que se ouça o som da moeda caindo na caixa, ou melhor, o barulho das maquininhas de cartão de crédito ou débito, fazendo, em alguns casos, vultosas transferências. Não é nada tão distante da venda de indulgências e da prática de simonia dos tempos medievais. Lembro-me de que na época em que presidi um Conselho de Ordenação de Ministros, na Convenção Estadual a que pertencia, rejeitamos um candidato por não preencher os critérios bíblicos e convencionais. O pastor que o apresentou entrou em pânico. Tinha-lhe "vendido" a ordenação! Enquanto lá estive, a nossa posição foi mantida. Mas na Babilônia religiosa é daí para pior!

Não quero, com isso, contraditar a necessidade de recursos financeiros para a realização da obra de Deus. De maneira geral, nada é feito sem custos e contribuir é parte de nossa adoração. É o reconhecimento de que tudo o que temos lhe pertence. O próprio Cristo tinha um tesoureiro e o apoio de mulheres que lhe ofertavam de sua renda familiar. A Bíblia diz, ainda, que o obreiro é digno do seu salário e os que ministram em tempo integral devem receber duplicados honorários. O ponto, portanto, não é esse. É a mercantilização pura e simples. É transformar a fé em negócio lucrativo, é enriquecer-se em nome do Evangelho, é deixar de lado as "sandalhas da humildade" pelos opulentos sapatos do orgulho, é massacrar o povo, enquanto se esbalda em cofres abarrotados, assim como faz o Tio Patinhas.

É por isso que outra característica marcante da Babilônia religiosa é o luxo, a opulência, a grandiosidade (no sentido pior do termo), a suntuosidade e a altivez de tudo o que se faz e se constrói. Já não basta um templo simples e funcional! Já não bastam as catedrais! O referencial, doravante, é o Templo de Salomão! Não o de Jerusalém, mas o de São Paulo. Quem construir algo menor do que isso não é digno de assentar-se no trono! Não nos esqueçamos, também, da vida nababesca dos líderes da Babilônia religiosa. Mansões, iates, jatinhos e carros luxuosos são alguns dos itens que compõem a sua vida regalada. Para se ter uma ideia, segundo o site de notícias da CNN (veja aqui), o pastor Creflo Dollar, nos EUA, teria pedido há poucos dias que 300 mil pessoas, entre membros da igreja, mantenedores e parceiros, doassem 300 dólares cada um para a compra de um Jato Gulfstream G650 orçado em cerca de 65 milhões de dólares! Não tenho dúvida que esse não é o espírito do Novo Testamento!

Na Babilônia religiosa, os líderes sugam as ovelhas ao máximo, tirando-lhes o sangue, para satisfazer as suas paixões carnais. Esforçam-se para ficar o mais distante delas, até com forte aparato de segurança, pois não querem ter o trabalho de cuidar das que estão doentes, com o pé quebrado, enfraquecidas, desgarradas, desprotegidas, abandonadas, perdidas e quase mortas. Mas cevam-se sem pudor de suas lãs. São pastores de si mesmos e não do rebanho de Deus, como descreve o profeta Ezequiel acerca dos líderes do povo de Israel. Querem títulos e mais títulos, se possível até de "semideus". Estão inebriados pelo vinho da religiosidade fútil, prostituída, insana, que se oferece no banquete de sua egolatria.

Que mais poderia eu acrescentar? A lísta não termina aí. É longa e poderia incluir muitos outros tópicos. Mas a natureza do blog não permite textos mais densos. Assim, gostaria de concluir com a seguinte afirmação: se você quer servir a Deus numa comunidade de fé comprometida com os fundamentos bíblicos, que não esteja maculada por nenhuma das características aqui descritas, procure encontrar aquela que valorize a comunhão entre os irmãos, faz da Escritura o seu pão de cada dia, viva a simplicidade do Evangelho e cujo pastor se assenta no meio da relva com as ovelhas, não como senhor, mas como servo do Pastor do rebanho. Já aos que estão em sistemas identificados com a Babilônia religiosa, levem a sério a recomendação bíblica:

- Sai dela, povo meu, Apocalipse 18.4.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Contagem regressiva para a Consciência Cristã


Começa hoje a 17ª edição da Consciência Cristã, que vai até o dia 17 de fevereiro, na cidade de Campina Grande, PB. Este é um dos poucos eventos que fazem, hoje, o diferencial na igreja evangélica brasileira. O tema deste ano é um dos mais fascinantes da Escritura: "Fazei tudo para a glória de Deus" e terá como preletores, entre outros, Josh McDowell, Justin Peters, Hernandes Dias Lopes, Renato Vargens, Paulo Junior e Elias Medeiros. Além das plenárias, são dezenas de seminários paralelos, cobrindo vasta parcela de assuntos.

Um dos pontos positivos da Consciência Cristã são as inscrições gratuitas, ou seja, sem custo algum para os participantes, que se responsabilizam apenas pelo translado, hospedagem e alimentação e podem unir o útil ao agradável: aproveitar o período do carnaval não só para um "descanso", mas também para abastecer as "baterias" com a exposição da Palavra de Deus, com mensagens cristocêntricas e substanciais. Vale a pena participar. Ainda dá tempo. Inscreva-se aqui.

No vídeo abaixo, alguns líderes manifestam o seu irrestrito apoio à Consciência Cristã e estimulam os que amam a centralidade do Evangelho a contribuir para ajudarem a cobrir as despesas do evento, que se mantém cada vez mais forte, entre outras razões, pela transparência em suas finanças. Se você quer e pode fazer parte do grupo de mantenedores, escolha, ao final, uma das contas indicadas e faça a sua contribuição voluntária.


segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

E Dilma não foi a Paris... nem Obama

Foto de Michel Euler/AP - Via O Globo
Esperei passar o calor dos acontecimentos para escrever algo sobre a barbárie do ataque terrorista em Paris. Serão linhas curtas a começar pela premissa que a liberdade de expressão é o âmago de qualquer regime democrático, embora muitos não gostem desde que a sua liberdade seja preservada. A do outro, às favas! Para mim, não é presumível de forma alguma que se queira impor qualquer restrição a ela - que mais parece censura - em nome da preservação de outros direitos.

Por outro lado, não endosso sob nenhuma hipótese o tipo de humor ácido da revista parisiense, que atira nas mais diferentes direções, inclusive com "cartoons" que blasfemam contra ícones irremovíveis do Cristianismo. Mas no regime democrático só há duas formas de evitar tais manifestações; o próprio senso dos responsáveis pela publicação ou a busca do amparo jurídico para reparar o excesso mediante as leis em vigor. No Brasil, elas existem, pena que, regra geral, só são lembradas com o intuito de amordaçar a liberdade de expressão de quem professa a fé cristã.

À luz do exposto, foi um ato vil o perpetrado pelo braço armado do Islamismo contra a revista parisiense. A presenca de cerca de 3,5 milhões de pessoas neste domingo nas ruas de Paris, com cerca de 40 líderes mundiais à frente, foi a melhor resposta do mundo que se pretende livre contra a criminalização do direito de opinião. Esperava que Dilma Rousseff se fizesse presente. Não compareceu. Nem ela nem Obama, presidente da nação que mais tem sofrido com os ataques islâmicos no mundo.

Mas há uma explicação. No Brasil, a "ladainha' da esquerda é tentar inibir os cristãos de exercerem livremente a sua fé, criando-lhes embaraços sob o manto das leis existentes e de outras que estão em processo de encubação. Enquanto isso, grupos sectários usam e abusam dos ícones do Cristianismo, em manifestações xulas e esdrúxulas, sem que os defensores dos direitos humanos digam qualquer coisa. Nem Maria do Rosário. Nem Dilma. Como então poderia a presidente estar ontem em Paris para defender uma causa - a liberdade de expressão - contra a qual o seu Governo trabalha?

A mesma explicação vale para Obama. Expressar os valores cristãos nos EUA já não é algo tão simples, com um Governo pró-islâmico, embora o país seja ainda a maior democracia do mundo. Prova disso é que no dia 6 de janeiro, terça-feira passada, Kelvin Cochran, chefe do Corpo de Bombeiros de Atlanta, Geórgia, foi exonerado do cargo simplesmente por ter escrito algumas poucas linhas contra a prática do homossexualismo em um estudo bíblico interno de sua igreja. Ora, seria constrangedor para Obama também estar em Paris para defender a liberdade de expressão, se em seu país, com a sua complacência, cristãos começam a ser retaliados (Apenas a título de informação, amanhã, 13, haverá uma manifestação em frente ao Atlanta State Capitol contra aqueles que querem discriminar cristãos).

Esses sãos os motivos pelos quais sou defensor aguerrido da liberdade de expressão. Não temos o direito de agredir, matar ou promover terrorismo contra quem ataca a nossa fé, ainda que seja da forma mais vil. Mas não podemos, por outro lado, ser omissos em buscar os nossos direitos democráticos, sob a tutela da lei, se de alguma forma somos vilipendiados, agindo com a mesma determinação em todos os casos, inclusive em situações como essa que está ocorrendo em Atlanta. Afinal, como diz o resumo do arcabouço jurídico brasileiro sobre o assunto, "o direito de criticar dogmas e encaminhamentos é assegurado como liberdade de expressão, mas atitudes agressivas, ofensas e tratamento diferenciado a alguém em função de crença ou de não ter religião são crimes inafiançáveis e imprescritíveis".

Hoje foi a revista de Paris. Amanhã poderemos estar na alça de mira... se já não estamos!

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Que venha 2015!


Considero a vida uma espécie de moto contínuo. Ela se realimenta da própria energia que produz não só no aspecto físico, mas em relação às perspectivas para o futuro. Nesse caso, a energia vem do Pai das luzes. O calendário é apenas um instrumento que nos ajuda a marcar os quilômetros da estrada. Vejo o ano que termina, por exemplo, sob duas perspectivas: a humana, com os seus altos e baixos, e a divina, em que todas as coisas contribuem juntamente para o bem dos que amam a Deus e são chamados pelo seu decreto.

Sob o primeiro aspecto, no meu caso, tive excelentes momentos, construí novas amizades, reencontrei amigos do passado e busquei olhar para frente, com erros e acertos, na construção dos propósitos de Deus para a minha vida. Uma das coisas que mais me revigorou este ano foi sentir-me mais perto de Deus, amar com mais fervor a sua Palavra e ter a consciência de que sou mero instrumento em suas mãos. Nada mais. Vibrava a cada mensagem pregada por perceber de forma cristalina essa natureza.

No entanto, seria hipócrita se dissesse, sempre sob o ângulo humano, que tudo correu às mil maravilhas! Ao contrário, enfrentei muitos momentos amargos, algumas vezes pensei em "jogar a toalha", desistir de sonhos e tocar a vida de forma "alienada", num lugar bem distante, quem sabe à beira de um rio, com a floresta por trás, se possível mantendo o mínimo de contato com o "mundo". Tristeza por sentir como somos egoístas!

Houve momentos em que me senti injustiçado, vi que "certos amigos" só me rodeavam pelo que eu hipoteticamente lhes poderia oferecer, enfim, houve horas em que parecia faltar-me o chão. Devo reconhecer, por outro lado, os verdadeiros amigos que nunca desistiram de mim. Eles sempre estiveram por perto. Seria também injusto se esquecesse que muitas de minhas atitudes, embora bem intencionadas, tenham magoado outras pessoas, lembrando que em alguns casos o meu desejo mesmo, como vil e miserável, era mandar alguns para a "tonga da mironga do caburetê". Cometi falhas. Muitas falhas. Mas essa foi a perspectiva humana.

Sob a perspectiva divina, nada se perdeu ou foi inútil. Tudo fez parte da escola diária de vida, na qual fomos matriculados desde o dia de nossa fecundação no ventre materno. Passei por onde passei, porque tinha de passar por esses "pedaços", seja pela não-interferência soberana de Deus, seja por sua ação positiva para manter-me no caminho. Tenho arrependimento dos erros, mas não os descarto como lições do aprendizado. E me alegro por aquelas horas felizes e vibrantes - muitas, diga-se de passagem - que me foram também proporcionadas por Deus, entre elas a oportunidade de pregar a sua Palavra de norte a sul do país.

Com as perspectivas apresentadas dessa maneira, posso então afirmar que 2014 foi um grande ano! Os sonhos não se perderam, apenas estão sendo reorientados para que reflitam a santa, perfeita e agradável vontade de Deus. O desejo de servi-lo é cada vez mais acentuado nessa próxima jornada da estrada. Isso não significa passividade, alienação, deixar de confrontar o que precisa ser confrontado. Significa apenas querer estar no lugar em que Deus deseja que eu esteja, compreendendo sempre que haverá pedras no caminho. Elas são necessárias. Ruim seria se não houvesse caminho!

Feliz 2015 a todos!

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

A atualidade dos métodos de Jesus


INTRODUÇÃO

O ministério terreno de Cristo teve por essência o ensino. Todos os seus atos – inclusive os milagres – não fugiram à regra. Onde quer que estivesse, tinha uma meta: ensinar as pessoas. As situações aparentemente mais corriqueiras serviam-lhe de instrumento para expor uma lição aos seus ouvintes. Jesus viveu movido por este propósito e empregou as estratégias certas para cumpri-lo.

Igualmente, a Igreja hoje exerce o ministério pedagógico. Essa é a sua prioridade. O complexo mundo pós-moderno impõe-lhe o dever de multiplicar as suas energias nessa direção e ter como foco, sobretudo, as crianças, pois é nos primeiros anos de vida que ocorre a estruturação psicológica do indivíduo.

Não desconhecemos o avanço da pedagogia, nem lhe tiramos o mérito de introduzir novas formas de pensar a educação para que os objetivos do ensino sejam alcançados. Mas estas são as grandes perguntas de nossa reflexão: os métodos de Jesus continuam válidos para a época atual ou perderam a sua eficácia?  Se Cristo vivesse sua humanidade hoje como seria a sua forma de aproximação das pessoas?  Se a pedagogia põe ao nosso dispor novas ferramentas para cumprir os objetivos do ensino, em que podemos aprender com os métodos de Jesus?

UM HOMEM AFINADO COM O SEU TEMPO

Para que tenhamos uma visão clara sobre isso, precisamos primeiro descobrir como Jesus se relacionou com a sua época, envolvendo não só a questão religiosa, mas também a cultura e os aspectos sociais. Esta premissa é necessária para que não se tenha a idéia, pela leitura equivocada dos evangelhos, de que o Mestre tenha sido uma pessoa alienada do contexto em que viveu.

Não obstante Cristo ter nascido para cumprir os propósitos de Deus de implantar o Novo Concerto entre os homens, do qual seria o mediador através do próprio sacrifício vicário, sem nenhum vínculo formal com o judaísmo, a sua nacionalidade judaica não foi uma circunstância, mas uma necessidade espiritual, profética e teológica. Deus usou a nação de Israel para ser a depositária de sua revelação à humanidade. Portanto, o Salvador do mundo, enquanto homem, teria de vestir-se de judeu para  cumprir os propósitos divinos.

Assim, Cristo foi em tudo uma pessoa afinada com o seu tempo. Ele viveu como judeu, cumpriu os ritos do Antigo Concerto, incorporou em sua prática diária os elementos básicos de sua cultura e fez uso das convenções sociais de então nos seus relacionamentos. É óbvio que confrontou os erros, condenou a hipocrisia religiosa, combateu o formalismo da fé, proclamou as boas novas do novo tempo que Ele próprio representava, mas sempre se utilizou de ferramentas judaicas para isso, inclusive na arte de ensinar ao povo.

Em suma, esta é a expressão que melhor resume como o Mestre se comportou em sua vida humana: um homem contemporâneo.

UM HOMEM QUE CONHECIA AS NECESSIDADES HUMANAS

Outra peculiaridade de Jesus está na importância que dava aos relacionamentos. Ele não deixou de valorizar os momentos a sós com Deus, onde renovava as forças para os embates diários, mas ocupava grande parte de seu tempo em contatos com as multidões e as pessoas em particular. Ele o fazia porque conhecia as necessidades humanas. Esse era o foco de sua atenção. Essa era a prioridade do seu ensino.

Qualquer que fosse a forma de aproximação de alguém necessitado, ou da própria multidão, o Senhor conduzia o processo até chegar ao âmago do problema para então propor os caminhos para a mudança de curso e a restauração pessoal ou comunitária. Mas o ponto de partida nunca se constituía de um discurso vazio e sem levar em conta o que importava: a necessidade do próximo.

Em outras palavras, o ensino não pode ser superficial, nem apenas formal. É preciso considerar o que as pessoas necessitam e ponderar sobre como é possível levá-las a mudar a sua concepção e a pôr em prática os conceitos aprendidos para que façam sentido em sua vida e produzam aperfeiçoamento.

Isso implica em convivência, compartilhamento, aceitação do ser humano, capacidade de avaliar as reações alheias, interesse pelo que as outras pessoas vivem e sentem e disposição para ser mais que um professor: tornar-se um verdadeiro condutor de pessoas, segundo a etimologia do termo grego. Esse foi  o sentimento que moveu o coração de Cristo em sua compaixão pelo homem.

UM HOMEM QUE DOMINAVA OS RECURSOS PEDAGÓGICOS

Em vista do que acabamos de expor, Jesus sabia fazer uso dos recursos pedagógicos e os aplicava à luz das especificidades humanas. Ele não era um autômato que seguia a mesma rotina em todos os casos. Mas agia como um conhecedor dos problemas humanos.

Os diálogos do Mestre não se restringiam à mera ocupação do tempo, mas tinham objetivos bastante definidos; suas perguntas retóricas não eram para demonstrar conhecimento, mas instrumentos para chegar a um fim; suas parábolas não o tornavam um simples contador de histórias, mas levavam-no a estabelecer analogias consistentes; os seus simbolismos não ficavam no mundo abstrato, mas eram extraídos da linguagem do povo para que este o compreendesse – em qualquer situação o método era aplicado conforme o propósito.

Quando a circunstância exigia conduzir o processo pedagógico etapa por etapa, esse era o caminho; quando o confronto direto se impunha, esse era o método; quando a demonstração de atitude era mais forte do que as palavras, esse era o comportamento. Mesmo naquelas situações que envolviam logística, o Senhor preocupou-se em criar condições para que seus ouvintes não tivessem nenhuma dificuldade que os impedisse de serem alcançados.

Portanto, quando se olha para a tríplice perspectiva do ministério terreno de Cristo – ensinar, pregar e curar – percebe-se com bastante precisão que Ele não perdia as oportunidades de cumprir os seus propósitos pedagógicos. Qualquer que fosse o contexto, nunca deixava de ser contemporâneo na forma de falar às pessoas em busca do fim desejado.

UM  HOMEM CUJOS MÉTODOS PERMANECEM ATUAIS

Após esta reflexão, chegamos então à nossa grande pergunta: permanecem ainda atuais os métodos empregados por Jesus? A resposta é positiva. À medida que a pedagogia avança, novos conceitos são incorporados e outros vão sendo aperfeiçoados. Não se discute, por exemplo, a importância da tecnologia para a educação. Entre o antigo flanelógrafo e um moderno sistema multimídia a distância é muito grande e ninguém, em sã consciência, abre mão do último recurso, se estiver disponível.

Todavia, se nos dermos ao gratificante trabalho de comparar conceitualmente os recursos da pedagogia moderna com os métodos empregados por Cristo, numa época em que as limitações físicas eram enormes e o sistema educacional não dispunha das mesmas facilidades de hoje, temos de convir que o Mestre sempre esteve na vanguarda. Não só o seu ensino continua atual – e jamais deixará de sê-lo – mas os seus métodos se constituem em excelente modelo para a nossa prática pedagógica.

Quando estudamos as várias correntes da pedagogia, descobrimos conflitos entre uma e outra escola. Mas há também nelas verdades que se complementam. Se cotejarmos essas verdades à luz dos métodos de Cristo, veremos por fim que o Senhor, para o nosso exemplo, “ousou” antecipá-las na realização do seu ministério pedagógico.

CONCLUSÃO

A conclusão se dá, portanto, em duas vertentes. Na primeira, somos levados a crer que temos muito a aprender com o modelo pedagógico de Cristo. Sem desconsiderar o que os especialistas de hoje nos apontam como tendências da educação, no seu aspecto positivo, nunca devemos abrir mão de compreender que o Senhor continua sendo o nosso modelo de melhor educador.

Na segunda, temos também de aceitar que se Jesus vivesse fisicamente entre os homens nos dias atuais, não se furtaria em estar na vanguarda da educação com o propósito de levar os seus ouvintes modernos a compreenderem cabalmente o seu ensino. Repita-se: Ele é o nosso exemplo, somos seus imitadores, exerçamos o paidon em toda a sua plenitude.


Post Script:

Resumo de palestra ministrada em diferentes conferências e congressos na área da Educação Cristã.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Eu e os meus defeitos. Quer conhecê-los?

"Viver pela graça significa reconhecer toda a minha história de vida,
o lado da luz e da escuridão. Ao admitir o meu lado escuro,
 eu aprendo quem eu sou e o que a graça de Deus signfica", Brennan Manning

Há algum tempo, não sei precisar os anos, um jovem conversava comigo e manifestou um desejo que, até certo ponto, me surpreendeu. Disse-me então que gostaria de passar pelo menos 24 horas comigo para me conhecer mais de perto. Minha resposta saiu com bastante naturalidade. Afirmei-lhe que ele não ganharia muita coisa, senão perceber que eu era uma pessoa de carne e osso, com virtudes, mas também cheia de defeitos. Sempre que o encontro, ainda hoje, lembro-me desse dia. Sua pergunta era apenas um verniz para um conceito que as pessoas constroem acerca de quem exerce algum tipo de liderança: o da perfeição quase beirando à infalibilidade. Mas de lá para cá não mudei nada. Continuo a ter virtudes, mas os defeitos permanecem.

Como qualquer outro cristão, lido com todas as ambiguidades inerentes à natureza humana. Aprendi muito cedo a lidar com o orgulho, mas vez ou outra ele põe as unhas de fora, tenho momentos em que a ira quer assumir o controle de minhas ações e em outras horas vivo a agonia da incerteza, das frustrações, das decepções, e acabo também sendo um agente de incerteza, frustrações e decepções para outras pessoas. Lembro-me das diferentes ocasiões em que fui precipitado e das vezes em que deixei passar tanto o tempo que perdi a "grande" oportunidade da vida.

Se você tinha outras expectativas a meu respeito, faço questão de descontruí-las. Já passei da idade de viver de fachada, embora sempre tenha procurado expor a minha vida do avesso. Não sou nem a primeira, nem a do meio e nem a "última coca-cola do deserto". Sou um errante maltrapilho que tateia neste mundo conturbado diante do pecado que tão de perto nos rodeia. Já errei bastante querendo acertar. Já sofri sérias consequências pela teimosia em fazer escolhas, que, depois, vi serem erradas. Já me vi profundamente envergonhado por não conseguir cumprir compromissos em virtude de minhas limitações. Já me senti em completo desânimo sobre que direção seguir. Enfim, sou necessariamente humano!

Mas aprendi algumas lições. Descobri, por exemplo, que Deus é especialista em pôr as coisas em seus devidos lugares, mesmo quando tudo pareça sem qualquer controle. Aprendi tambem que não adianta usar a carne para tentar dominar a carne. É uma luta inglória, um esforço vão, pois ambas são da mesma natureza. A carne jamais se subjugará à carne. Em outras palavras, só o Espírito pode dominá-la e só teremos como vencê-la em nossa luta diária contra o pecado, se andarmos em Espírito e deixar que ele se esforce em nosso lugar e em nosso favor.

Mas a grande descoberta é que, mesmo miserável (não foi esse o sentimento de Paulo?), maltrapilho, errante, sujeito aos sentimentos mais primitivos, quando me sinto injustiçado, ainda assim, tenho um espinho extremamente desconfortável na carne, pelo qual não adianta orar, a me lembrar todas as horas que a graça de Deus me é suficiente, plena, doce e surpreendente no mais tenebroso dos dias.

Bendita graça que me vence e me tira do pó para manter-me assentado nas regiões celestiais em Cristo Jesus... porque sou necessariamente humano!