quinta-feira, 1 de outubro de 2015

CGADB quer mudar processo de eleição


Um amigo de São Paulo, com acesso à liderança da CGADB, fez contato comigo segunda-feira à noite para adiantar que a Mesa Diretora, em reunião a ser realizada nos dias 29 e 30 de setembro, portanto ontem e anteontem, discutiria e aprovaria algumas propostas de repercussão no âmbito administrativo-eleitoral para vigir nos próximos anos. Não chegou a ser novidade a informação, porque desde 1977, quando fui ordenado a pastor e tornei-me filiado a ela, sob o número 3866, o que mais assisti em suas AGOs foram discussões e mais discussões sempre sob essa ótica. O único "hiato" para um projeto de grande porte em benefício da igreja foi quando se aprovou o projeto da Década da Colheita.

Segundo a informação, seria marcada uma AGE - Assembleia Geral Extraordinária, com realização prevista para 25 a 27 de janeiro do próximo ano, nas instalações do novo templo da AD do Belenzinho, em São Paulo, onde, entre outros pontos, estaria em discussão uma nova reforma do Estatuto da CGADB, propondo mudanças radicais no processo de eleição da nova Mesa Diretora. Convém lembrar antes que não faz mais do que três anos da realização de uma AGE em Maceió, AL, com mudanças no Estatuto, cujos efeitos, até onde sei, continuam sub-júdice. Se aprovadas as mudanças estatutárias, as eleições passariam a ser realizadas nas sedes das respectivas convenções estaduais pelo sistema eletrônico e o voto de cada eleitor seria em chapa completa ao invés de candidaturas individuais. Até lá todos os filiados teriam de se submeter ao registro biométrico, que seria o meio não só de identificar o eleitor na hora do voto, mas também de acesso aos plenários convencionais.

Caso se confirme a proposta, há pontos positivos e negativos a serem considerados. Comecemos pelos positivos, que podem ser resumidos da seguinte forma: 1) a ampliação da base de eleitores, pois a imensa maioria dos filiados não tem como se deslocar para as AGOs quadrienais, quando as eleições se realizam, em virtude do elevado custo de translado; 2) milhares de pastores que nunca votaram teriam, agora, a oportunidade de exercer o seu legítimo direito ao voto na própria sede de sua convenção estadual, e 3) sendo por chapa, o peso da campanha se reduziria ao cabeça - o candidato a presidente - que teria de percorrer o Brasil para levar a sua mensagem e a de seus companheiros.

Os pontos negativos, a meu ver, seriam: 1) o elevado custo para se montar uma estrutura eleitoral desse porte em todo o país, com a contratação do sistema através de empresa privada, já que o TSE não mais se dispõe a fornecer as urnas eletrônicas; 2) a garantia de lisura, com urnas particulares, haja vista o que ocorreu na AGO do Anhembi, em São Paulo; 3) o modo como será feita a totalização nacional dos votos, se através da internet ou de outro sistema, já que é notório e sabido que há suspeitas sobre o envio eletrônico dos votos - basta pesquisar no Google; 4) a impossibilidade de candidaturas avulsas, retirando a possibilidade de lançamento de candidatos alternativos, e 5) o elevado custo para os concorrentes, que terão de percorrer todo o Brasil em campanha, além de ter de montar equipes em cada convenção para o acompanhamento do processo eleitoral.

Outro ponto interessante a ser observado é como votarão aqueles ministros filiados a convenções que não estão baseadas em seu estado de residência. Não é novidade para ninguém que várias delas têm coordenadorias em todos os estados do Brasil. Teriam de viajar até a base de sua convenção? Votariam em urnas separadas nas convenções de seu Estado? E nos casos de estados em que há mais de uma convenção? Elas se uniriam para que a eleição fosse em apenas um só lugar ou cada uma teria estrutura própria de votação para os seus filiados? Ou seja, a decisão é mais complexa do que se imagina e tem uma só finalidade: eleição. Esta simples palavra diz tudo.

A se confirmar o que me foi informado, sugiro aos pastores que façam as suas economias para participar da AGE em São Paulo e darem a sua contribuição a mais essa reforma estatutária. As minhas já estão nesta postagem, pois certamente não participarei de mais este ato.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

A vinda de Jesus e o fenômeno da "lua de sangue"


Passou-se o fenômeno da "lua de sangue" e as profecias alarmantes não se concretizaram. Previu-se que o mundo acabaria em setembro, mas pelo menos até agora a roda continua a girar. Aguardemos até meia-noite. Ainda faltam algumas horas. A verdade é que a falta de conhecimento bíblico, aliada à ausência de bom senso, produz tais mensagens alarmistas e catastróficas que nada têm a ver com o verdadeiro ensino bíblico sobre a vinda de Jesus. Mas parece que o povo gosta de viver debaixo dessa opressão.

Em primeiro lugar, temos de entender que os sinais previstos na Bíblia - antes que venha o terrível dia do Senhor - são de natureza cataclísmica, catastrófica, que ocorrem sem qualquer previsibilidade, diferente dos fenômenos naturais, como a "lua de sangue", que só voltará a ocorrer em 2033, quando eu, se ainda estiver por aqui, completarei 79 anos. Ou seja, desde o início da existência do Universo esses fenômenos se repetem e, hoje, são previstos com precisão pelos cientistas. Os sinais bíblicos são de outra natureza. Eles ocorrem de forma abrupta, imprevista, como aconteceu em Teresópolis, em janeiro de 2011, ocasião em que, sem exagero, experimentamos um fenômeno diluviano.

Em segundo lugar, na esteira de tais alarmismos surgem as especulações escatológicas e as teorias conspiratórias, como as que antecederam o ano 2000. Houve até quem ensinasse que Lula seria o Anticristo. O disseminador da teoria baseou-se na visão dos quatro animais dada por Deus a Daniel, representando a sequência dos quatro impérios mundiais - babilônico, medo-persa, grego e romano, simbolizados, nessa ordem, pelo Leão, Urso, Leopardo e Animal Grande e Terrível. Que fez o professor? Construiu um acróstico, em português, com a primeira letra do nome de cada animal, que deu o seguinte resultado: Lula! Experimente você mesmo e veja. Ora, se fosse para ser dessa forma, o acróstico tinha de ser construído com as primeiras letras dos nomes em hebraico! Em inglês, por exemplo, o segundo nome já não permitiria tal conclusão: urso é bear!

Em terceiro lugar, embora haja sinais na Escritura acerca do fim dos tempos, a vinda de Jesus será surpreendente, numa hora em que não pensamos, sem que possa haver a "espera" de um tempo predeterminado. Isto implica numa santa expectativa, que nos impõe estar preparados em todo tempo. As malas precisam estar sempre prontas. Muitas datas foram já marcadas - algumas de repercussão mundial - e só trouxeram frustração, desânimo e perda da esperança. Aqui mesmo no Brasil houve vários casos pontuais que resultaram em consequências amargas!

Em quarto e último lugar, para os que têm esperança a vinda de Jesus não é instrumento de opressão, medo, angústia e pavor. Em suas semanas finais antes da cruz, Jesus diz aos discípulos que não fiquem turbados, tristes, frustrados para então introduzir a solene declaração: "Virei outra vez e vos levarei para mim mesmo". Que alegria! À igreja de Tessalônica em que os crentes pareciam estar preocupados se voltariam a ver os entes queridos que tinham partido, Paulo os instrui sobre a bem-aventurada esperança como motivo de regozijo e conforto. Segundo o apóstolo, fomos destinados para a plena salvação em Cristo Jesus.

Portanto, não espere a próxima "lua de sangue" em 2033 para preparar-se. Esteja pronto hoje, com as malas arrumadas, esperando Jesus. Esse é o verdadeiro proceder do crente!

sábado, 19 de setembro de 2015

Belenzinho entra no Tocantins

Tomei conhecimento através do portal JM Notícias, do Tocantins, que o Ministério do Belenzinho, SP, estaria estendendo as suas estacas àquele Estado por intermédio da Assembleia de Deus em Limeira, no estado paulista, com um audacioso projeto de implantar igrejas em todas as cidades tocantinenses. Parece de início uma iniciativa a ser aplaudida, pois quem não deseja a expansão do Reino de Deus "até os confins da terra"? Usando uma expressão corrente em certo círculo neopentecostal, seria algo "para glorificar de pé, igreja"! Mas o que poderia estar por trás da proposta?

Sem maiores delongas, lembro-me de 1989, quando, em Assembleia Geral Extraordinária da CGADB realizada em Salvador, BA, por pressão da liderança do norte e do nordeste,  entre eles Samuel Câmara, aliada ao presidente José Wellington Bezerra da Costa, votou-se a suspensão do Ministério de Madureira até que se retirasse dessas regiões, no que comumente se designou como "invasão eclesiástica", e também o Ministério concordasse em retirar de seu Estatuto a natureza nacional de sua convenção. Houve apenas oito votos contrários. Eu estava entre eles, ao lado de homens do naipe de José Pimentel de Carvalho. Ao me questionarem, simplesmente aleguei: "Hoje, com essa decisão, estamos retirando Madureira. Amanhã outra Madureira surgirá em nosso meio. O que precisamos é de reforma em nosso modelo eclesiástico, se a liderança tiver coragem para isso".

Creio não ser necessário acrescentar mais nada. A nova "Madureira" está aí para quem quiser ver e a tendência é expandir-se cada vez mais, dependendo dos rumos da eleição na CGADB em 2017. Não nos esqueçamos, fora isso, que aquela resolução e outras parecidas tratando de "invasão eclesiástica" nada adiantaram, pois o que temos são extensões de diferentes convenções estaduais do sudeste em todos os estados do Brasil. Só no Rio de Janeiro, além de nossas quatro convenções estaduais, há núcleos de outras coirmãs de estados bem próximos. E ninguém fala mais no assunto.

Tudo isso decorre do hibridismo do nosso sistema eclesiástico, que permite a construção de grandes impérios, onde, nas pirâmides, estão pastores afortunados, enquanto na base se encontram aqueles que andam de bicicleta, mal assalariados, como bem expressou o pastor Claudionor de Andrade em sua plenária na Conferência de Escola Dominical realizada em João Pessoa, PB. Na verdade, não estamos construindo o Reino de Deus, mas construindo o nosso reino.

Como diria Ibrahim Sued, o resto é silêncio.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Que atire a primeira pedra

Crédito: Célio Nunes
Um dos versículos mais usados contra aqueles que combatem as heresias e outros tipos de erros no meio cristão é o de João 8.7: "Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra nela". Parece que basta citá-lo de forma isolada para impedir que se faça qualquer exposição sobre as atitudes contrárias aos princípios bíblicos praticadas por pessoas que fazem de tudo para acobertar os seus atos pecaminosos. Como mencionei em meu perfil no Facebook, é "uma anomalia desesperadora", que chega a ser um anacronismo hermenêutico, visto que despreza todo o contexto na interpretação.

Como também afirmei na mesma postagem, "uma 'regrinha' básica de interpretação diz que para se aplicar um texto aos dias de hoje ou a uma situação contemporânea, necessita-se primeiro saber em que contexto foi dito ou escrito, bem como o significado pretendido pelo autor. Portanto, antes de disparar versículos isolados, que tal olharmos primeiro o que eles significam à luz do contexto em que estão incorporados?". É à luz disso que gostaria de analisar em poucas palavras o tão propalado versículo abusivamente citado na hora em que alguém é confrontado em alguma falta.

Em primeiro lugar, os doutores da lei - escribas e fariseus - tinham a intenção de pegar Jesus em uma armadilha, qual seja a de descumprir a legislação mosaica, para poderem, então, acusá-lo de traição à fé judaica. Portanto, ao se dirigir daquela forma aos acusadores da mulher apanhada em adultério, essa era a perspectiva que o Mestre tinha em mente: a intenção maléfica engendrada pelos ditos representantes da lei.

Em segundo lugar, faltou, no episódio, a presença da outra parte, que, pelo sistema legal, deveria sofrer a mesma punição: o apedrejamento. Em outras palavras, não estava havendo imparcialidade na acusação. Por quê? Estaria ele sendo "protegido" pelos doutores da lei? Teria escapado? O que estaria por trás dessa ausência? Seria ele um dos membros do grupo de escribas e fariseus? São conjecturas. O certo é que, como parte, não foi trazido juntamente com a mulher acusada. 

Em terceiro lugar, quando Jesus sugeriu que quem estivesse sem pecado atirasse pedra na mulher não quer dizer que ele concordasse com o pecado dela, mas tal sugestão nos leva, pelo menos, a duas conclusões: a) como judeu, cumpriu a exigência da lei ao propor que fossem adiante. Ou seja, desvencilhou-se de imediato da armadilha farisaica. Mas não deixou de ser justo, quando os pôs no mesmo barco da pecadora: "Aquele que de entre vós está sem pecado", e b) ao mesmo tempo, expôs os propósitos maus dos doutores da lei, que certamente estariam incorrendo nas mesmas praticas que condenavam, mas se "protegiam" uns aos outros mediante o "poder" que dispunham. 

Em quarto lugar, ao despedir a mulher, já que os escribas e fariseus não estavam em condições morais para cumprir o preceito legal, Jesus deixou claro o que pensava, disposto a atraí-la ao Reino com a sua bendita graça. Ele não afirmou: "Siga em frente e viva a sua vida" ou "Vá e se divirta à vontade", mas vaticinou de forma explícita: "Vai-te, e não peques mais". É óbvio que encontrou arrependimento naquele coração humilhado e despedaçado diante dos representantes da religião. 

Em quinto e último lugar, eu diria que o texto seria melhor aplicado àqueles que escurraçam as ovelhas, quando elas pecam; àqueles que, como tiranos, não restauram as suas feridas, não as fortalecem, mas preferem esmigalhá-las sob os pés; àqueles que, pelo "poder" que têm, protegem-se uns aos outros de seus pecados e vivem em rasgada hipocrisia diante da religião professante. É a esses que o texto deve ser endereçado, que não têm escrúpulos até em matar as ovelhas, mas querem misericórdia, quando são apanhados nas mesmas faltas.

É simplesmente isso.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Devem as igrejas pagar impostos ao Estado?




Comentei em meu perfil no Facebook sobre a minha posição favorável a que as igrejas paguem impostos, na forma da lei, por entender que isso ajudaria a tornar mais transparentes as suas contas e por compreender que a elas não cabem quaisquer benesses concedidas pelo Estado. É óbvio que o tema é polêmico. Há quem concorde. Há quem discorde. Bem, aqui vão as principais razões, por partes, pelas quais entendo que esse privilégio deveria ser revisto.

1) Impostos existem desde tempos imemoriais e, sejamos sinceros, nenhum de nós gosta de pagá-los. É algo que fazemos com certa contrariedade, principalmente quando se trata de cobranças escorchantes. Mas são eles que dão ao Estado condições de assistir aos contribuintes naquilo que lhe compete. Ou seja, a discussão não busca avaliar se são ou não mal aplicados, mas parte do princípio que eles são indispensáveis para o funcionamento da máquina pública. Se isto não vem sendo feito a contento é outra história. Cabe a nós, eleitores, melhorarmos a qualidade do nosso voto. Portanto, acho que esse não é um bom argumento para justificar a isenção tributária das igrejas.

2) Mas voltando apenas aos tempos do Novo Testamento, vemos a menção ao tributo, quando os fariseus usam-no como isca para tentar apanhar Jesus numa armadilha. O Mestre soube sair do "laço" de forma sábia, como não poderia deixar de ser, sem deixar de reconhecer que, se a moeda circulante pertencia ao Império Romano, a ele caberia receber os impostos devidos, Mateus 22.17-22. Ele mesmo, certa vez, cumpriu de forma miraculosa essa obrigação: pagou os seus impostos, Mateus 17.24-27. Mais tarde, já no período dos primeiros dias da igreja, Paulo não só reconhece a instituição divina da autoridade, como também se reporta ao dever cívico de pagar tributos em ambiente onde os cristãos eram perseguidos pelo poder dominante, Romanos 13.1-7. Em outras palavras, o pagamento de impostos ao Estado é chancelado pela Escritura.

3) Certamente, dirá alguém: "Naquela época não havia templos cristãos de modo que não houve nenhum ensinamento bíblico a respeito". É verdade. Mas também não convém esquecer que os templos entraram na história do Cristianismo com a constantinização da igreja, nos idos dos anos 300 DC. Antes, os que professavam a Cristo reuniam-se em casas, catacumbas, às escondidas, sem nenhuma benesse do Estado. Não podemos deixar de ressaltar que no ambiente neotestamentário o templo perde a sacralidade que tinha no Antigo Testamento. Tanto Jesus corrobora a tese (João 4.20-24) como Estevão sofre o martírio por tocar em vários pontos nevrálgicos para os judeus, entre eles a sacralidade do templo em Jerusalém, Atos 7.44-50. Pois é aqui que reside o problema.

4) Ora, com o advento do Cristianismo como religião oficial do Império Romano, a partir da conquista do trono imperial por Constantino, a igreja passa a desfrutar de privilégios, como a isenção de impostos, o pagamento de seus clérigos pelo Estado, a ascensão de muitos cristãos a cargos de destaque na estrutura de governo, além da incorporação dos templos para os cultos, alguns deles "sequestrados" dos cultos pagãos por ordem do Estado, algo que não ocorria até então. A história é pródiga em mostrar que essa aliança só foi ruim para a igreja. Não preciso descer aos pormenores. Vale dizer apenas que todas essas "vantagens" tiveram cunho político, como algumas, hoje, só têm cunho eleitoreiro.

5) Infelizmente, continuamos com o mesmo modelo. Gostamos de construir templos imponentes, suntuosas catedrais, onde gastam-se rios de dinheiro, com a mesma aura de sacralidade repudiada no Novo Testamento. Na continuidade, pelas vias da informalidade, vê-se cada vez mais essa aliança entre a igreja e o Estado praticada em todos os níveis de governo sempre em busca de privilégios sob os mais diferentes argumentos, como, por exemplo: "O que estamos fazendo é pela causa", quando, aqui entre nós, a causa passa longe desses acordos, onde prevalecem vantagens com fins nada recomendáveis.

6) Diante do exposto, conforme a máxima de Jesus: "Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus", é preciso rever a nossa caminhada. levando em conta o lema da Reforma: "Uma igreja reformada sempre se reformando". A igreja deve caminhar em seu próprio leito e o Estado no seu, sem misturar as sintonias. O entrelaçamento de ambos só produz mal ao Cristianismo, como revela a História. Com isso, a igreja perde um de seus relevantes papéis: a capacidade de ser voz profética pelo comprometimento com alianças espúrias.

7) Contra o pagamento de tributos pelas igrejas, alega-se, ainda, que seria uma espécie de bitributação, visto que os seus membros já pagam impostos sobre os seus proventos. Não seria justo, portanto, as igrejas pagarem "uma segunda vez" sobre as contribuições recebidas. Mas isso não é bitributação, pois na origem não está o mesmo fator gerador. Considero inconsistente o argumento. Assim como contribuímos para a igreja, também contribuímos para outras organizações ou pagamos mensalidades e anuidades para diferentes associações, as quais, também, pagam os seus impostos, na forma da lei. Estaria, nesses casos, igualmente, havendo bitributação? De forma alguma! Pagamos como pessoa física. As entidades pagam como pessoa jurídica.

8) Assim sendo, concluo afirmando que, por simetria aos textos bíblicos já aludidos e aos exemplos já mencionados, as instituições de ofício religioso deveriam ser tributadas, levando-se em conta, por óbvio, todas as nuances que possam tornar a carga tributária justa, como, por exemplo, a isenção sobre recursos próprios que tiverem sido empregados no âmbito social e educacional. Igreja é Igreja. Estado é Estado. Quanto mais estiverem distantes um do outro, cada um cumprindo o seu papel, melhor.

sábado, 25 de abril de 2015

CGADB encerra AGO antes do previsto

Credito: Ricardo Costa - JM Notícias
Um dia antes do previsto - na programação estava marcado para o dia 24 - encerrou-se ontem à noite à 42ª Assembleia Geral Ordinária, no Centro de Convenções do Ceará, com culto onde pregou o pastor Genival Bento, de Maceió, AL. A rigor, os trabalhos convencionais ocuparam apenas dois dias - quarta e quinta - já que terça-feira só houve o culto de abertura à noite.

O dia de ontem praticamente girou ao redor da aprovação do Código de Ética e Disciplina, embora tenha sido rejeitado o pedido de filiação à CGADB de uma nova convenção de Pernambuco, formada de pastores desligados da COMADALPE, enquanto no dia anterior foi recebida a COMADELESTE, outra convenção organizada no Estado de Minas Gerais.

As discussões sobre o Código de Ética e Disciplina transcorreram dentro da normalidade, com destaque para o pastor Cláudio Dias, que conseguiu evitar a aprovação de pontos controversos, e o pastor Jônatas Câmara, que todas as vezes em que ocupou o microfone bateu na tecla que as regras deveriam ser aplicadas não só aos convencionais em geral, mas aos membros da Mesa Diretora e demais órgãos da CGADB. Tão logo disponha de cópia do projeto aprovado farei uma análise no blog.

Enquanto durou a AGO, vigiu a liminar que garantiu a entrada do pastor Samuel Câmara nas sessões plenárias, preferindo, todavia, não participar dos debates. A nota triste, para os familiares, amigos e irmãos que ficam, foi a morte do pastor Edson Guimarães, pertencente à COMIEADEPA, no Pará, presidida pelo pastor Gilberto Marques, que sofreu um acidente vascular cerebral ainda no hotel, na manhã de quarta-feira.

Corrigindo uma informação do post anterior, o relatório financeiro da CGADB foi aprovado por três dos cinco membros do Conselho Fiscal. Votaram contra os pastores Geovani Neres e Jediel Lima. Noutro post, mais adiante, manifestarei minhas posições a respeito, com informações mais pormenorizadas.

E assim se foi a 42ª AGO da CGADB. Como será 2017, com uma candidatura extemporânea já ganhando as ruas?

quarta-feira, 22 de abril de 2015

CGADB: o outro lado das plenárias de hoje

Crédito: https://www.facebook.com/cgadb
Embora mais de três mil ministros se inscreveram para participar da 42ª Assembleia Geral Ordinária da CGADB, informações extraoficiais dão conta que pouco mais de 1500 ministros compareceram ao evento, que teve o culto de abertura ontem à noite e o início das sessões plenárias na manhã desta terça-feira. É menos da metade do número esperado, o que nos permitirá, mais tarde, fazer uma leitura crítica dos motivos para esse baixo comparecimento, visto que a CGADB conta com mais de 70 mil ministros filiados.

Hoje, com expressiva maioria, foi aprovado o relatório financeiro da CGADB: 1271 votos favoráveis e 282 contrários, lembrando, apenas, que a maioria dos inscritos é do Belenzinho, que certamenta votaram a favor, acompanhados de outros inscritos em menor número de outras convenções. Vale ressaltar, todavia, que o processo não foi tão simples, como poderá parecer à primeira vista, quando for publicada qualquer reportagem oficial.

Mais uma vez o Estatuto teria sido atropelado. Caberia ao 1° tesoureiro, Ivan Bastos, fazer a leitura, mas o presidente o teria impedido, cortando-lhe inclusive o som e determinando ao contador da entidade que apresentasse o relatório. Outro detalhe é que o parecer do Conselho Fiscal pela regularidade do balanço não teria sido aprovado pela maioria de seus membros, ou seja, teria sido rejeitado, mas mesmo nestas condições o presidente da CGADB insistiu em submetê-lo ao plenário para a votação.

O pastor Samuel Câmara, por sua vez, integrado à CGADB por força de sentença prolatada em Primeira Instância já há algum tempo, teria tido o seu pedido de inscrição para participar da AGO negado. Mas uma liminar, que continua a vigir, garantiu-llhe o direito de participar das sessões plenárias. Esse, em síntese, teria sido o dia de hoje. Veremos o dia de amanhã.

terça-feira, 21 de abril de 2015

O que os pastores da CGADB farão em Fortaleza

Centro de Eventos do Ceará
A cidade de Fortaleza, CE, hospedará mais uma vez a Assembleia Geral da CGADB. Serão quatro dias dedicados aos mais variados assuntos, previstos no temário, com ênfase para a evangelização e o discipulado. Cerca de três mil pastores de todo o Brasil terão a oportunidade ímpar não só de avaliar o desempenho da AD nos últimos anos, como também buscar caminhos que a reconduzam aos mesmos patamares dos padrões primitivos de crescimento [...].

Espera-se, portanto, que esta seja a tônica dos debates, pois não é mais possível postergar um problema que se institucionaliza e pode lançar a AD no Brasil na mesma vala comum da religiosidade histórica. Isto é, um passado rico de espiritualidade, um presente de ostentação, mas uma prática hodierna sem vida, mergulhada na frieza do formalismo eclesiástico. Que a AD no Brasil não cresce, hoje, com a mesma desenvoltura da década de 50 foi, inclusive, um dos pontos da mensagem do pastor Phillip Hogan, no culto de abertura do 1° Congresso Mundial das Assembleias de Deus, realizado na Coréia [...].

Em primeiro lugar, há que se ir ao âmago da questão. Não é hora para sutilezas, superficialidades ou paliativos. É preciso ir às causas, removê-las e mudar o eixo da postura da igreja para a sua verdadeira base.

Em segundo lugar, há que se ter transparência para reconhecer o que está errado e aceitar, com humildade, as correções de rumo que forem indispensáveis. Não adianta varrer para debaixo do tapete as possíveis mazelas que obstruem a caminhada da igreja. Isto só faz tornar mais grave o problema e adiar soluções que, se adotadas agora, tornariam promissor o amanhã.

Em terceiro lugar, o peso maior cabe à liderança, a quem Deus constituiu para conduzir os rumos da AD no país. Não custa nada acrescentar que a institucionalização da igreja continua consumindo grande parte do tempo dos pastores em assuntos administrativos, articulações "diplomáticas" e outras atividades paralelas, em detrimento das causas maiores: a evangelização, o discipulado, o retorno ao altar, a vida de inteira consagração a Deus. As assembleias gerais acabam sendo, neste caso, um escoadouro dessas tensões, que passam a ocupar todo o espaço convencional. Os temas permanentes e produtivos ficam para outra ocasião...

Em quarto lugar, é preciso ouvir as vozes proféticas que se levantam, aqui e acolá, clamando pelo retorno da igreja aos padrões apostólicos. Gritos angustiantes de alerta têm sido ouvidos por toda parte, advertindo contra certos caminhos tomados, que, com certeza, levarão ao fracasso total, não havendo correção de rota.

Fortaleza poderá significar, portanto, a abertura dos celeiros de Deus sobre a AD no Brasil, desde que seja essa a perspectiva de todos os convencionais. Aí, sim, o tempo gasto nas sessões plenárias não será em vão, pois terá como prioridade as causas que farão a igreja tomar novo impulso e viver uma nova fase de vitórias em sua trajetória.

***
Com a omissão de apenas dois parágrafos, que não retiram a lógica do texto, esse é o editorial do Mensageiro da Paz N° 1293, do mês de dezembro de 1994, escrito e assinado por mim, às vésperas da AGO da CGADB que se realizaria em janeiro de 1995, na cidade de Salvador, BA. Para os dois objetivos que tenho em mente, mudei apenas o nome da cidade para Fortaleza e o número de dias previstos para a AGO. Lá foi de sete dias; na capital cearense será de apenas quatro dias.

Quis mostrar, em primeiro lugar, que os meus escritos atuais sobre a CGADB são coerentes com o que já escrevia naquela época. A diferença é que hoje desfruto de independência do sistema e posso usar de mais clareza quando exponho as minhas posições. Mas o eixo não mudou. A minha voz sempre ecoava, quando entendia que os rumos não eram aqueles. Naquela época já alertava para os graves problemas enfrentados pela CGADB.

O meu segundo objetivo é deixar claro para os pastores mais recentes que, embora fosse à época Diretor de Publicações da CPAD e responsável por escrever e assinar os editoriais do Mensageiro da Paz, jamais fui de me omitir em expressar a realidade que vivíamos, mesmo que não pudesse usar cores vívidas para trazer mais transparência. Mas se você leu o editorial, deve ter percebido alusões bastante sinalizadoras, como esta, por exemplo: "Não adianta varrer para debaixo do tapete as possíveis mazelas que obstruem a caminhada da igreja".

Infelizmente, de lá para cá as coisas só fizeram piorar. Não creio também que Fortaleza trará qualquer resgate à história assembleiana.