domingo, 16 de dezembro de 2012

Massacre em Newtown: genética ou maldade?

A atitude de devoção só tem uma origem: Deus
Ainda sobre o massacre em Newtown, ao qual me reportei na postagem anterior, passei as últimas 36 horas procurando entender alguns paradoxos que me vieram à mente em virtude das mais diferentes reações das pessoas ao bárbaro episódio. É óbvio que minha reflexão teve por base o tal naturalismo científico predominante nos meios acadêmicos, que, em suma,  como já mencionado anteriormente, pressupõe a existência da vida como resultado de leis e acaso, matéria produzindo matéria, sem a interferência de qualquer projeto inteligente.

Entre os pontos que se sobressaem na teoria está aquele em que os genes seriam responsáveis pelo nosso comportamento, o que equivaleria a uma espécie de determinismo do qual as pessoas não poderiam fugir por terem sido "programadas" geneticamente para a prática dessa ou daquela ação. Dito assim, o suposto psicopata de Newtown só fez dar asas à sua estrutura genética, por mais que, agora, os pseudocientistas reajam, apresentando algum sentido mascarado de moralidade, embora o naturalismo científico não deixe espaço para qualquer tipo de moralidade. É aí que entram os paradoxos.

A minha sensibilidade, por exemplo, ficou extremamente tocada quando ouvi de professores que agiram para proteger outros alunos da sanha assassina, enquanto, ao mesmo tempo, pela TV, eu assistia pais, em desespero, à procura de notícias de seus filhos. A vigília de sábado à noite, dia 15, em memória de uma professora que morreu para salvar outras crianças, mostrou familiares, amigos e outras pessoas em lágrimas, chocadas, tamanha foi a tragédia. Até Barack Obama chorou ao fazer o seu pronunciamento ao país. Pergunto: teria sido esse comportamento resultado de genes mais fracos, incapazes de lidar com o processo de seleção natural, reagindo de forma infrutífera a um fato determinista da genética?

Por outro lado, no Brasil, sem cair no terreno da generalização, vi muito poucas manifestações de solidariedade. Tive a impressão que a nossa sensibilidade está de tal forma petrificada que a dor alheia já não nos importa, sobretudo se for de uma nação que muitos hostilizam, como é o caso dos EUA. Salvo engano, nem mesmo a presidente Dilma Rousseff teria enviado ao presidente americano qualquer mensagem de condolências. Pelo menos não vi a imprensa registrar o fato. 

Em compensação, o meu amigo Antonio Carlos Costa, responsável pela Ong Rio de Paz, sofreu um massacre através de comentários no G1 e no Globo Online por ter sido solidário às famílias e ao povo americano enlutados. Pergunto outra vez: seriam os nossos genes mais evoluídos do que os genes dos americanos de maneira que já teríamos ultrapassado a etapa de sentimentos frívolos por alguma coisa que não seria nada mais, nada menos do que matéria?

Vejam, mediante esses paradoxos, quão frágil é a tese do naturalismo científico. Quando chega neste ponto, ela não tem como explicar-se. Todo o edifício evolutivo cai por terra. Pensar da forma como esses pseudocientistas pensam (afinal, são ou não seres pensantes?) é um desrespeito à personalidade de cada ser humano, provido de inteligência, sensibilidade, sentimentos e capacidade de agir e reagir de acordo com a razão. Isso nos leva mais uma vez ao projeto inteligente, que a Bíblia identifica logo no primeiro verso: Deus! Quando o "tiramos" de cena, as consequências são essas que vimos em Newtown e estamos acostumados a ver todos os dias com a imensa violência que toma conta do nosso país e a corrupção generalizada que se alastra em todas as instituições brasileiras!

Mas se somos fruto desse projeto inteligente que a Bíblia identifica como Deus, tal como em Gênesis 1.1: "No princípio criou Deus os céus e a terra", como se explicam eventos como o de Newtown e outros que vivenciamos todos os dias em nosso país? A resposta está no pecado, mediante a Queda, que contaminou a raça humana e fez o homem desviar-se dos propósitos perfeitos de Deus. Assim, nossa razão é sempre empanada pela maldade, que, em maior ou menor grau, pode levar a desatinos como este que foi cometido por Adam Lanza em Newtown.

Mas se somos apenas matéria produzida pela matéria, ao acaso, não há vislumbre de evolução alguma no campo moral e da nossa capacidade de resistir à "força genética" que nos empurra para o mal. Somos assim e dessa forma agiremos. Nunca a perfeição chegará por esse caminho. Por outro lado, nos dias seguintes pós-tragédia, logo os especialistas começam a falar em aperfeiçoar as leis, como, por exemplo, eliminar o acesso às armas e tantas outras possibilidades. Mas se a questão é "genética", de que adiantará? Não sou idiota de achar que não precisamos de legislação. Ela é necessária, mas não pode ser fruto apenas de questões sociais que se alevantam. O seu eixo há de ser, dia após dia, o direito natural que tem como origem última o próprio Deus. "Excluí-lo" jamais fará bem. Só mal.

Neste caso, então, qual é a saída? Só temos uma. A mais lógica. A que faz mais sentido. O próprio Deus cuidou de providenciá-la: "Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos. E, porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai. Assim que já não és mais servo, mas filho; e se és filho, és também herdeiro de Deus por Cristo", Gálatas 4.4-7.

Não poderia terminar este ensaio sem citar a primeira estrofe do clássico, que, em 1981, cantou Ozeias de Paula: "Se todos tivessem Jesus no coração que bom seria/ O mundo seria de paz, compreensão, de harmonia/ A guerra teria seu fim/ Não haveria lutas, irmão contra irmão/ Se todos tivessem Jesus no coração, no coração".

Ouça:

10 comentários:

Mario Sérgio disse...

Excelente reflexão, e uma mensagem musical que nos faz pensar sobre a importância de Cristo na vida dos seres humanos.

Joabe disse...

Pastor Geremias,

A Paz do SENHOR!

O programa Roda Viva entrevistou, salvo engano em 2010, a Psiquiatra Ana Beatriz Barbosa e falaram sobre Psicopatia.
Ela afirma que há comprovação cientifica sobre psicopatia ser genético.
E um colega católico, que viu a entrevista junto comigo, me perguntou se seria Deus que lhes fez dessa forma. Não soube responder satisfatoriamente. Falei sobre a natureza pecaminosa e um pouco da doutrina do pecado, porem fica a pergunta porque existem pessoas com índole mais perversa que o comum e sem o mínimo de empatia?

Caso haja interesse,e tempo, gostaria de sua opinião a respeito. O link é esse http://www.youtube.com/watch?v=gNd8CEnsVoU

Carlos Roberto Silva, Pr. disse...

Preclaro amigo e pastor Geremias Couto,

Excelente reflexão, a qual nos leva, na condição de Igreja, a grande necessidade e urgência de um evangelismo real e verdadeiro que produza transformações de vidas e a formação de discípulos de Cristo.
Quanto a música de Ozéias de Paula, ah... essa é outra história, afinal de contas, RECORDAR É VIVER!

Parabéns e obrigado por presentear a blogosfera cristã com textos dessa grandeza!

Seu conservo e admirador,

Pastor Geremias Couto disse...

Meu caro Mario Sérgio:

Obrigado por suas considerações. Como já lhe informei outras vezes, sempre visito o seu blog para descobrir "tesouros" da história que, geralmente, não são apresentados na história contada pelos vencedores. Apreciei muito a última sobre a "diaconisa", que expõe qual era o pensamento do nosso pioneiro Gunnar Vingren.

Abraços!

Pastor Geremias Couto disse...

Caro Joabe:

Creio que a melhor ilustração é a do computador. Embora ele tenha um hard, com todos os circuitos bem organizados para poder funcionar, se não for implantado um sistema operacional ou quaisquer outros aplicativos "inteligentes", será apenas uma máquina que não atenderá aos propósitos para os quais foi criada.

Mas há de se lembrar também que com todos os aplicativos em bom funcionamento, os vírus insistem em ultrapassar todos os "firewalls" e os programas instalados para combatê-los. Alguns deles não só danificam os aplicativos "inteligentes", mas até mesmo os circuitos (digamos que sejam os genes) do hard, tornando a máquina inoperante a não ser que se transplante nela outro hard.

Em outras palavras, no caso da Criação o vírus do pecado é o que causa todos esses transtornos na mente humana.

Abraços!

Pastor Geremias Couto disse...

Meu caro pastor e amigo Carlos Roberto:

Obrigado pelas considerações. Procurei da forma que melhor pude concatenar as ideias a razão dos males que nos atingem, lá nos EUA do modo como conhecemos, aqui pela violência e corrupção generalizadas. Para ao fim apresentar a solução definitiva que o nosso Ozéias tão bem cantou lá pelos idos em que eu, você e ele éramos apenas... mais jovens.

Abraços!

Roberto Alves disse...

vejam o meu blog sobre a CGADB.
Raio X CGADB. Muitas noticias sobre o Pr. Jose Wellington e Pr. Samuel Câmara

http://raioxcgadb.blogspot.com.br

HINOLOGIA disse...

Nem maldade, nem genética!

Sabe Pr quando leio noticias como esta, penso que o Deus que eu creio é suficiente para impedir tais ações mas, salvação somos levados dia a dia a pensar nos anúncios da volta de Cristo.
Paz e bem reverendo!

Murillo Vinagre disse...

Paz Pastor Geremias,

Venho por meio deste agradecer a existência de sua página em nossa blogosfera cristã, visto que, todas as vezes que acesso encontro noticias úteis e saudáveis à compartilhar.

Tenho um blog onde propago algumas noticias da atualidade e escrevo alguma coisa corriqueiramente, já adicionei o link desta página pois creio ser de grande utilidade aos demais usuários.

Certa feita fomos apresentados pelo amigo em comum, Pr. Carlos Roberto, salvo engano, em Piracicaba durante uma A.G.O da COMADESPE, sou muito novo ainda e gostaria que o senhor soubesse de minha estima e admiração por sua pessoa. Dentre muitas qualidades, aprecio vossa escrita narrativa.

No mais, desejo sucesso em todos os seguimentos.

Que Deus lhe abençoe constantemente, Paz do Senhor.

Pastor Geremias Couto disse...

Caro Murilo Vinagre:

É um prazer tê-lo por aqui!

Lembro-me bem de Piracicaba, quando fomos apresentados um outro pelo nosso amigo comum, pastor Carlos Roberto.

Lembro-me também da ocasião que estive pregando na igreja que o seu pai, pastor Edir Vinagre, pastoreia e outra vez nos encontramos.

Fico feliz com os seus comentários e percebo, também, que você tem talento. Siga em frente e conte com o meu apoio.

Abraços em Cristo