sábado, 28 de novembro de 2009

Os siliconados da fé*

(* O artigo abaixo é de autoria de meu filho, André Couto, pastor de uma congregação em Brasília, DF. Quando enviou-me para análise, achei-o excelente pela síntese, clareza e pelo tema tratado. E lhe prometi: "Vou publicar no meu blog". Aí está. Avalie e veja se eu estou sendo apenas um pai coruja ou se estou correto em minha percepção.)

Faz alguns dias que penso em escrever este texto, e a cada pensamento sobre o tema, um impulso me leva ao teclado do computador. "É melhor eu escrever logo, antes que me bata o sono e os meus dedos relaxem". Os cristãos autênticos sabem que a pregação da Palavra de Deus é o ápice do culto. Oramos, louvamos, ofertamos e elevamos ao máximo os nossos ouvidos para sermos alimentados espiritualmente pelo mantimento sólido, que é a Palavra do Deus vivo.

“Mas o mantimento sólido é para os perfeitos, os quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal”, (Hebreus 5.14). Do que você tem se alimentado? O autor de Hebreus faz referência aos “perfeitos”. Este termo nos remete para a maturidade em Cristo. Ou seja, os maduros se alimentam da verdadeira e genuína Palavra de Deus, e discernem o bem e o mal. Infelizmente, há muitos que fazem uso das Sagradas Escrituras, e quando pregam dão uma “forcinha” para Jesus: são os siliconados da fé. Parecem estar revestidos de um poder especial, de uma auréola, se apresentam como os detentores do poder de Deus, são vasos que não se esvaziam, e os seus seguidores são mui numerosos.

Os siliconados da fé sempre apresentam algo “novo”, acrescentam, diminuem, pregam com frequência no Antigo Testamento (nada contra o AT), mas em suas siliconadas mensagens nos revelam gigantes, guerras, batalhas, muralhas, indulgências, vitórias. Onde estará o grande gozo, ou a alegria que Tiago nos ensinou ao enfrentarmos as provações? Onde estará a sabedoria que nos é dada por Ele? O Cristo dos evangelhos é café pequeno para os siliconados da fé. Uma vida regada pelo amor Deus que nos ensina a amar o nosso próximo é secundária, ou banal. Mortificar a nossa carne é fantasioso. Os siliconados engessam a esperança que deveríamos ter em Jesus e nas suas riquezas eternas. “Derrote seus inimigos, vença os gigantes”, diria um siliconado a você. “Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”, disse Jesus a você, e a mim também.

"Viver a soberania de Deus é ser um crente bobo, sonso, ponha Deus contra a parede, peça-lhe, seja insistente, e você vai conseguir o que quiser", diria um siliconado. Temo que daqui a alguns anos, talvez décadas, séculos, se achem raríssimas mulheres que não sejam siliconadas. As que persistirem com a naturalidade do seu corpo serão perseguidas pela ditadura da moda. Assim também enxergo o nosso futuro. Raríssimos homens e mulheres de Deus, que pregarão o evangelho genuíno e autêntico de Cristo, e que sofrerão perseguição. A tendência é o aumento desenfreado dos siliconados da fé, e consequentemente a diminuição daqueles que de fato seguem a Cristo. É uma pena. Creio que estes poucos “naturais da fé” farão a diferença, como ainda fazem nos tempos de hoje. Vivamos Jesus, Ele é a nossa esperança, a nossa salvação!

Pastor André Couto


quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Tendências do denominacionalismo para o próximo milênio *

* (O ensaio que ora posto no blog foi escrito em 1998, portanto há 11 anos, e originalmente publicado na revista Obreiro, da CPAD, ano 20, número 5, em junho. Há alguns meses percebi que muito do que ocorre hoje no meio da igreja evangélica tive, com a graça de Deus, a oportunidade de prenunciar naquela época. Outros pontos merecem uma análise mais profunda. É preciso, também, levar em consideração o público ao qual se destinava. Fui atrás do texto e aqui ele está, por deferência do meu amigo César Moisés, que o buscou nos seus arquivos pessoais já que o "perdi" em meus "back ups". É um pouco longo, inadequado para um blog, mas incentivo-o a lê-lo até o fim para que possamos interagir nos comentários e tentar encontrar a "luz no fim do túnel". Mantive-o inalterado, inclusive na ortografia, bem como quanto ao perfil do autor, à época, no final do ensaio.)

A questão denominacional é um tema que precisa ser colocado em debate, neste final de século, tendo em vista o aumento considerável de denominações resultante do crescimento dos evangélicos nas últimas décadas. Há quem prefira fechar os olhos ante a realidade, sem discuti-la, enquanto outros optam pelo radicalismo unilateral e excludente, que privilegia uma única denominação como a depositária da verdade. Todavia, não importa a posição de cada um, a entrada do próximo milênio terá como uma de suas principais características, no meio religioso, a multiplicação acentuada de novas igrejas de matizes diversos e efeitos profundos na vida denominacional.

Antes, porém, de refletir sobre como estas transformações influenciarão os rumos da igreja evangélica nos próximos anos, convém analisar as causas que têm tornado cada vez mais ampla essa babel, termo aqui usado apenas para designar a complexidade da linguagem empregada em cada segmento cristão, que, vezes sem conta, contradita o que outros segmentos pensam e afirmam.

Causas

A causa mais simples, do ponto de vista crítico, é o crescimento vertiginoso dos evangélicos, que, segundo a Veja de 8 de abril, numa projeção bastante aquém da realidade, alcançou o percentual de 300% nos últimos 30 anos contra 68% de crescimento populacional. A popularidade da fé através do uso dos meios de comunicação incorporou uma enorme massa de novos adeptos que não só expandiu as igrejas já existentes, como também ensejou o surgimento de novos ramos denominacionais.

Houve tempo em que ser evangélico atraía ferrenho preconceito e marginalizava o converso do meio social, para não mencionar as freqüentes e ferozes perseguições movidas pelo catolicismo contra os que professavam a “nova” doutrina. Hoje, o quadro mudou. Os milhares de conversões genuínas atenuaram esta visão deturpada e permitiram o livre exercício da fé.

Por outro lado, pertencer a uma igreja evangélica, para muitos, passou a ser sinônimo de status, além da sensação de fazer parte de uma comunidade que desfruta de "respeito" e conta, entre os seus membros, com pessoas oriundas de extratos sociais mais elevados. Tudo isso bastou para que indivíduos com certa capacidade de liderança encontrassem a porta aberta para iniciar novos projetos que resultaram nos mais diferentes modelos de culto.

Outra causa, esta de porte complexo, é a liberdade religiosa emanada do texto constitucional. Não há nenhuma lei que regule a abertura de novas igrejas. Basta dispor de endereço, estatuto aprovado em assembléia e formalizar o registro para que se exerçam as atividades religiosas. Sem deixar de reconhecer a sinceridade daqueles que iniciam novos movimentos movidos apenas pelo desejo de ver expandir-se o Reino de Deus, esta facilidade permite que as dissidências cada vez mais presentes nas igrejas instituídas encontrem caminho fácil para constituírem novas denominações. Hoje, o número delas, no Brasil, ultrapassa a 500. Num quadro assim não há como negar, também, a existência dos “picaretas”, que se utilizam da fachada evangélica com objetivos nada nobres.

Não preconizo nenhuma restrição legal. Entendo que o governo não deve, jamais, imiscuir-se nos assuntos de fé. Propor e aprovar normas em nome de uma possível regulamentação é tolher a liberdade religiosa, cláusula pétrea de qualquer regime democrático, e legislar numa área extremamente subjetiva, onde os representantes da lei não terão como definir o que é legítimo ou não. Além do mais, sempre haverá a possibilidade de a legislação vir a ser aplicada para favorecer determinados segmentos religiosos em detrimento de outros, dependendo de quem estiver no exercício do poder. Haja vista que mesmo hoje, em que o texto da carta magna consagra a separação completa entre a religião e o estado, a igreja romana continua desfrutando de privilégios não concedidos a outros grupos confessionais. Ora, com todas as fragilidades de um modus vivendi desregulamentado, ainda acredito que esta é a melhor forma para a propagação do Evangelho. Vale quem tiver o melhor poder de persuasão.

Portanto, a proliferação cada vez mais acentuada das denominações está aí - e veio para ficar - com todos os desdobramentos que isto implica para a difusão da fé bíblica. Não adianta esbravejar contra esta realidade nem deixar de admiti-la. Não muda em nada. O mais racional é reconhecê-la e descobrir de que modo interfere no dia-a-dia de cada um, para então lidar-se com ela sem nenhum conflito.

Efeitos

Constata-se, inicialmente, que nenhuma denominação pode arvorar-se como a única alternativa para o exercício legítimo da vida cristã. Mesmo naquelas onde certas práticas de suas lideranças se confundem com elementos litúrgicos assimilados do medievalismo católico, há crentes sinceros que foram alcançados e transformados pelo poder do Evangelho. Houve tempo em que as opções reduziam-se às igrejas históricas (a Assembléia de Deus, em certo sentido, já o é), de modo que o discurso radicalizado em defesa de uma igreja como a única de conteúdo neotestamentário ainda encontrava eco. Mas hoje não convence.

Quem analisa a questão sem condicionamentos há de convir que o cerne da mensagem proclamada em milhares de templos de diferentes denominações espalhados pelo mundo é o fundamento apostólico, cuja centralidade é a cruz, ainda que em muitos casos não se concorde com a forma. Adotar, portanto, uma teologia exclusivista é repetir o erro do dogma romano de que fora da igreja não há salvação. Ora, a idéia aqui implícita é a de que não se experimenta a redenção fora das fronteiras do catolicismo. Em outras palavras, esse raciocínio subverte os valores, pois, ao invés de instrumento que proclama a graça, a igreja como instituição confessional passa a ocupar a primazia e torna-se um fim em si mesmo, contrariando o ensino do Novo Testamento.

Não se encontra em qualquer parte dos evangelhos ou das epístolas um texto sequer que possa ser interpretado favoravelmente ao exclusivismo denominacional. O que torna uma igreja essencialmente neotestamentária não é o nome que ostenta, nem o modelo administrativo adotado, ou mesmo o vínculo que tenha com alguma estrutura eclesiástica, mas o grau de compromisso com os postulados da fé apostólica, que centraliza a vivência da fé na obra redentora de Cristo. Daí porque o melhor é substituir o discurso envelhecido da única alternativa pela visão de Agostinho que, mais do que nunca, continua plena de atualidade: “Nas coisas essenciais, unidade; nas não essenciais, diversidade; e em todas as coisas, amor”.

Outra conseqüência da proliferação do denominacionalismo é a postura de não compromisso adotada por muitos fiéis. O amplo leque de opções propicia transferir-se de uma denominação para outra com maior facilidade. Pequenas divergências que poderiam ser sanadas no nascedouro são usadas como justificativa, pois o nível de comprometimento denominacional é pouco ou nenhum, em virtude das muitas alternativas.

É óbvio que a moeda tem dois lados. Sob o aspecto negativo, favorece a multiplicação de crentes com pouca consistência doutrinária, por faltar-lhes a necessária perseverança para manterem-se integrados à sua igreja e ali fortalecer a fé em Cristo. Quais beija-flor, ficam de congregação em congregação, sem plantar raízes em lugar algum, tornando-se, por isso, presas fáceis das heresias. Sua prática cristã notabiliza-se mais pelo apego à superficialidade e ao brilho dos resultados imediatos do que pela renúncia apregoada nos evangelhos. Eles procuram estar onde possam obter vantagens sem que isto implique em maiores compromissos com a igreja.

Sob o aspecto positivo, filtrada a questão do não compromisso, permite a oportunidade de o crente buscar outra igreja para adorar a Deus caso haja dificuldades intransponíveis para permanecer na mesma denominação. Este ângulo compreende principalmente o fato de a igreja vir a afastar-se do paradigma bíblico, não ensejando mais espaço para que o crente continue ali, servindo ao Senhor segundo as Escrituras. Ninguém é obrigado
a freqüentar um lugar onde, comprovadamente, os fundamentos da fé estão sendo solapados e abandonados. Trilharam este caminho os precursores da Reforma protestante.

Não é também conveniente ao cristão ali permanecer se o problema é de conflitos de porte ao nível da administração sem que haja como contorná-los. Ao invés de abrir uma dissidência, é prudente encaminhar-se para outra igreja cujas diretrizes administrativas sejam compatíveis com a sua linha de raciocínio, procurando lembrar-se de que situações semelhantes poderão vir a ocorrer, pois todas as instituições denominacionais situam-se no âmbito humano. Mas o fato é que não há como alegar a inexistência de alternativas para os casos inconciliáveis. Até mesmo aqueles que, em outros tempos, de maneira equivocada, tinham como escudar-se no argumento das poucas opções para não freqüentar nenhuma igreja já não têm como insistir na tese. A falta de um lugar onde a pessoa possa sentir-se bem não é mais justificativa coerente.

Se o advento de novos grupos denominacionais trouxe valiosas contribuições ao evangelismo, ensejou, por outro lado, a desenvoltura de movimentos voltados para a banalização da fé através do mercantilismo religioso. Ao invés de favor imerecido, a graça passou a ser algo que se adquire mediante dinheiro, onde quanto maior a quantia mais o contribuinte recebe. Sob este raciocínio, Deus transforma-se em devedor do ser humano e se obriga a abençoá-lo na proporção de suas ofertas.

Não se questiona a contribuição financeira como parte do culto a Deus. Mas este ato, desde o Antigo Testamento, rege-se pelo seguinte princípio: ele simboliza a entrega pessoal do ofertante como reconhecimento da soberania divina sobre todas as coisas, não se constituindo, portanto, uma moeda de troca para receber os favores da Divindade. O que conta para Deus não é o valor da quantia, mas as suas motivações. Assim, tanto o que contribui com pouco quanto o que oferta grandes somas, se os propósitos são corretos, do ponto de vista bíblico, estão em igualdade de condições. A benção divina sobre eles resulta unicamente da vontade expressa de Deus, como fruto exclusivo da sua graça.

Todavia, o que alguns segmentos denominacionais fazem através dos meios de comunicação é banalizar a fé e restringi-la ao âmbito da comercialização em busca de resultados materiais. A proclamação limita-se ao uso de jargões que induzem os ouvintes a pensar na vida cristã como um mercado, onde quem paga mais leva o melhor produto. Além dos malefícios em si, tal prática desvia-se do eixo do Evangelho e abre espaço para que indivíduos desprovidos de escrúpulos organizem negócios transvestidos de igrejas com o objetivo de ganhar dinheiro em cima das necessidades do povo. O problema é que pela facilidade da generalização muitos englobam todas as denominações sob a mesma ótica. Alguns, por pura malícia. Outros, por falta de senso crítico.

Tendências

Diante do quadro que aí está, detectam-se diversas tendências que, certamente, influenciarão o curso do denominacionalismo nos próximos anos, interferindo de forma direta na ação de cada igreja na entrada do próximo milênio.

A existência cada vez maior de novos grupos diversificados torna bem visível a tendência de colocar-se a nomenclatura denominacional em plano secundário. O que as pessoas estão considerando, hoje, não é a designação em si, mas as propostas de fé que as igrejas proclamam. Por mais que mentes tradicionais se choquem, o peso do nome já não influencia tanto na hora de fazer-se a opção. O que empolga são os discursos contextualizados à necessidade de cada um. Para os extremamente sofridos, a mensagem utilitarista. Para os de mentes racionais, os argumentos construídos com lógica. Ou seja, ocorre no meio denominacional o mesmo fenômeno que está transformando os conceitos mercadológicos: os clientes pouco se preocupam com a marca, pois já não se identificam com ela. Eles são atraídos pela forma como o produto é apresentado, vindo em segundo plano a qualidade do conteúdo.

Outra razão por trás dessa tendência é que as denominações mais antigas não atualizaram seus métodos, úteis para aquela época, mas a maioria ineficiente para os dias de hoje. Eles precisam ser reciclados tendo em vista a realidade atual. Vale lembrar que a mensagem permanece inalterada, mas à medida que mudam os tempos torna-se indispensável a reformulação de estratégias sob pena de não serem atingidos os objetivos. Em razão disso, os incoversos não olham para a cor denominacional, mas acabam envolvidos por aquelas igrejas que de modo mais eficaz conseguem alcançá-los.

A necessidade de fazer frente a essa realidade, até certo ponto ambígua, produz outra tendência. A de igrejas que optam de forma unilateral pelo superficialismo das formas, como se estas tivessem maior valor do que o conteúdo. Na ânsia - legítima, por sinal - de aumentar o número de fiéis, resvalam para o extremo de pôr a ênfase nos meios empregados, com reuniões bem articuladas e métodos contemporâneos, onde a mensagem cristocêntrica acaba não sendo priorizada, deixando de receber o tratamento bíblico correto. O fruto são crentes imaturos, falta de firmeza na fé e a porta aberta para a aceitação de comportamentos sociais contrários à Palavra de Deus. A forma tem o seu lugar, mas não se pode, sob hipótese alguma, abrir mão da legitimidade do conteúdo.

Esta tendência gera diversos desdobramentos. O principal deles são denominações conformadas com o mundo, onde não se confronta o pecado mas busca-se explicá-lo à luz de filosofias humanistas, que admitem práticas como o aborto, homossexualismo e a liberação sexual com a maior naturalidade sob o argumento de que fazem parte da evolução do processo 
social. Com isso, aquelas que se mantêm comprometidas com os postulados bíblicos recebem o rótulo de ultrapassadas.

Vislumbram-se, portanto, duas realidades que identificarão cada vez mais as denominações daqui para frente. Os nomes terão pouca ou nenhuma importância em virtude da proliferação acentuada de novos grupos pelas razões descritas a pouco, acrescida da expansão dos chamados movimentos independentes, que não pensam em vincular-se a qualquer das estruturas existentes.

A primeira realidade constituir-se-á daquelas igrejas cujo perfil refletirá o padrão ético do Reino de Deus e o compromisso com a integridade da fé, não importa, repito, o nome que ostentem, nem a liturgia que adotem. A segunda terá como característica a falta de comprometimento com a Bíblia, a secularização de seus princípios, o conformismo com o sistema pecaminoso do mundo e o apego ao brilho fácil do materialismo. Sem querer simplificar, as duas realidades estão identificada na Bíblia pelas igrejas de Filadélfia e Laodicéia.

Estes perfis estarão de tal modo cada vez mais presentes na vida denominacional que as pessoas não perguntarão pela igreja em si, mas pela fé que professa. Até mesmo porque muitas congregações têm posturas que diferem de outras adotadas por igrejas da mesma denominação. O tipo de comportamento peculiar dessa época em ambos os grupos é assim descrito pelo apóstolo João: “Quem é injusto faça injustiça ainda; e quem está sujo suje-se ainda; e quem é justo faça justiça ainda; e quem é santo seja santificado ainda”, Ap 22.11.

Para concluir, cabem as seguintes sugestões sobre como se posicionar diante do exposto:

1) É preciso compreender que as denominações ocupam papel secundário no plano de Deus. Elas cumprem um importante papel histórico, mas não podem desfrutar de qualquer primazia em detrimento de outras. A Bíblia não trata com este ou aquele grupo, mas com a igreja comprometida com os fundamentos da fé apostólica.

2) Respeitar as diferenças periféricas é outro dever de cada um, pois o que prevalece, para a unidade no Espírito, são os pontos essenciais da fé. Se os fundamentos são os mesmos, espera-se que haja o mínimo de consideração para com os demais irmãos em Cristo.

3) A unidade se dá no âmbito espiritual e não administrativo. Todavia, não vale a pena buscá-la se o preço for a perda da identidade cristã e a aceitação de princípios sabidamente contrários à Palavra de Deus. Convém lembrar que de um lado estão as igrejas éticas e centradas em Cristo, com as quais a comunhão é possível. No entanto, de outro estão os grupos conformados e de braços com mundo. Com estes, não há como prosseguir na caminhada.

4) É legítima a iniciativa de buscar fórmulas eficazes, contextualizadas e lícitas para tornar a mensagem acessível ao coração do pecador, desde que não se comprometa a integridade da fé. As igrejas que não o fizerem ficarão para trás e abrirão espaço para que movimentos sem nenhum respaldo bíblico, mas com estratégias eficientes, consigam arrebanhar maior número de fiéis.

Geremias do Couto é pastor na AD em Teresópolis (RJ), conferencista, comentarista de lições bíblicas, professor do CAPED, articulista e membro da diretoria da AEVB.