quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Raposas e raposinhas: etica nas grandes e pequenas coisas

A crise é grave. Por qualquer ângulo que se olhe, parece que o fundo do poço está mais embaixo. A cada dia surgem novos fatos que deixam os brasileiros íntegros perplexos e descrentes a perguntar-se: aonde vamos chegar? Nem bem um escândalo termina, outro já está a caminho, sem tempo para a poeira assentar-se no fundo do copo. A república nunca esteve com as vísceras tão expostas como agora. Mas existem coisas positivas em toda essa história que está sendo desnudada pela imprensa.

Sem querer chover no molhado, já que outros disseram isso antes, uma crise se constitui em excelente oportunidade de crescimento. A democracia, por exemplo, sai fortalecida, porque, em outros tempos, a censura não permitiria a divulgação de episódios semelhantes. Hoje, os olhos da mídia podem investigar e tornarem públicas coisas que antes eram varridas para debaixo do tapete. É óbvio que há uma sofreguidão pela denúncia pura e simples, em alguns setores. Há, algures, percebe-se, a intenção de denunciar por mera vingança ou o uso da ameaça como chantagem para sair no lucro. É a corrupção que se alimenta da corrupção. Mas isso não desmerece o papel da imprensa investigativa, já consolidado na tradição democrática brasileira.

No entanto, longe de mostrar a corrupção como algo restrito ao andar de cima, para usar a expressão de Elio Gaspari, o noticiário apenas expõe uma prática que ali acontece de forma sofisticada, mas que também, embora este não seja o alvo predileto da mídia, caracteriza os costumes do andar de baixo. Só que sem a “elegância” dos colarinhos engomados. É a cultura do “jeitinho”, que vem desde Pero Vaz de Caminha e se tornou algo “normal” no cotidiano brasileiro. Que o digam as propinas para evitar a multa do policial, a empreitada de uma obra construída a toque de caixa só para gastar menos tempo e assim aumentar a rentabilidade do empreiteiro. Ou, ao contrário, a demora propositada na construção para “melhorar” o ganho no salário contabilizado pelo sistema de diárias. O médico que receita determinada medicação porque recebe "um por fora" do laboratório. A lista das pequenas corrupções iria longe.

Lembro-me de Cantares. Das raposas e raposinhas. Não eram só as adultas que faziam mal à vinha. As pequenas também. O problema do Brasil, e do ser humano em particular, é achar que só os grandes desvios éticos precisam ser combatidos. Vista grossa para os pequenos. Não faz mal jogar lixo na rua ou nas enconstas, não é nada demais vender gasolina adulterada, pouco importa empregar material de segunda, mesmo que o contratante tenha pagado por material de primeira. Ficar com o troco dado a mais pelo balconista há até quem considere bênção de Deus. Fazer "gato" para roubar a luz do vizinho ou da propria rede pública é atenuado como um recurso da pobreza. "Emprestar" o sinal da TV a cabo é justificado pela necessidade de ter acesso a entretenimento por quem não pode adquri-lo pelas vias legais. Ou seja, as raposinhas podem. As raposas não!

Todavia, segundo a Bíblia, a fidelidade começa nas coisas pequenas. Quem lida com seriedade em circunstâncias aparentemente sem importância, com certeza terá o mesmo comportamento naquilo que denota maior relevância. Não se exige ética apenas nos grandes empreendimentos, seja de que natureza for, inclusive política, mas também nas atividades mais simples. Aqui se incluem os valores morais – a fidelidade conjugal, por exemplo – hoje renegados pela predominância do relativismo.

Entre os dados positivos da atual crise está a certeza de que o Brasil precisa, isto sim, de um choque moral de alto a baixo.Eu até inverteria a ordem. Se o choque começar em baixo certamente chegará na parte de cima. Não basta preconizar tolerância zero apenas para os crimes do banditismo. Os que cobram segurança do Estado, mas se escondem sob a hipocrisia de acobertar o uso livre das drogas, como sugeriu recentemente Fernando Henrique Cardoso, sabem que o tráfico só se sustenta porque há consumo. Não basta exigir que o lixo da corrupção seja varrido no andar de cima, quando próximos ao nosso quintal há pequenos lixos que ali estão como que a decorar o nosso espaço.

As raposas adultas precisam ser apanhadas do jardim. Depressa. Mas as pequenas também. Com a mesma diligência. Lembrem-se que elas crescem. Se cada um tirar o cisco de seus olhos – ao invés de ficar olhando a trave do olho do próximo – terá sido feita a grande faxina que todos anseiam no país. Se todos removermos o lixo que está próximo à nossa porta a cidade ficará limpa.



sexta-feira, 18 de setembro de 2009

PT usa o código de ética e pune dois parlamentares seus com raro rigor

O que foi que eles fizeram?

Reinaldo Azevedo

Na noite de ontem, o Diretório Nacional do PT decidiu punir os deputados federais Luiz Bassuma (BA) e Henrique Afonso (AC). Por unanimidade, ambos tiveram seus direitos políticos suspensos por um ano e 90 dias, respectivamente. Não poderão votar nem ser votados nas instâncias partidárias ou discursar em nome do partido. É possível que Bassuma, nessas condições, não consiga nem mesmo se candidatar à reeleição. Uau! Será que este partido está, finalmente, se emendando? Afinal, o que ambos fizeram? Abaixo, segue um diálogo imaginário com um leitor otimista. Ele pergunta (em negrito) e eu respondo.

— Será, Reinaldo, que eles foram pegar dinheiro de Marcos Valério no Banco Rural?


— Besteira! Isso é permitido. Não dá punição.

— Então usaram recursos “não contabilizados” de campanha. Acertei?


— Bobagem! Isso é do jogo. Como você sabe, a campanha de Lula foi paga em moeda estrangeira, no exterior, com dinheiro de origem desconhecida.

— Já sei! Então integraram algum grupo de aloprados para fazer um dossiê falso contra adversários! Na mosca?


— Claro que não! Integrar grupo de aloprados é coisa tão importante, que todos aqueles que participaram daquela aventura eram do entorno do próprio presidente Lula. É coisa para gente graduada.

— Ah, então vamos ver: usaram, sei lá, a estrutura de um ministério, da Casa Civil por exemplo, para fazer outro dossiê contra adversários do governo.


— Errado! Quem faz isso acaba sendo considerado candidato natural à Presidência da República. Isso rende promoção no PT, jamais punição.

— Ah, então vai ver eles violaram o sigilo bancário de um caseiro. Coisa feia!


— Tolice. Isso não tem importância. Quem dá bola para caseiro?

Que diabo, então, fizeram esses dois para que toda a cúpula petista, sem exceção, decidisse ser tão severa? Bem, eles resolveram tornar pública a sua posição contrária à descriminação do aborto. Vocês entenderam direito e não precisam ler de novo. Alguns pecadilhos, no PT, como os listados acima, não têm grande importância. Mas defender o direito de um feto à vida, a depender de como seja feito, é incompatível com a ética petista. Eu já desconfiava que fosse assim.
De fato, não sei o que ambos fazem no PT sendo o partido tão escancaradamente favorável à descriminação do aborto.

Como a gente nota, no PT, os que cometeram todos aqueles crimes, merecem uma segunda chance. Mas o feto não merece a única chance que tem. É a forma que a esquerda tem de ser humanista, de ser progressista. A direção recomendou ainda que Afonso não seja reconduzido à Comissão de Seguridade Social e da Família na Câmara dos Deputados. Só pode pertencer a uma comissão de família quem é favorável à morte dos fetos, entenderam?

É o PT aplicando o seu Código de Ética. Ele comporta, por exemplo, Ideli Salvatti a defender Sarney com todos os “esses” e “erres”, mas não parlamentares que participam de uma marcha contra o aborto. Vejam que engaçado: a tal manifestação, sabe-se, teve o apoio de uma ONG que conseguiu dinheiro público para a sua realização etc — vocês conhecem aquela rotina típica de petistas e ONGs. Pô, aí já é demais, não é? Dinheiro público bem utilizado é aquele que financia marchas em defesa do aborto.

Um dia essa gente há de encontrar o lugar certo na história. Que seja logo!

Fonte:
Blog do Reinado Azevedo

Divulgação: www.juliosevero.com

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Pensamentos do meu tempo sabático


Tenho aproveitado esses momentos de recuperação como uma espécie de tempo sabático para refletir, orar, ler e buscar aprofundar a minha comunhão com Deus, de quem cada vez mais aprendo e a quem cada vez mais desejo como o bem maior de minha vida.

Agradeço aos que têm orado em meu favor e, enquanto aguardo o momento de retornar à labuta para continuar a cumprir o propósito de Deus a meu respeito, continuo por aqui a adorá-lo, a buscá-lo com todas as forças do meu coração, e a pensar em tantas coisas mediante às quais podemos testemunhar a sua fidelidade para conosco e sobre como o nosso testemunho pode honrar verdadeiramente o seu nome.

Tenho colhido preciosos pensamentos durante esses dias, alguns dos quais compartilho agora com você que me concede a honra de visitar o meu blog. Eles me abençoaram. Espero que lhe abençoe também.

Contra a mercantilização do evangelho

"Acolhei-nos em vosso coração; a ninguém tratamos com injustiça, a ninguém corrompemos, a ninguém exploramos", Apóstolo Paulo (2 Coríntios 7.2).

Atribulados para consolar os atribulados

"É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação que nós mesmos somos contemplados por Deus", Apóstolo Paulo (2 Coríntios 1.4).

Sempre é tempo de adorar a Deus

"Então, Jó se levantou, rasgou o seu manto, rapou a cabeça e lançou-se em terra e adorou", Jó (Jó 1.20).

Aos desmotivados com a igreja

"O Diabo é o único que defende a tese de que você deve dar um tempo da igreja nos períodos de adversidade", David Jeremiah, no livro: Uma Curva na Estrada.

A oração que honra a Deus

"Abaixo as orações exibicionistas! Deus honra as petições oriundas de um coração simples e as confissões de um espírito humilde", Charles Swindoll, no livro: Fé Simples.

A escolha da alegria

"Embora não pudesse gerar alegria, poderia escolhê-la ao escolher obedecer ao comando de orar continuamente e dar graças em todas as circunstâncias", Ben Patterson, no livro: Aprofundando o Diálogo com Deus.

A decisão de aceitar a vontade de Deus

"A vida de uma pessoa não é feita de segmentos, compartimentos ou estágios. A vida é uma fita contínua e sem cortes. E essa fita sem cortes, para o crente, é uma oportunidade constante de escolher seguir a vontade de Deus", Jim George, no livro: Orações Notáveis da Bíblia.

A dor do aprendizado

"Presto testemunho voluntário de que devo mais ao fogo, ao martelo e à lima do que a qualquer outra coisa na oficina do meu Senhor. Às vezes pergunto se algum dia aprendi algo que não tenha sido pela vara. Quando minha sala de aula está às escuras, enxergo melhor", Charles Spurgeon, como citado no livro: Uma Curva na Estrada.

Aonde você estiver, Deus vê

"Vá aonde quiser, Deus vê. Acenda a luz, ele o vê. Apague a luz, ele o vê. Tema-o, pois ele sempre vê", Agostinho de Hipona, como citado no livro: Uma Curva na Estrada.