segunda-feira, 9 de abril de 2007

Estou irado, ainda!

Dentre os comentários recebidos quanto à minha crítica à Rede Record, um argüiu a seguinte questão: "Essa 'ira' tambem não se justificaria para os adeptos do Catolicismo ou espiritismo se eles vissem cultos evangelicos transmitidos na rede globo?".

Vamos aos fatos:

1) Minha análise crítica se reportou à Rede Record, e não à Globo. É tanto ter afirmado que, apesar de minha divergência, compreenderia se o quadro fosse apresentado na "vênus de prata", por serem as redes seculares dominadas pela cosmovisão anticristã e pelo seu caráter comercial, sem nenhum "vínculo" com qualquer segmento religioso. Apesar de muitas de suas novelas serem baseadas em temas com nuances nitidamente espíritas e de nutrir certo preconceito contra os evangélicos.

2) Em relação à Rede Record há uma diferença de fundo: ela tem "vinculos" com uma igreja considerada evangélica e, segundo se sabe, é administrada por alguns de seus bispos. Há, portanto, um vício de origem: Como pode uma igreja evangélica ter ligação administrativa com uma rede de comunicação, onde o conteúdo de seus programas conflita com os princípios que a igreja prega e defende? Impossível. Percebe-se então que o pragmatismo fala mais algo do que os princípios.

3) Concordo em gênero, número e grau que os canais abertos e seculares, quando vendem seus horários, possam dispor deles da maneira que melhor lhes convir, seja para as igrejas evangélicas, seja para outros credos religiosos, como acontece em alguns casos. Esse é o preço da democracia. Só não vejo como compatibilizar isso em uma emissora que tenha vínculos administativos com uma igreja evangélica. Alguém dirá: "Mas tal rede de televisão não pertence a essa igreja, pois o sistema jurídico brasileiro impede esse vínculo legal! "Ora, direi eu: "entre outras coisas, para que servem as fundações ou associações?" Bem... deixa pra lá.

4) Concluindo, no meu modesto parecer, não é próprio para uma igreja evangélica ter vínculos administrativos com uma emissora estritamente comercial sob pena de ser ver obrigada a abrir espaços para conteúdos conflitantes com a sua fé, como é o caso, agora, da Record. A igreja deve restringir-se aos canais fechados ou a comprar horários em emissoras que adotem essa prática.

Em razão disso, continuo irado, ainda!

2 comentários:

Eliseu A Gomes disse...

Concordo, inteiramente, com o irmão nessa ira.

O prática do cristianismo exige posições definidas:

• De uma fonte não pode jorrar água doce e água salgada;
•Quem com Cristo não ajunta, espalha;
•Ou quente ou frio, os mornos serão expelidos ...

Anônimo disse...

Continuando com o amistoso debate, mais uma vez reitero que a ira do amado pastor - no meu humilde entender - eh compreensivel mas ausente de uma pequena dose de equidade.

O que me causa mais "ira" neste assunto eh o fato da rede record ter sido comprada com os dizimos e ofertas dos fieis.

Ou seja: pra resumir minha argumentacao eu diria que o dinheiro dos fieis deveriam ter sido utilizados pra comprar uma rede 100% religiosa !! E nao um canal comercial. Canais comerciais jamais conseguirao mesclar a "agua e o vinho".

Quando citei a globo foi somente no sentido de compararmos as situacoes. Embora (ao menos oficialmente) a globo nao tenha sido comprada com dinheiro de fieis catolicos/espiritas, eh nitidamente para esses grupos que a mencionada rede historicamente faz suas apologias. Portanto, sou contra a globo (ou outra emissora qualquer) fazer apologias anti-protestantes, mas tambem os telespectadores dela teriam o mesmo direito de exigir a reciproca! em suma: Quer fazer apologias religiosas ? Va para um canal exclusivamente religioso. E entao todas as doacoes de fieis serao bem-vindas e eticamente apropriadas !

Mais uma vez muito obrigado ao amado Pastor pelo debate!