sábado, 19 de setembro de 2015

Belenzinho entra no Tocantins

Tomei conhecimento através do portal JM Notícias, do Tocantins, que o Ministério do Belenzinho, SP, estaria estendendo as suas estacas àquele Estado por intermédio da Assembleia de Deus em Limeira, no estado paulista, com um audacioso projeto de implantar igrejas em todas as cidades tocantinenses. Parece de início uma iniciativa a ser aplaudida, pois quem não deseja a expansão do Reino de Deus "até os confins da terra"? Usando uma expressão corrente em certo círculo neopentecostal, seria algo "para glorificar de pé, igreja"! Mas o que poderia estar por trás da proposta?

Sem maiores delongas, lembro-me de 1989, quando, em Assembleia Geral Extraordinária da CGADB realizada em Salvador, BA, por pressão da liderança do norte e do nordeste,  entre eles Samuel Câmara, aliada ao presidente José Wellington Bezerra da Costa, votou-se a suspensão do Ministério de Madureira até que se retirasse dessas regiões, no que comumente se designou como "invasão eclesiástica", e também o Ministério concordasse em retirar de seu Estatuto a natureza nacional de sua convenção. Houve apenas oito votos contrários. Eu estava entre eles, ao lado de homens do naipe de José Pimentel de Carvalho. Ao me questionarem, simplesmente aleguei: "Hoje, com essa decisão, estamos retirando Madureira. Amanhã outra Madureira surgirá em nosso meio. O que precisamos é de reforma em nosso modelo eclesiástico, se a liderança tiver coragem para isso".

Creio não ser necessário acrescentar mais nada. A nova "Madureira" está aí para quem quiser ver e a tendência é expandir-se cada vez mais, dependendo dos rumos da eleição na CGADB em 2017. Não nos esqueçamos, fora isso, que aquela resolução e outras parecidas tratando de "invasão eclesiástica" nada adiantaram, pois o que temos são extensões de diferentes convenções estaduais do sudeste em todos os estados do Brasil. Só no Rio de Janeiro, além de nossas quatro convenções estaduais, há núcleos de outras coirmãs de estados bem próximos. E ninguém fala mais no assunto.

Tudo isso decorre do hibridismo do nosso sistema eclesiástico, que permite a construção de grandes impérios, onde, nas pirâmides, estão pastores afortunados, enquanto na base se encontram aqueles que andam de bicicleta, mal assalariados, como bem expressou o pastor Claudionor de Andrade em sua plenária na Conferência de Escola Dominical realizada em João Pessoa, PB. Na verdade, não estamos construindo o Reino de Deus, mas construindo o nosso reino.

Como diria Ibrahim Sued, o resto é silêncio.

14 comentários:

CLAUDIO ARAUJO disse...

Na minha cidade (Betim/MG), temos praticamente todas as convenções da AD. Nem por isso a Igreja está bem. Cultos frios e vazios. Igrejas sem jovens. Penso que seria melhor se os caciques fossem destituídos, e a Igreja, unida, apoiasse as congregações locais. Pra que plantar mais se não estamos regando?

Mario Sérgio de Santana disse...

Pastor Geremias do Couto,

Muito interessante essas observações. Vale lembrar que, na biografia do atual presidente da CGADB escrita por Isael de Araújo está assim registrado: "Hoje, como presidente, sua política de trabalho no Ministério do Belém é não expandi-lo para fora do Estado de São Paulo."

Mudou de ideia o presidente da CGADB?

Missionario da ADIG disse...

O mesmo acorre na Bolivia, infelizmente.

o menor de todos os menores. disse...

Meu DEUS! As PEDRADAS já estão à galope.

O menoor

claudiopimenta disse...

O sinope está pelo nordeste o guara e várias outras assembleias

Otoniel Martins de Oliveira disse...

A cada dia, ao saber das considerações e pertinentes comentários, fico mais admirado com as suas observações no "universo" assembleiano, nobre amigo. Sem a paixão que leva o observador a destoar no assunto, sua "pena" corre leve, apenas descrevendo as manobras politiqueiras, os imbróglios que de longa data queimam como "fogo de monturo", fazendo estragos invisíveis na famosa e centenária instituição. Quem quiser estar alerta é só prestar atenção neste canal de notícias e observatório inteligente da vida eclesiástica.

Parabéns!!

Dario Rodrigues disse...

As vezes deixamos de evangelizar em Jerusalém para ir aos confins da terra.

Marcilio Bitencourt disse...

Paz do Senhor pastor Geremias. Segundo informações que tive em Campo Grande MS já tem várias igrejas do Belem.

PAULO MORORÓ disse...

Caro pastor, A paz do Senhor.
Cargos, poder, expansão, Império e domínio. Como disse tempos passados no Blog do irmão Daladier Lima. Na época postei um comentário junto com o vosso. Disse eu:
“ Já era! Só Deus pode mudar. O sistema já foi instalado (DINASTIAS ECLESIÁSTICAS, DOMÍNIO CLERICAL, ETC), foi um dos “bons costumes” oriundo de algumas igrejas locais, que apenas passou às convenções. Já virou tradição, entrou no rol dos “bons costumes” que devem ser defendidos, nem que seja na Justiça dos homens. Raras são as igrejas que não praticam esta continuidade familiar. Congrego numa AD que por enquanto ainda não pratica o Sistema de Dinastias Eclesiásticas. Graças a Deus!
Agora, resta apenas saber se os netos, os bisnetos, os demais na genealogia, etc, estão sendo bem preparados para guardarem estes “bons costumes”.
(http://www.daladierlima.com/o-que-penso-sobre-a-indicacao-do-pr-jose-wellington-junior/)

Só acrescentaria mais este: “ O pau que bateu em Chico JAMAIS baterá em Francisco”.
Shalom.
Paulo Mororó

Robson Aguiar disse...

Boa abordagem reverendo Geremias, tentei escrever aqui meu comentário, mas, por ser um pouco extenso, acabei transformando-o em postagem. https://prrobsonaguiar.wordpress.com/2015/09/20/ministerio-do-belenzinho-chega-em-tocantins/

Pastor Geremias Couto disse...

Meu caro Robson Aguiar:

Muito obrigado pela participação. Sempre enriquece, como as demais. Quero apenas falar um pouco mais sobre a minha proposta. Não se trata simplesmente de reformar o Estatuto, embora isso seria necessário, caso ela prevalecesse. Falo de algo mais profundo: a reforma do nosso modelo eclesiástico. O nó górdio está aí. Quanto mais próximo do modelo de Atos, com a priorização das igrejas locais, aliás modelo adotado pela nossa coirmã norte-americana, menos problemas teríamos com a tal "invasão se campo". A continuar como está, essa é uma guerra sem fim, por um lado, que não resolve o problema, que, para mim, já tomou proporções irreversíveis. Sei que sou utópico, mas humanamente falando a única alternativa seria essa reforma, que implodiria os "impérios" e faria florescer a igreja local, autônoma, emancipada, com liberdade de trabalhar com as próprias pernas e decidir o próprio destino.

PB. João Eduardo Silva disse...

Concordo com o senhor Pr. Geremias, se nosso sistema administrativo fosse batista ou presbiteriano muitos desses problemas seriam resolvidos.

Abraços.

Marina Costa disse...

Que blog INCRÍVEL! Parabéns ao Pr Geremias Couto, parabéns a todos pelos comentários, são de fácil compreensão, abordagens diretas, perfeitas. Me chamou bastante a atenção o comentário do sr CLAUDIO ARAUJO: "...Cultos frios e vazios..." Trouxemos para dentro dos templos...a elegância no trajar, os olhos altivos, vivemos cascalhoando como se não houvesse o ALVORECER DO NOVO E TERRÍVEL DIA DO SENHOR. Nós que ocupamos as naves das igrejas, os corais, os chamados "grupos de louvor", muitos tão corrompidos, esquecemos de olhar além dos nossos umbigos, que hj estão atrelados no superficial... no tal do "reteté" e por aí afora. Enquanto isso, os caciques e pajés...fazem o que lhes apraz. Ficamos cegos, surdos e mudos. Congrego no Setor 8, bairro Socorro. Sto Amaro São Paulo. Triste e sem perspectiva evangelística. Lamentável.

Marina Costa

Milton Adones Vieira disse...

Verdade, o sistema denominacional é um grande problema para o crescimento da igreja de Cristo. Não foi esse tipo de igreja que Jesus planejou e criou, não era assim nos dias apostólicos, e é por isso que muitos estão saindo do sistema eclesiástico e servindo a Jesus nos grupos chamados igreja orgânica, ou crentes sem igreja (placa denominacional, At 2.42; 5.42; 20.24. Eu só não saio porque sirvo a Jesus e não tenho cargo e nem quero fazer parte, somente servir a Jesus e ter onde congregar. Tenho minhas idéias, escrevo livros e comentários, amo meus irmãos e pastores e sou feliz com Jesus.