terça-feira, 21 de abril de 2015

O que os pastores da CGADB farão em Fortaleza

Centro de Eventos do Ceará
A cidade de Fortaleza, CE, hospedará mais uma vez a Assembleia Geral da CGADB. Serão quatro dias dedicados aos mais variados assuntos, previstos no temário, com ênfase para a evangelização e o discipulado. Cerca de três mil pastores de todo o Brasil terão a oportunidade ímpar não só de avaliar o desempenho da AD nos últimos anos, como também buscar caminhos que a reconduzam aos mesmos patamares dos padrões primitivos de crescimento [...].

Espera-se, portanto, que esta seja a tônica dos debates, pois não é mais possível postergar um problema que se institucionaliza e pode lançar a AD no Brasil na mesma vala comum da religiosidade histórica. Isto é, um passado rico de espiritualidade, um presente de ostentação, mas uma prática hodierna sem vida, mergulhada na frieza do formalismo eclesiástico. Que a AD no Brasil não cresce, hoje, com a mesma desenvoltura da década de 50 foi, inclusive, um dos pontos da mensagem do pastor Phillip Hogan, no culto de abertura do 1° Congresso Mundial das Assembleias de Deus, realizado na Coréia [...].

Em primeiro lugar, há que se ir ao âmago da questão. Não é hora para sutilezas, superficialidades ou paliativos. É preciso ir às causas, removê-las e mudar o eixo da postura da igreja para a sua verdadeira base.

Em segundo lugar, há que se ter transparência para reconhecer o que está errado e aceitar, com humildade, as correções de rumo que forem indispensáveis. Não adianta varrer para debaixo do tapete as possíveis mazelas que obstruem a caminhada da igreja. Isto só faz tornar mais grave o problema e adiar soluções que, se adotadas agora, tornariam promissor o amanhã.

Em terceiro lugar, o peso maior cabe à liderança, a quem Deus constituiu para conduzir os rumos da AD no país. Não custa nada acrescentar que a institucionalização da igreja continua consumindo grande parte do tempo dos pastores em assuntos administrativos, articulações "diplomáticas" e outras atividades paralelas, em detrimento das causas maiores: a evangelização, o discipulado, o retorno ao altar, a vida de inteira consagração a Deus. As assembleias gerais acabam sendo, neste caso, um escoadouro dessas tensões, que passam a ocupar todo o espaço convencional. Os temas permanentes e produtivos ficam para outra ocasião...

Em quarto lugar, é preciso ouvir as vozes proféticas que se levantam, aqui e acolá, clamando pelo retorno da igreja aos padrões apostólicos. Gritos angustiantes de alerta têm sido ouvidos por toda parte, advertindo contra certos caminhos tomados, que, com certeza, levarão ao fracasso total, não havendo correção de rota.

Fortaleza poderá significar, portanto, a abertura dos celeiros de Deus sobre a AD no Brasil, desde que seja essa a perspectiva de todos os convencionais. Aí, sim, o tempo gasto nas sessões plenárias não será em vão, pois terá como prioridade as causas que farão a igreja tomar novo impulso e viver uma nova fase de vitórias em sua trajetória.

***
Com a omissão de apenas dois parágrafos, que não retiram a lógica do texto, esse é o editorial do Mensageiro da Paz N° 1293, do mês de dezembro de 1994, escrito e assinado por mim, às vésperas da AGO da CGADB que se realizaria em janeiro de 1995, na cidade de Salvador, BA. Para os dois objetivos que tenho em mente, mudei apenas o nome da cidade para Fortaleza e o número de dias previstos para a AGO. Lá foi de sete dias; na capital cearense será de apenas quatro dias.

Quis mostrar, em primeiro lugar, que os meus escritos atuais sobre a CGADB são coerentes com o que já escrevia naquela época. A diferença é que hoje desfruto de independência do sistema e posso usar de mais clareza quando exponho as minhas posições. Mas o eixo não mudou. A minha voz sempre ecoava, quando entendia que os rumos não eram aqueles. Naquela época já alertava para os graves problemas enfrentados pela CGADB.

O meu segundo objetivo é deixar claro para os pastores mais recentes que, embora fosse à época Diretor de Publicações da CPAD e responsável por escrever e assinar os editoriais do Mensageiro da Paz, jamais fui de me omitir em expressar a realidade que vivíamos, mesmo que não pudesse usar cores vívidas para trazer mais transparência. Mas se você leu o editorial, deve ter percebido alusões bastante sinalizadoras, como esta, por exemplo: "Não adianta varrer para debaixo do tapete as possíveis mazelas que obstruem a caminhada da igreja".

Infelizmente, de lá para cá as coisas só fizeram piorar. Não creio também que Fortaleza trará qualquer resgate à história assembleiana.

3 comentários:

Leandro Santos disse...

Parabéns pela coerência, irmão Geremias. Concordo com o que o senhor escreveu. Acho, também, que a altern^nacia do poder seria muito salutar à CGADB.

Pr. Dario disse...

Haverá "alternância" amigo, fique "tranqüilo". Já se comenta, se alinhava e se costura a elevação do filho do reverendo! Descanse em paz...

Sergio Freire disse...

Querido pastor Geremias, o texto é claro da sua independência e isso é muito bom, em tempos de várias bandeiras essa neutralidade, a vejo como uma grande força, perante essa grande confusão nessa briga de poder que presenciamos tristemente. Nasci e me crie na ADIG, fui apresentado ao Senhor na gestão do saudoso pastor Alvaro Cardoso, embora hoje não esteja na AD gosto de acompanhar de longe um pouco da história da igreja e na minha opinião pastor Geremias a transparência de sua posição com a realidade que a Igreja vive, não fica somente ai, vai além do muro assembleiano. Graça&Paz.