domingo, 7 de abril de 2013

Época traz reportagem sobre eleições na CGADB

Em minha viagem para Brasília, neste sábado, seis de abril, fiz o que sempre faço: adquiri na livraria do aeroporto as revistas da semana, entre elas a Época, para ler durante o percurso entre o Rio de Janeiro e a capital federal. Quando abri a revista mencionada, deparei-me com uma matéria de duas páginas sobre as eleições para a presidência da CGADB na próxima semana. Confesso que, pelo andar da carruagem, esperava uma reportagem explosiva. Mas para a minha surpresa, o repórter foi comedido e se ateve a mostrar a "pujança" assembleiana, com ênfase, sobretudo, para a área política. Não foi sequer um estampido de bombinha de São João. Verdade seja dita, a matéria foi rigorosamente jornalística, embora, no título, tenha subavaliado o número de membros das Assembleias Deus, apontando apenas 12 milhões, quando se sabe tratar-se de número bem maior. Ainda assim, o jornalista Vinicius Gorczeski considerou o número citado como uma força poderosa.

Chamou também a minha atenção o fato de o deputado federal Marco Feliciano, para o bem ou para o mal, estar sendo, entre os evangélicos, o principal nome na mídia durante as últimas semanas. É tanto que, e
mbora a matéria tenha como foco principal a eleição na CGADB, a foto que a ilustra é do parlamentar, cujo nome também aparece no subtítulo: "Maior igreja evangélica do Brasil, a Assembleia de Deus do deputado Marco Feliciano, escolhe nesta semana seu comandante para os próximos anos".  Com todas as ressalvas que faço ao seu "modus operandi", a grita dos ativistas gays e dos petistas desarvorados só fez colocá-lo no lugar em que todos os políticos gostam de estar: a mídia. No destaque da matéria, tornou-se a figura principal, com foto, mais importante até do que os próprios concorrentes, que nem tiveram as suas fotos publicadas. Na mesma linha, a coluna Nhenhenhém, do jornalista Jorge Bastos Moreno, também deste sábado, no jornal O Globo, fala dos 24 mil pastores em cerca de 300 ônibus e 30 boeings, que já estão em viagem para AGO em Brasília, para, ao final, ironizar uma possível manifestação oficial ao deputado.

Mas, voltando à matéria da Época, quero ressaltar alguns pontos. O primeiro é o fato de a Assembleia de Deus ser descrita como uma força política não desprezível no cenário  nacional, mostrando que o atual presidente da CGADB teria rejeitado o convite para candidatar-se como suplente de Orestes Quercia ao senado, que veio a falecer antes do pleito e foi substituído na disputa pelo senador Aloysio Nunes. O repórter só esqueceu de informar que sua suplente é a atual vereadora por São Paulo, Marta Costa, filha do pastor José Wellington, que chegou a dizer ao jornalista que igreja e política são como água e óleo: não se misturam, frase que também pronunciou na primeira entrevista concedida a mim, quando assumiu a presidência da CGADB em substituição ao pastor Alcebíades Pereira Vasconcelos. 

Arguto, Vinicius Gorczeski escreveu que não era bem assim, visto que não só a vereadora citada, mas o pastor Paulo Freire, outro filho do presidente da CGADB, também é deputado federal, ficando visível a contradição entre o discurso e a prática. Na mesma questão, o pastor Samuel Câmara foi direto ao afirmar que rejeita envolver-se com a vida pública, mas o repórter não deixou de mencionar que carrega no nome metade do Congresso (Câmara) e tem o irmão, Silas Câmara, e a cunhada, Antonia Lúcia, como deputados federais. 

Outro ponto que merece consideração é o motivo que o pastor José Wellington apresenta na matéria para concorrer mais uma vez: "não mudar a identidade da igreja, que é tão tradicional". Esse é o discurso que vem sendo repetido há 25 anos e de lá para cá muita coisa mudou na Assembleia de Deus, nessa área, inclusive no ministério do Belenzinho. Temos uma igreja multifacetada, onde as heresias do neopentecostalismo disputam espaço com aqueles que querem manter a ortodoxia bíblica, a Bíblia Dake com os seus crassos erros doutrinários foi publicada pela CPAD, em desobediência a duas resoluções de caráter terminativo aprovadas pelo Conselho de Doutrina e pela Comissão de Apologética da instituição, e os usos e costumes já não são adotados com o suposto rigor pretendido pelo presidente nesses 25 anos. A julgar por uma foto que passou a circular há algumas semanas nas redes sociais, nem a apresentadora do único programa da CGADB na TV, Movimento Pentecostal, se enquadra na proposta do candidato. Ou seja, parece discurso eleitoreiro.

O pastor Samuel Câmara, por sua vez, falou ao repórter sobre os vícios da atual gestão e enfafizou que nos primeiros 58 anos de existência da CGADB, 21 presidentes se alternaram na presidência, enquanto o atual presidente teria interrompido esse movimento democrático de integração ao permanecer por 25 anos à frente da entidade. A proposta do pastor Samuel Câmara, segundo o jornalista, é reduzir o mandato de quatro para dois anos, com o fim da reeleição.


No frigir dos ovos, o jornalista Vinicius Gorczeski conseguiu transitar com imparcialidade numa área em que, geralmente, a imprensa é tendenciosa, lançando suspeitas de toda sorte, ao invés de ser isenta na forma de noticiar os fatos. No entanto, o que mais transpareceu na matéria foi a força política da igreja, como ficou claro em seu último parágrafo: "No Congresso Nacional, em meio a seus milhões de fiéis ou nas urnas que revelarão seu líder, a igreja dá mostras de poder e influência". Sinceramente, o meu desejo é que a Assembleia de Deus seja conhecida por outro prisma e não pelo da política.

11 comentários:

ideilson - pereira disse...

É muito lamentavel que muitos pastores se quer tem ciencia das manobras realizadas no meio politico, envolvendo essa tão grande instituição e ao mesmo tempo tao pequena, por parte da queles que fazem votam na mesma, por não reagirem. Apenas votam na continuidade. Isso é lamentavel, poderiamos ter maior proveito em todas as áreas, tanto no quesito espiritual quanto no ambito da politia mesmo.Da a impressão que muitos estão no cabresto.

MARCOS MARTINS disse...

UM NEÓFITO MACRÓBIO

A matéria da Revista Época nos dá como reflexação um pouco do que vivemos no passado tão recente, onde neófitoe e macróbio se confundem e particularmente eu me torno personagem desta crônica, apersar de neófito. Concordo com o Nobre Geremias do Couto que ao final diz: “Sinceramente, o meu desejo é que a Assembleia de Deus seja conhecida por outro prisma e não pelo da política.”

Fui ordenado ministro em 2003, na AD Madureira. Em 2005 sai na paz deste ministério e me filiei a CGADB, uma vez que meus laços sempre foram do lado de cá. Exerci vários cargos na estrutura da Igreja. No Jacarézinho com o saudoso Pr.Antonio Sales, em Niterói com o também saudoso Pr. Moisés Soares da Fonseca e na AD de Cordovil com o não menos saudosíssimo Pr. Valdir Neves – Como diria o poeta popular : Tempo bom, não volta mais.

Do lado de cá comecei a viver o que não tive a oportunidade de viver na CONAMAD, a discussão dos assuntos, a participação nas decisões da igreja – ELEIÇÃO DOS DIRIGENTES DA CONVENÇÃO - a visão e a liberdade de escolha e o mais importante: A liberdade de expressão e manifestação.

Como neófito, dentro do olho do furacão desde 2009 em Serra/ES, pude participar da mais concorrida eleição até hoje, para o cargo máximo da Assembléia de Deus no Brasil, e participar de um plenário diferente onde o direito de se falar o que pensa é respeitado, assim como a obrigação de ouvir o contraditório também o é. Como neófito aprendi aqui, que tempo de credencial não é posto, basta estar próximo do “papado” e ter alguma coisa para oferecer, observando em alguns casos que o legal não é levado em conta, mesmo sendo imoral. Porque nem tudo o que é legal é moral e nem tudo que é ilegal é imoral, e isso já foi objeto de manifestação no Blog do Pastor Geremias do Couto.

Mais que contra-senso: Um neófito macróbio! Minha história na denominação se confunde com a de muitos colegas, respeitando é claro, a idade e o tempo de serviços prestados – “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente. (2Co.4.17) Desse peso o meu respeito aflora quando me deparo com homens como: José Wellington, Samuel Câmara, Elinaldo Renovato, Geremias do Couto, Antonio Gilberto, e muitos outros. Longa é a lista, tornando-me macróbio pela experiência, pela companhia e pela própria história.

Foi nesta estrutura que me batizei em 1977, nela que coordenei o maior congresso de jovens do Brasil como Vice-Presidente da UMADER. Foi nesta estrutura que participei do comitê organizador da vinda do Navio Doulos – A Maior biblioteca flutuante do mundo - ao Brasil. Foi nela que vivi a experiência profissional a serviço da igreja, através do Comitê Interdenominacional dos Evangélicos na Constituinte em 1986. Foi nela que exerci o cargo de Secretário Executivo da CEADER na gestão do Pr. Horácio Jr, por indicação do saudoso Pr.Valdir Neves.

Agora, temos a oportunidade ímpar de uma participação efetiva, num plenário “democrático” e “eclesiástico” onde todos estarão envolvidos com a mesma certeza: Quem vencer deve ter compromisso com a Igreja de Jesus e não com a denominação de homens. Quem vencer precisa assumir publicamente a responsabilidade com os “neófitos” e com os “macróbios”. Quem vencer deve estar pronto para fazer a vontade de Deus e não cumprir alianças humanas. Quem vencer precisa estar alinhado com a vontade do Espirito Santo e não aliado a vontade de simplesmente ganhar uma eleição.

Porque Macróbio? Porque a carcaça do homem tem data de validade, não importando a posição que no momento ocupa, porque: Convém que eu faça as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar. João 9:4.

Por tudo isso, me considero um neófito macróbio.

Marcos Rodrigues, Pr.

Carlos Roberto Silva, Pr. disse...

Caro amigo e pastor Geremias Couto,

Profeta de ofício e ainda Jornalista profissional nas horas vagas, não tem pra mais ninguém, só dá furo de reportagem e notícias privilegiadas. rsrsrs

Parabéns!

Seu conservo,

Pr. Carlos Roberto



Pastor Geremias Couto disse...

Meu caro amigo e pastor Carlos Roberto:

A revista já estava nas livrarias do aeroporto ontem, quando já me encontrava em viagem para Brasília. Mas não poderia deixar passar a oportunidade de comentar a reportagem.

Se não, ficaria como aquele repórter que foi cobrir a inauguração de um shopping, mas voltou para a redação sem a notícia.

Quando o chefe lhe perguntou o motivo, respondeu: "O shopping pegou fogo", rsrsrs.

Pr Alessandro Garcia disse...

Concordo plenamente com o texto e principalmente com a frase "Sinceramente, o meu desejo é que a Assembleia de Deus seja conhecida por outro prisma e não pelo da política". Infelizmente temos em nossa denominação muitos obreiros que se identificam mais como políticos do que como Ministros do Evangelho. Lamentavelmente, muitos pastores tem abandonado o ministério da Palavra para se dedicarem a política. Sou a favor que um crente, com vocação política nos represente politicamente, mas não alguém que tenha recebido um chamado divino para o santo ministério.
O resultado deste desvio de foco tem mudado a cara da nossa igreja, pois ela passou a ser respeitada não pelo poder do Espírito Santo que a caracteriza como uma igreja viva e poderosa espiritualmente, mas como um enorme celeiro de eleitores que podem definir uma eleição presidencial... Isto é lamentável.
Que um dia possamos ser temidos e respeitados, sim, mas como a igreja apostólica: "Mas os judeus desobedientes, movidos de inveja, tomaram consigo alguns homens perversos, dentre os vadios e, ajuntando o povo, alvoroçaram a cidade, e assaltando a casa de Jasom, procuravam trazê-los para junto do povo.
E, não os achando, trouxeram Jasom e alguns irmãos à presença dos magistrados da cidade, clamando: Estes que têm alvoroçado o mundo, chegaram também aqui";
Atos 17:5-6

Que o Senhor desperte a nossa igreja e nossas lideranças.

Newton Carpintero, pr. e servo. disse...

Car pr. Geremias do Couto,

A paz amado!

A igreja católica necessitou de apenas 155 cardeais de vários países do mundo (48), para a eleição do SEU PAPA.

A igreja Assembléia de Deus necessita, de pelo menos, mais de 27.000 pastores para reelegerem o SEU PAPA.

O pior de tudo, é que haverá em poucos casos a necessidade de alguma oração. Uma grande parte irá querer ganhar no grito para vergonha dos que elegeram suas quantidades de pastores, muito além da necessidade das igrejas, e além da capacidade mínima para assumirem seus cargos. Puro interesse e vaidade!

Aguardemos um milagre. Que haja humildade e caráter, neste momento em que o mundo está de olho nos FUROS DE REPORTAGEM.

O príncipe do mundo está à espreita para tragar aos desavisados e interesseiros em aparecerem para os seus líderes.

Boca fechada, será um bom instrumento para o momento. Votar em silêncio, será o melhor para os que não querem passar vergonha diante das gravações e os vídeos que serão apresentados no youtube.com

Portanto, ..................
vigiar será um alto preço a ser pago por muitos dos não cautelosos.

O Senhor seja contigo,

O menor.





Newton Carpintero, pr. e servo. disse...

continuo.....

Será maldade admitir que mais de 25 anos no poder significa um reinado e que 29 será um abuso?

Será maldade admitir que mais de 25 anos no poder significa um jogo de interesses com muitos interessados?

Será maldade afirmar e informar que em algumas eleições passadas nomearam vários pastores para quantidades de votos a mais?

Será maldade informar que uma grande maioria dos votantes foram escolhidos por interesse ministerial na manutenção de poderes?

Será maldade afirmar que muitas das Assembleias de Deus no Brasil e no exterior se corromperam com suas HERESIAS?

Vale a pena informar que nada realizam para a eliminação das HERESIAS, por estarem cegos em suas campanhas e interesses políticos na eleição de familiares na troca de favores?

Será maldade afirmar que o evento Gideões de Camboriú tem processado HERESIAS, jamais vistas nas Assembleias de Deus?

..................... espaço especial para algumas sugestões...

1)
2)
3)
4)
5)
6)
7)
8)
9)

outras mais)

O menor.

Nill disse...

Pastor Geremias, por favro, mantenha-nos informados acerca de tudo que está acontecendo na AGO.

Tadeu de Araújo disse...

Distintos irmãos, graça e paz!
Há décadas fazemos parte da Assembleia de Deus ( Missão ou Belém), como queiram chamar, e não pretendemos jamais sair.
No entanto, seríamos hipócritas se disséssemos que, hoje em dia, infelizmente, não temos vergonha dos maus exemplos comprovados, principalmente, daqueles que estão comandando igrejas.
Muito embora saibamos que todos nós somos imperfeitos, entretanto, não é o mesmo que termos distorção de caráter.
Se Deus ressuscitasse Daniel Berg e Gunnar Vingren, e eles viessem visitar o Brasil, infartariam.
Assim pensamos, tendo em vista a onda de escândalos que ocorrem de maneira corriqueira.
E o pior é que muitos desses "pastores", quando confrontados a respeito de suas posturas erradas, de imediato, mencionam as passagens de 1 Crônicas 16.22; Salmo 105.15.
Portanto, fazem eisegese ao invés de exegese.
Reconhecemos, entretanto, que ainda há muitos ministros que dignificam a credencial que ostentam.
Portanto, rogamos a Deus que, pela sua grande misericórdia, acorde aqueles que estão na condição do pastor da Igreja de Sardes ( Apocalipse 3. 1), e somente eles não perceberam.
Em Cristo,
Tadeu de Araújo

Marcos Sant'anna disse...

Na palavra de Deus temos o sequinte:AT:13.1 E NA igreja que estava em Antioquia havia alguns profetas e doutores, a saber: Barnabé e Simeão chamado Níger, e Lúcio, cireneu, e Manaém, que fora criado com Herodes o tetrarca, e Saulo.
2 E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado.
3 Então, jejuando e orando, e pondo sobre eles as mãos, os despediram.
4 E assim estes, enviados pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e dali navegaram para Chipre.
Em 1º TM.4:16. Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina fazendo isto salvaras tanto a ti mesmo como os que te ouvem.
Concordo com a irmã Kedma Araujo em 100%.Conclamo aos nossos lideres a voltar ao uso da Palavra de Deus e mostrar a diferença entre o que serve e o que não serve a Deus no meio dos lideres da nossa amada A.DEUS Pr.Marcos Sant'anna CGADB 16300

Lindberg Dias disse...

Pr. Geremias, muita graça!
Tenho acompanhado pela CPADNEWS, as atividades da AGO bem como pelo seu blog. Diga-se de bastante importância para atualização de todo processo secundário à AGO, (transporte, acomodação, etc. etc.).
No entanto, passado este momento de efervescência eleitoral e interesses diversos, faz-se necessário a retomada de uma campanha nacional por mudança estatutária, nos arraiais da CGADB, mudança esta que venha coibir continua reeleição e perpetuação do poder temporal. Perpetuação esta, exercida, diga-se, não só no Rio de Janeiro, como também no Pará e Amazonas(históricos atestam).
O Brasil precisa urgentemente produzir, se é que já não tem um novo nome para condução da Assembléia de Deus.
Nossa denominação é maior do que a perpetuação e usurpação do poder (lamentavelmente é o que há).
Neste interin a difusão da 3ª via precisa ganhar corpo e vida, temos necessidade de um novo nome que possa nestes novos tempos de fato nos representar quanto instituição, e nisto acredito piamente que temos "ainda", bons nomes. Homens de senso cristão, não sentimento litigioso, homens de peso moral, não meramente gordos, rsrsrsrs, homens comprometidos com o crescimento espiritual, não com o seu crescimento patrimonial, homens apacentadores, não homens especuladores, homens espirituais, não homens triviais, homens amantes do REINO, não homens amantes de si mesmo. Espero que o nobre Pastor possa de fato levar a cabo esta idéia, que por si só não esta acabada.
Em Cristo,
Ev. Lindberg S. Dias
Feira de Santana – Ba.