sábado, 15 de dezembro de 2012

Connecticut: a crônica de um massacre anunciado

Policial retira crianças da escola. Foto: Newtown Bee/AP
Embora sob o impacto chocante da notícia, já não é com tanta surpresa que assistimos, mais uma vez, outra escola ser "metralhada" por um suposto psicopata nos Estados Unidos. É que o "modus operandi" se tornou previsível por seguir o mesmo padrão de outros ataques semelhantes, como o de Virginia Tech, que deixou 33 mortos, e o de Columbine, onde morreram 13 pessoas.

O massacre ocorreu na Sandy Hook Elementary School, em Newtown, Connecticut, e, segundo as últimas notícias, o número de mortos chegou a 27, entre os quais 20 alunos entre seis e sete anos, além da diretora e do psicólogo da escola. A mãe do atirador, uma colecionadora de armas, segundo a imprensa, teria sido assassinada pelo próprio na residência. Ao mesmo tempo em que somos tomados de profundo pesar pela tamanha barbárie, pelo sofrimento que atinge os familiares e a todos que prezamos os valores da vida em comum, perguntamo-nos também sobre as causas que levam esses indivíduos a cometer tais desatinos. Certamente os especialistas, mais uma vez, se debruçarão sobre o tema e darão distintas respostas... até que um novo ataque se desfeche e de novo se busquem explicações.

Sem entrar em muitos detalhes, e não deixando de respeitar o luto dessa fatídica hora, creio que por trás de tragédias como a de Connecticut e de outras ações com potencial de destruição maior o menor, sem entrar no mérito da valoração, pode estar a visão de mundo que essas pessoas desenvolveram ao longo do tempo. Infelizmente, predomina no meio acadêmico, de forma verticalizada, desde o ambiente da ciência, passando pelas universidades e as escolas de Segundo e Primeiro Graus, o ensino do naturalismo científico, onde tudo é produto de leis e acaso, numa cadeia evolutiva que começou lá atrás, numa sopa de física e química, até resultar, aos saltos, no tipo de vida como hoje conhecemos. 

Em outras palavras, por essa teoria, fomos gerados pela matéria, sem a interferência de qualquer projeto inteligente, embora a quantidade de informação genética que apenas uma célula dispõe, de maneira programada e organizada, seja maior do que todas as informações da Enciclopédia Britânica. Ainda assim, quando se levanta essa tese para provar a fragilidade do naturalismo científico, somos empurrados para o mundo religioso, como se a ideia do projeto inteligente fosse mera questão subjetiva, restrita à fé.

No entanto, se o naturalismo científico, embora sem nenhuma evidência que o comprove, é a forma pela qual se vê o mundo, onde a causa é a matéria e o efeito a própria matéria, que diferença há entre "animais" humanos e outros animais, visto que todos se igualam na origem e na substância? Por outro lado, que moralidade se pode estabelecer, se viemos do nada e ao nada voltaremos? Tal tese se reforça com a teoria da seleção natural, onde se descartam os menos qualificados como uma forma de aperfeiçoar o processo e, aos saltos, se chegar à utopia da raça perfeita.

Aonde quero chegar?

Com o predomínio do naturalismo científico, tanto faz matar uma pessoa, um gato ou mesmo uma barata. É tudo matéria. Não há diferença alguma. Assim, qualquer ética há de ser desprezada, visto que, se não somos fruto de nenhum projeto inteligente, são os nossos genes que determinam o nosso comportamento e não há, portanto, nenhum senso de valoração moral. É desta forma que se justifica, por exemplo, a defesa do aborto. Há até quem abertamente, em nome dessa falsa ciência, admita o infanticídio.

Não se surpreendam. Tragédias como a de Connecticut podem ter como pano de fundo a visão de mundo naturalista, que começa a se fortalecer no Brasil, com a decisão unilateral de não se aceitar a discussão do projeto inteligente.

Fica a advertência.

4 comentários:

Newton Carpintero, pr. e servo. disse...

Prezamado pr. Geremias do Couto,

A paz!

O título desta matéria é completo para a infeliz tragédia.

Os sinais indicam claramente que, tragédias como esta, já fazem parte de um cardápio manuseado por infelizes e deformados da verdadeira consciência comum aos seres humanos.

O Criador, não passa de uma fantasia a mais em suas mentes. Estes, conturbados pela vida carismática aos jogos e filmes repletos de violência, são multiplicados como seres digitais.

As mentes são marginalizadas pelo tempo em total solidão e sem produzirem o real valor ao sentido espiritual, são alimentados energéticamente por uma sociedade de muitos alienados e liderança responsável em reduzidas igrejas sadias.

Onde encontrarmos esta liderança que cada vez mais permanece enferma em seus propósitos de prosperidade e brigas engajadas por poder ministerial?

É tempo de segar o verdadeiro evangelho como o alimento eficaz. Alimento que funcionará como o remédio próprio e óbvio, à redução de tantas chacinas, e assim, e assim, em proporção, reduzirá ao menor número, os que não conseguem mais dormir, pelos momentos de angústia vividos em chacinas como esta.

O Senhor seja contigo, nobre pastor,

O menor de todos os teus irmãos.

Daladier Lima disse...

Prezado Pr. Geremias,

Gostaria de subscrever seu post. Preciso, direto, argumentativo e inteligente.

Abraços!

Anônimo disse...

Caro pastor Geremias,
A visão naturalista do mundo é tão perniciosa como é a visão supra-naturalista, tão enaltecida pela cristandade. Todas refletem um Deus nos moldes do platonismo; um Deus de fora em oposição à proposta do Verbo encarnado.
Enquanto não entendermos, para levarmos às últimas conseqüências, a proposta de Paulo nas suas cartas que nos aconselha a despojar do velho homem com seus feitos e nos revestir do novo homem o qual é conforme à imagem do Criador e, por isso, deve se renovar até o conhecimento pleno desse Criador (Colossenses 3), vamos desesperadamente tatear em busca de solução para os nossos dramas.
O mundo não pode mais ser refém da projeção de um novo homem, num mundo novo, apenas como evento a se realizar no futuro.
Pouca esperança nos move enquanto Cristo não for efetivamente formado em nós. Há uma profunda fratura existencial no mundo e, portanto, penso que não é mais possível vivermos apenas dos horizontes utópicos, que mais geram culpa e morte do que vida. A esperança da Glória só será possível com Cristo em nós agora. Em Cristo, Céu e terra são a mesma grei agora para a Vida com abundância.

Um abraço
Paulo Silvano
posis@uol.com.br

António Jesus Batalha disse...

Amados, entrei no seu abençoado blog, e verifiquei que aqui há vida, e que o amor de Jesus impera.
Dou-lhe os parabéns por este belo blog, que é mais uma ferramenta para levar a Palavra de Deus.
Vim também desejar-vos um feliz Natal e que o ano novo seja cheio de grandes vitórias em Cristo Jesus.
Fique na paz de Jesus.
António Batalha.