quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Terceira Via cria zona de desconforto




A esta altura, terminado o prazo para a inscrição de candidatos ao próximo pleito da CGADB, muitos se perguntam se a Terceira Via logrou êxito e lançou algum candidato. Como me tornei um de seus principais idealizadores e divulgadores, é meu dever vir a público prestar as informações necessárias.

Em primeiro lugar, nenhum nome foi lançado porque, embora a insatisfação seja generalizada entre a liderança intermediária, e alguns presidentes de convenções estaduais tenham manifestado bastante simpatia à ideia, não houve quem quisesse assumir o peso de enfrentar uma eleição em que mais uma vez se repetirão os mesmos procedimentos que ocorreram no Anhembi e em Serra. Não é fácil lutar contra um sistema cada vez mais contaminado pelas práticas “cinzentas” das eleições seculares. Por outro lado, alguns preferem não entrar em choque não porque sejam omissos, mas para tentar preservar - ao ver deles - o que ainda resta de “unidade” entre a nação assembleiana.

Em segundo lugar, recebi muitos emails e ligações para que eu mesmo me apresentasse como uma espécie de “anticandidato”. Estive muito propenso ao desafio. Mas tenho por hábito orar e ponderar as minhas decisões, apesar de, com todos esses cuidados, já ter muitas vezes errado. Há três semanas, um pastor do nordeste, que ocupa a presidência de um grande campo, cujo nome prefiro não declinar, gastou quase meia hora comigo ao telefone me estimulando a ser o nome da Terceira Via. Disse-lhe que estava em oração e me decidiria nos dias seguintes. Uma semana depois a decisão já estava tomada, mas deixei para anunciá-la hoje, após encerrado o prazo, até porque outro nome poderia surgir nesse período.

Em terceiro lugar, resolvi não apresentar o próprio nome por falta de condições pessoais. A luta pelo pão cotidiano me obriga a trabalhar com todas as minhas forças e, certamente, encontraria muitas dificuldades para conciliar a vida pessoal com as imposições de uma campanha, embora a proposta de Terceira Via, como já exaustivamente explicada no blog, não fosse lançar mão de recursos não se sabe de onde para levar a sua mensagem. Nesse sentido, estaríamos em enorme desvantagem.

Em quarto lugar, compreendi que para continuar em meu exercício profético, a campanha e a própria presidência, caso eleito, me trariam grandes limitações pela própria natureza de ambos. Assim, optei por manter-me independente e com liberdade para tratar de tudo quanto o Senhor me fizer entender que deva ser tratado, sem qualquer amarra institucional, embora eu saiba, com todas as letras, o custo que isso acarreta. Mas este é o meu principal chamado. Quero aproveitá-lo ao máximo, enquanto tiver vigor e saúde. Tenho muito a escrever, vários livros estão em andamento, além das diversas conferências, mesmo fora dos círculos assembleianos. Sob oração, fiz a minha escolha. É por aí que pretendo caminhar. Os que foram chamados para presidir, presidam.

Em quinto lugar, mantida a polarização, a Terceira Via desempenhou o seu papel de mostrar aos postulantes à presidência da CGADB que qualquer um que venha a ser eleito terá responsabilidade gigantesca em manter a unidade assembleiana hoje extremamente fragmentada por causa dessa luta ignóbil que se arrasta desde o Anhembi mais em função do poder do que da causa em si mesma. Aos que têm olhos para enxergar mais além, terrenos estão sendo preparados, aqui e ali, para a hipótese de se desvincularem da CGADB, se a próxima gestão não for capaz de fortalecer os laços denominacionais. A liderança terá de "descer" até os convencionais, buscar o diálogo e tirar a CGADB desse aprisionamento institucional que pouco faz e só orbita em torno da política, no pior sentido do termo. Ou seja, a Terceira Via criou uma zona de desconforto para o próximo presidente, se não se dispor a "arrumar a casa".

Em sexto lugar, não posso esquecer-me de um ensaio de minha autoria publicado no Ano 20 da revista Obreiro, número 5, em junho de 1998, onde, tratando sobre as tendências do denominacionalismo para este milênio, escrevi o seguinte:

“Vislumbram-se, portanto, duas realidades que identificarão cada vez mais as denominações daqui para frente. Os nomes terão pouca ou nenhuma importância em virtude da proliferação acentuada de novos grupos pelas razões descritas há pouco, acrescida da expansão dos chamados movimentos independentes, que não pensam em vincular-se a qualquer das estruturas existentes.

“A primeira realidade constituir-se-á daquelas igrejas cujo perfil refletirá o padrão ético do Reino de Deus e o compromisso com a integridade da fé, não importa, repito, o nome que ostentem nem a liturgia que adotem. A segunda terá como característica a falta de comprometimento com a Bíblia, a secularização de seus princípios, o conformismo com o sistema pecaminoso do mundo e o apego ao brilho fácil do materialismo. Sem querer simplificar, as duas realidades estão identificadas na Bíblia pelas igrejas de Filadélfia e Laodiceia.

“Estes perfis estarão de tal modo cada vez mais presentes na vida denominacional que as pessoas não perguntarão pela denominação em si, mas pela tipo de fé que professa. Até mesmo porque muitas congregações têm posturas que diferem de outras adotadas por igrejas da mesma denominação. O tipo de comportamento peculiar dessa época em ambos os grupos é assim descrito pelo apóstolo João: ‘Quem é injusto faça injustiça ainda; e quem está sujo suje-se ainda; e quem é justo faça justiça ainda; e quem é santo seja santificado ainda’, Ap 22.11”.

Em outras palavras, se estiver no plano de Deus implodir os sistemas denominacionais, por mais que eu me empenhe em favor de nossa estrutura assembleiana, estarei lutando contra o próprio Senhor.

Por fim, informo que, se Deus me permitir, estarei na próxima AGO em Brasília, DF, em abril de 2013, mas deixo registrado desde já que não manifestarei apoio a nenhum dos candidatos. Optarei pelo voto em branco. Aproveitarei a oportunidade para rever amigos, compartilhar experiências e desfrutar da comunhão que une os santos do Senhor.

Soli Deo Gloria.

9 comentários:

Luis Carlos Abadie disse...

Felizmente a massa assembleiana passa ao largo dessas disputas de poder. A Igreja cresce, independente dessas "convenções", porque o rebanho evangeliza, ganha almas e se prepara para a vinda de Cristo.
É que: "Ninguem detem! A Obra é Santa!"

Marcos Belizário disse...

Amado Pr Geremias do Couto - graça e paz.
Li e reli por diversas vezes - TERCEIRA VIA CRIA ZONA DE DESCONFORTO.Sinto-me desapontado, me recordo de ter sido um entre tantos que escreveram dando apoio a TERCEIRA VIA, e divulgando entre todos os companheiros,porque eu como tantos outros acreditavamos na 3ª VIA,permita-me não concordar com as explicações expostas pelo amado, a Terceira Via só surtiria efeito se tivesse um candidato,era o que esperavamos;não tendo de nada adiantou, muito barulho sem nenhum resultado, os candidatos continuarão os mesmos e a CGADB continuará nos mesmos caminhos, acreditei desde o começo que a TERCEIRA VIA lutaria, mesmo não ganhando mas se faria presente como uma opção àqueles que estão cansado desse sistema,para não votar em branco como o amado o fará se lá for, infelizmente não aconteceu o que muitos de nós esperavámos, porque??? Os argumentos expostos não me convenceram, repito, pois devia ter sido pensado antes de começar este movimento.
Enfim, precisamos mudar o slogan que ficou registrado nas minhas paginas e de muitos outros durante muito tempo para - TERCEIRA VIA NA CGADB - EU NÃO ACREDITO!
Abraço fraternal,
Pastor Marcos Belizário

Max Perillo disse...

Pr Geremias, saudacoes em Cristo!
Faço minhas as palvras consistentes e honestas do Pr Marcos Belizário. Também difundi esta ideia entre os amigos e o interesse era grande.

Creio que o irmão tenha diminuído a Terceira Via ao não acreditar que esta idéia poderia lograr êxito entre os convencionais mesmo em "desvantagem". A massa assembleiana não aguenta mais as coisas como estão. A Terceira Via era a chance que tínhamos para pôr as coisas nos eixos.

O senhor era o nome para a Presidência. É conhecido, tem bom trânsito entre os pastores, inclusive os dois atuais candidatos e é independente, o que traria para a CGADB um trabalho técnico e não meramente político. Penso não ser tão difícil achar mais 18 nomes de pessoas do seu nível para compor a chapa da Terceira Via.

Ficar só escrevendo nos blogs não basta, é preciso ir à luta. As objeções deveriam ser pensadas antes.

Estou muito decepcionado. A Terceira Via foi uma esperança que ficou pelo caminho.

Continuaremos a orar pela nossa CGADB. Fique com Deus!

Max Perillo/RJ.

Irmão Franklin disse...

Saudações cordiais na Paz do Senhor Jesus Cristo!

Irmão Geremias.

sai no dia de hoje, 01/11/12, os nomes dos candidatos a mesa diretora da CGADB, na hora que vi me espantei, tem sim um candidato sendo a terceira via, Willian Silva Iack, parece que é da AD Plano Piloto DF.

Agora o senhor tem em quem votar já que tem a terceira via para CGADB.

Gutierres Siqueira disse...

Pastor Geremias, a paz!

Vemos uma decisão pautada na sabedora que Deus lhe deu. Que o Senhor continue guiando os seus passos para a contribuição de uma CGADB melhor.

A frase a seguir é simplesmente fantástica para expressar como o nosso foco deve ser o foco do Reino de Deus: "Em outras palavras, se estiver no plano de Deus implodir os sistemas denominacionais, por mais que eu me empenhe em favor de nossa estrutura assembleiana, estarei lutando contra o próprio Senhor."

Abraço

Moyses Godoi disse...

Entendo perfeitamente sua posição, uma coisa é manifestar-se e mesmo encabeçar o movimento outra é colocar-se a disposição para tal cargo, há a questão do chamado, e se os que sentem ter tal chamado não se dispuseram; não será a chamada do que os homens julgaram ser para o sr Pastor Geremias que vingará...

Lamento profundamente que não tenha chegado a hora de Deus ainda, mas creio piamente que este movimento cumpre cabalmente seu papel enquanto se enquadra no projeto de Deus,e se a hora é de Deus ela ainda não chegou!

Aguardemos em Deus, pois, desde sempre o povo de Deus teve o líder que merecia e merece, e não será diferente agora nem depois, o justo como sempre pela fé viverá...

Matias Borba disse...

Nobre pastor Geremias do Couto,

Decisão tomada aos pés de Cristo, em oração e sabedoria; peço a Deus que o abençoe ricamente por tamanha sabedoria outorgada por Deus.

Oxalá os candidatos a CGADB, que só se repetem e, em muitos casos, muitas cosas só pioram, tivessem essa sensibilidade.

Nada a dizer se não parabéns pela honestidade, sabedoria e preservação de sua comunhão com Deus.

Encerro dizendo que a Terceira Via veio e cumpriu seu papel perfeitamente, mostrando as mazelas da CGADB que tanto mancham nossa Assembleia de Deus.

Continuaremos dividido país a fora, em Pernambuco nem se fala. Mas creio eu que a Terceira Via abriu os olhos de muitos de nossos Ministros.

Forte abraço, conte com nossas orações e de muitos irmãos e Ministro pernambucanos que enxergaram todos os benefícios da terceira Via! Que ela continue abrindo os olhos que, quem sabe, estavam fechados em sua maioria.

Deus abençoe!!!

Roberto Alves disse...

Querido Pastor Geremias do Couto e irmãos da Terceira Via.
Acho nobre e válida a vontade de mudar a situação atual. Tambem achei interessante a motivação levantada pela terceira via no sentido de abrir novas oportunidades para pastores que querem contribuir com a CGADB com seus talentos e chamado.
Se uma coisa eu tenho visto nao só na CGADB mas em qualquer mudança ou avanço é que idéias sem ação não são válidas. Fé sem obras....

Enfim é neste momento que começo a repensar e analisar as opções que temos pela frente. Uma coisa é criar um site ou blog com uma idéia de renovação, outra coisa é enfrentar o sistema e tentar causar uma mudança real. Neste tempo tenho aprendido a apreciar o Pr. Samuel. Pode ter os defeitos que alguns irmãos apontam...mas todos temos. Uma coisa que venho apreciando é sua postura quanto a Levantar um ideal. Ele tem dito no Brasil que não que nao está candidato para ser presidente mas para alcançar um ideal de ter novos pastores a frente da CGADB. Perdemos esse marco historico de alternancia, e vejo nele um homem corajoso para levantar a voz não só em blog mas nas convenções.

Existe hora de falar e de se calar, como o Pr. bem mencionou nesse post. Já estamos calados a 25 anos. Interpreto o texto diferente to Pr. penso que a hora de falar é agora. Sendo assim venho anunciar meu voto ao Pr. Samuel Câmara, e indico todos os pastores da TErceira via a fazer o mesmo. Ele é o avanço que precisamos... ele é o inicio .. nós podemos ser o meio ... fim ... os participantes.

Paz.

Pastor Geremias Couto disse...

Caro Roberto Alves:

Mencionei "a hora de calar" na postagem anterior, quando, ainda, se pensava se haveria ou não condições de levar a ideia da Terceira Via avante.

A partir de agora, com as candidaturas apresentadas, é hora de pôr a boca no trombone.

Abraços!