segunda-feira, 5 de julho de 2010

CGADB E CPAD: A QUE PONTO CHEGAMOS!

A notícia de que alguns pastores de diferentes convenções estaduais abriram processo na Justiça do Rio de Janeiro para pedir a prestação de contas da CGADB e da CPAD é mais um capítulo nessa longa e desgastante maratona iniciada no Anhembi, cujo fim, pelo que posso perceber, não chegará tão cedo. Faltou aos diretores de ambas as instituições atentar para um fato: normas estatutárias existem para ser cumpridas e se isso não acontece a anarquia se instala. Queria sinceramente ter outras palavras para atenuar a minha forma de expressar, mas não disponho de alternativa. Anarquia é o que se verifica no âmbito da administração de nossa entidade, embora sua liderança tenha sido muitas vezes alertada que se os rumos não fossem corrigidos chegaríamos a esse ponto.


Algumas pessoas com as quais tive contato pessoal acharam que foi muito pesada a analogia com o baile da Ilha Fiscal, empregada por mim na postagem anterior sobre o assunto. Deixaram subentendido que eu poderia ter sido um pouco mais "prudente", menos rigoroso na comparação, "pois tudo está sob controle e sem nenhum ilícito em ambas as instituições". Poderia eu até admitir que esteja, mas se isso é verdade o correto seria não permitir que tais questionamentos chegassem à Justiça, como chegaram, mas adiantar-se a eles e pôr tudo em pratos limpos em cumprimento ao que rezam os estatutos de ambas as instituições. Mas até agora nada disso foi feito.


Ao contrário, tivemos a renúncia do então primeiro vice-presidente, anunciada em carta na qual afirma, entre outras alegações, que um dos motivos para a sua atitude foi a inoperância da liderança em sanar os graves problemas contábeis. Não demorou muito e veio também a renúncia do pastor Antonio Silva Santana, então primeiro tesoureiro, que apresentou indícios ainda mais consistentes, no comunicado enviado à Secretaria-Geral da CGADB. E, ao que eu saiba, nada se falou sobre o assunto, nem mesmo na reunião de presidentes de convenções estaduais convocada para o dia 30 de junho e realizada na data especificada, nas dependências da sede da entidade.


Reconheço a recomendação de Paulo aos coríntios (1 Co 6.1-9) como o caminho correto a ser trilhado entre os crentes em questões litigiosas. No meu caso, já sofri danos, alguns irreparáveis, e nunca levei ninguém e nenhuma instituição à Justiça, cristãos ou não. Espero que nunca tenha de fazê-lo. No entanto, em relação às instituições acima faz tempo, muito tempo, por sinal, que o texto paulino não é levado em consideração pela intransigência dos que as lideram. Agora mesmo, o novo primeiro vice-presidente da CGADB, pastor Oscar Moura, por quem tenho profundo respeito, teve de buscar na Justiça o seu direito, com a vacância, para ser investido no cargo, quando, houvesse predisposição para a discussão e o diálogo, a questão poderia ser resolvida interna corporis.


Não entro no mérito da linha doutrinária adotada pelo pastor Silas Malafaia. Essa não é a discussão aqui. Mas sabe-se que durante o tempo em que tanto ele quanto o primeiro tesoureiro exerceram suas funções foram insistentes em pedir aos seus pares que atentassem para os graves problemas contábeis em ambas as instituições. No próprio comunicado da renúncia do pastor Antonio Silva Santana é mencionado, por exemplo, que o Conselho Fiscal solicitou à Mesa Diretora uma auditoria independente sem que a medida até hoje tenha sido providenciada. Apenas a título de comparação, volto novamente ao imbróglio Dake. Duas resoluções determinativas foram aprovadas pelo CD e pela CA e até hoje não surtiram nenhum efeito. Como explicar tal comportamento? A única ideia que me vem à cabeça é que os pares dos renunciantes parecem não conseguir enxergar que o barco está fazendo água. Não tem outro jeito. Parecem ter o mesmo sentimento dos governantes do império durante o baile da Ilha Fiscal.

A inicial informa, por exemplo, que em março de 2010 duas notificações extrajudiciais foram encaminhadas a quem de direito com a solicitação para que num prazo de dez dias a prestação de contas fosse apresentada, sem que houvesse qualquer manifestação das partes solicitadas. Informa, ainda, que novamente, em maio, os notificados receberam outras notificações extrajudiciais, não havendo das partes outra vez qualquer iniciativa, pois "novamente quedaram-se inertes, sem prestar as contas solicitadas ou mesmo ofertar qualquer resposta àquele questionamento extrajudicial". Ora, vale lembrar que essas iniciativas têm o fito de evitar uma demanda judicial desnecessária, se houver da parte demandada o devido esclarecimento dos fatos, bem como assegurar que foi concedida a ela a oportunidade da correção do feito antes da demanda propriamente dita. No entanto, nenhuma medida foi tomada. E cabe mencionar que, a ser verdade o que se pretende seja apurado, trata-se de fatos extremamente graves.

Assim, pelo meu entendimento não restou outra alternativa aos pastores elencados na inicial (soube que havia mais de mil procurações prontas para juntar-se à petição) abrir o processo para que pelas vias judiciais todos sejamos esclarecidos sobre esses indícios até porque é direito de todos os associados da CGADB o acesso às  informações e à deliberação sobre as contas dos órgãos acima, como peticionado na inicial. Como o processo começou a tramitar no dia 30 de junho e foi dado o prazo de dez dias aos responsáveis por ambas as instituições para manifestar-se nos termos da inicial, aguarda-se que até a próxima semana haja algum pronunciamento.

É esperar para ver.

No entanto, se diversas medidas saneadores fossem tomadas depois das eleições, não teríamos chegado até aqui.

Estas são as grandes novidades do Centenário. Mas sobre isso falarei noutra postagem.

13 comentários:

Pr. Marcos Serafim disse...

Nobre Pr. Geremias,

A paz do Senhor!

Que situação lastimosa essa , infelizmente o que poderia ser um Centenário de paz,esta culminando para um desacordo total, e as partes parecem não entender que o problema é serio.
A meu ver parece também não haver preocupação em responder os questionamentos apresentados, e tudo indica que estão levando a coisa em banho-maria, mas os fatos são extremamente delicados e precisam de respostas, pelo menos aos convencionasis que aguardam uma resolução definitiva do caso.

Na esperança de dias melhores;

Pr. Marcos Serafim

Ivair J. Lehm disse...

É lamentável essa situação, estou convencido que devemos rever este negócio de cargo vitalício, pois esta entidade ao que parece, se tornou como varias outras, uma esécie de feudo medieval, onde a herdade se transferia de pai a filho, tendo o resto do povo como coadjuvante ao cargo de "simples" responsáveis pela produção e pagadores de impostos, para manter a corte, formada em sua maioria pelos proprios senhores feudais.
Um dia o sistema desmoronou, assim como está acontecendo e irá acontecer com muitas outras entidades. Lembrem-se amados, o regime comunista, a cortina de ferro do leste europeu, escondia uma miseria absoluta do povo e o sucateamento dos serviços basicos essenciais a população daqueles países, e os detentores do poder, pensavam estar no controle de tudo, acima de Deus e dos homens, mas...aos meus 22 anos de idade, vi na tv os muros cair e o regime desmoronar para sempre...tomara que não cheguemos a este ponto, onde ninguem mais apóia o comunismo e seu sistema, que não cheguemos ao ponto de ninguem mais acreditar nas nossas entidades...
A Deus toda a Glória

Laudinei disse...

Tento imaginar o que acontece nas igrejas e ministerios destes lideres, pois lá eles são verdadeiros donos.
Pobre do povo. E ainda falam do mal do "papa"
E o pior de tudo, se fosse possivel esta turma "cair", os que estão de olho no cargo não mudariam muito a situação;

VOLTEMOS AO EVANGELHO PURO E SIMPLES. O $HOW TEM QUE PARAR.


Laudinei
exemplobereano.blogspot.com

zwinglio rodrigues disse...

pR. cOUTO, pAZ!

Lamento que a Assembléia de Deus esteja passando por um situação como essa. Por outro lado, alegro-me porque os erros que naturalmente o homem pode comenter, estão vindo a tona. Há uma espécie de juízo divino nesse imbroglio todo; portanto, esperemos por dias melhores.

Ademais, felicito por expor esses problemas que trazem mais danos pro Corpo do que pra sua própria denominação.

Abraços!

Charlles Oliveira disse...

Caro Pastor Geremias do Couto,
A paz do Senhor!

Como diria o saudoso pastor Francisco Raimundo (Macau-RN), “é a mão de Deus que está sacudindo o Egito!”
É lamentável a situação, mas no mínimo alguma coisa está errada na cúpula assembleiana, desse jeito não pode continuar. Por muito tempo os erros administrativos dos “ungidos” ficaram impunes, eles eram INTOCÁVEIS! Eram, pois já não o são, o juízo começou e acredito que será necessário afivelar o cinto na cadeira, pois muita turbulência virá muito em breve.

Daladier Lima disse...

Prezado Pr. Geremias, me associo aos seus temores e apreensões. E se a Justiça, após determinada a abertura dos documentos, encontrar algo que corrobore formação de quadrilha, apropriação indébita e evasão fiscal? Será muito pior. Pela enésima vez afirmo: o problema é estrutural. Ninguém quer largar seu naco de poder. O tempo, porém,...

a verdade do evangelho disse...

E agora intocáveis, como sair dessa? Quando ouvimos de pastores que cairam em pecado, os crentes logo pensam no pecado de adúltério, mas a meu ver tem muitos pastores caídos nos pecados relacionados com o dinheiro. As ovelhas são disciplinadas e excluídas até por quastiunculas de usos e costumes, mas os "ungidos" só pecam se adúlterar. Mas diante do Juíz de toda terra a coisa é diferente. Que Deus toque nos intocáveis.

Pb. Edinei, Th.B

Marcelo disse...

Pr. Geremias do Couto,
a paz do Senhor Jesus.

Veja o senhor: aqui na PB, entre os batistas também há problemas. Um certo gestor não explicou tantos gastos havidos em nome da Convenção, vez que ele não tinha autoridade para fazê-los. São muitos milhares de reais. Ocorre que já existe a divisão: criaram uma nova Convenção Batista, no sertão do Estado e o pastor continua impune - se é que é culpado. Agora estão na Justiça Comum, para resolver o problema. Existem muitos outros pastores - e, é bom frisar que não foram influenciados pelo pastor Silas Malafaia - que não querem mais o caminho antigo da denominação batista, querem modernizar. O meu lamento é a divisão dos irmãos. Que tal decidirem tudo em discussões, estudos e depois no voto - foi o que aconteceu com as mulheres vocacionadas, que receberam o direito de serem "nomeadas" pastoras, já que na realidade algumas já exerciam o pastorado. Será que isso está acontecendo com os Presbiterianos e com os Congregacionais também? Quem mexe com dinheiro precisa dar relatório, senão vêm os problemas desse tipo.

Marcelo Hagah
João Pessoa-PB

Leonardo Gonçalves disse...

Pastor Geremias,

Nem sempre o que é fácil é o correto, e estou certo que nesta situaçao o mais cômodo seria permanecer calado.

Abraço fraterno,

Leonardo

Victor Leonardo Barbosa disse...

O que mais em entristece, pastor Geremias, são as atitudes tomadas dentro da CPAD. Simplesmente foi lamentávelç(e ainda é) ver o episódio do caso Dake. Não foi um simples erro de publicação, mas sim uma falha grassa oriunda de uma editora confessional.


Concernente a CGADB, o problema estrutural, moral e espiritual que ali existe apenas está se revelando mais e mais, chegando ao seu ápice. Não há dúvidas que mudanças são necessárias, mas de onde virão? Reitero mais uma vez: Continuemos na luta!

Um forte abraço e Deus o abençoe!

Luciano Lourenço disse...

Gostaria de dizer alguma coisa, mas vou deixar Jesus dizer por mim: “Muitos me dirão naquele Dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E, em teu nome, não expulsamos demônios? E, em teu nome, não fizemos muitas maravilhas? E, então, lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade”(Mateus 7:22).

BLOG PONTO DE VISTA disse...

Ola Pr,
A PAZ...
o Blog está muito rico
já linkei
www.jotabepontodevista.blogspot.com
JB

Ebim disse...

"ATÉ QUE VOLTE O SALVADOR, CERCAMOS A MESA DO SENHOR" - São as iniciais do Hino 53 da nossa H.C.

Santa Ceia e mais santas ceias são celebradas, e esse povo participa delas normalmente... Pregam, celebram, partem e distribuem o corpo de Cristo diante do altar... Com qual consciência?? É sério... Muito sério!!

Será que para o chamado pecado institucional não se faz necessário de que o homem "examine-se a sim mesmo"?

No dia da Santa Ceia, pregam, vociferam dos púlpitos colocando terror nos crentes, dizendo que se não se consertar vai pro "inferno".

Mas, o pecado institucional não, este não tem problema, não tem importância. É questão administrativa (hum!!) INCLUSIVE, HÁ QUEM DÁ O IRRESTRITO APOIO. (são os que consentem, dos tais também não é o reino dos céus...)

O Pecado Institucional tem chegado nas Igrejas também: imperialismo, absolutismo, monarquianismo, feudalismo, profetismo,e por ai vai...

Como pecado institucional queremos ainda acrescentar: a maquilagem financeira dos relatórios de organizações eclesiásticas (igrejas e convenções), famílias inteiras arroladas na folha de pagamento de igrejas,
como cabides, a desesperada necessidade de se manter no poder eclesiástico, custe o que custar, bom o espaço não dá prá ir além...

MAS JÁ BRADOU O PROFETA: "Porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus[...]" 1Pe 4.17

ANTES QUE VOLTE O SALVADOR:

>Ficaremos boquiabertos, abismado com os acontecimentos e os fatos que virão à tona;

>Estaremos arrepiados com o que acontecerá a homens e mulheres que se dizem servos e não são, a não ser escravos dos seus próprios interesses;

AH! Mas Deus olhará pela nossa CGADB e pelas Assembléias de Deus no Brasil e varrerá essa sujeirada toda que está debaixo dos tapetes.

O grande problema é que os dois lados oram para Deus dá vitória. Seria cômico se não fosse trágico...

O que esses homens fizeram de justo, de bom, de boa fama ficará nos anais da história ninguém pode tirar.

As Assembléias de Deus no Brasil merecem o devido respeito de seus líderes, pastores e membros.

No seu centenário vai ganhar o que de presente? O insano desejo pelo poder de seus líderes. Quando esperávamos que num horizonte ainda que distante pudesse ocorrer a união das Convenções nacionais, rompe-se as entranhas da CGADB em duas festas, completamente divididas, uma da CGADB e outra da AD. do Belém (PA) totalmente fora do contexto da unidade, sem contar os problemas internos. (AARRGHHH)

Ora, trata-se de uma igreja que tem afincado marcos e estruturas morais, espirituais, éticas e sociais no decorrer desses 100 abençoados anos, para agora ser vilipendiada, ultrajada em razão de questões de certa forma fácil de resolver.

Dizer ERRAMOS é uma virtude que, mesmo que aja consequências dos atos, será enobrecida pela MISERICÓRDIA.

O que nos resta é orar e agir, e no momento e no fórum ideal usar o direito de fala e voto.

Mas não é só com falação (eles cortam o som); a sugestão é recolher assinaturas e encaminhar a MD. forçando ao que necessariamente esperado.

E assim...

Cabe-nos esperar o dia da vinda de Cristo para buscar a Igreja: Quantas surpresas teremos...

Credencial, tempo de casa, obras e feitos, não haverá de pesar se o pecado não for confessado e deixado.

EM SUMA:
PR. GEREMIAS DO COUTO, UMA VOZ ENTRE MUITAS, QUE ECOA BRADOS DE JUSTIÇA, NO VALE DA DECISÃO.

UM FORTE ABRAÇO NA PAZ DO SENHOR PARA TODOS...

OS QUE SÃO SANTOS CONTINUEM CERCANDO A MESA DO SENHOR, ATÉ QUE VOLTE O SALVADOR...