sábado, 6 de março de 2010

Minha tréplica sobre a Dake ao pastor Altair Germano

Li no blog do pastor Altair Germano a réplica à minha postagem abaixo, e como, a meu ver, alguns pontos ali discutidos permaneceram obscuros ou não foram bem fechados, enquanto outros não foram respondidos (é só comparar ambas as postagens), volto ao tema no intuito de aclarar ao leitor essas dúvidas e ajudá-lo a formar juízo de valor neste momento em que, queiramos ou não, vivemos na CGADB uma crise institucional que só será resolvida mediante o cumprimento pela CPAD da resolução que se constitui no eixo de toda essa discussão.
Vamos aos pontos.
1. Quanto ao item primeiro, em que o caro colega procura justificar que o título dado à matéria “não põe em dúvida a idoneidade da CPAD, mais expressa o meu [o seu] entendimento pessoal em forma de interrogação, (sic) de que a Dake poderia continuar sendo publicada e vendida”, comete uma impropriedade linguística pela simples razão que só há uma forma de interpretar a pergunta retórica formulada no título: a CPAD poderá não cumprir a deliberação de não mais publicar a Dake, o que implicaria em não acatar a determinação dos órgãos já mencionados. Não existe outra possibilidade.

Repitamos o título para que o leitor possa por si mesmo avaliar: “A Dake não será publicada, nem vendida pela CPAD?” Existe outra maneira de se entender a pergunta, senão a que expus acima? É como se afirmasse: só vendo para crer. Ou: só os ingênuos acreditam. Quisesse o pastor Altair Germano que o título expressasse o significado que ele deu em sua réplica, de que em sua opinião, “a Bíblia poderia continuar sendo publicada ou vendida”, o título teria de ser reescrito possivelmente desta maneira: “Não deveria a CPAD continuar a publicar e vender a Bíblia Dake?” Veja que a diferença é gritante de uma para a outra pergunta. A outra pressupõe o não acatamento da resolução. Esta, sim, admite o desejo de que a editora pudesse continuar publicando e comercializando a obra. Mas entendo que às vezes pensamos estar sendo claros no que escrevemos, mas nem sempre conseguimos. É a labuta de todo escritor.

2. Quanto ao item dois, entendo e aceito os esclarecimentos do pastor Altair Germano de que sua postagem é pessoal e não representa a posição dos órgãos aos quais pertence. Todavia, como se trata de uma questão institucional que envolve dois outros órgãos e uma empresa pertencente à mesma instituição à qual, no caso, também pertence o Conselho de Educação e Cultura, teria sido melhor evitar a menção ao cargo, pois transpareceu estar falando em nome do órgão. Se me lembro bem, vi o pastor Altair usar outra vez o mesmo recurso também em uma postagem da Bíblia Dake.
3. Quanto ao item três, sobre a frase: “Pelo menos é esta a informação que circula na blogosfera evangélica”, a explicação do pastor Altair Germano de que a usou porque não tomara conhecimento oficial do fato não convence como escusa para justificá-la. Embora o pastor Carlos Roberto tenha divulgado o resultado da reunião em Campinas em caráter pessoal, ele é o secretário do Conselho de Doutrina, esteve presente e, pela lógica, em virtude da função que exerce, participou da redação do documento, além de ter votado. Assim, a afirmação, como foi feita, transpareceu uma descortesia para com o colega, mesmo que involuntária. Deu a impressão tratar-se de um blefe, quando de fato a fonte, ainda que pessoal, veio do próprio Conselho de Doutrina. Caberia aqui, a meu ver, uma reparação.

4. Quanto ao item quatro, nada a comentar, tendo em vista o colega ter concordado.

5. Quanto ao item cinco, é certo que ao Conselho de Doutrina compete “deliberar sobre qualquer assunto de natureza doutrinária, direta ou indiretamente relacionado com as Assembleias de Deus”. Essa cláusula tem como escopo, por exemplo, produzir súmulas, documentos, pareceres etc., com o fim de posicionar o pensamento da igreja em circunstâncias que exijam tais manifestações. O Conselho de Doutrina já fez isso em passado recente e não tenho dúvida que não fugirá às suas responsabilidades, como não creio que o Conselho de Educação e Cultura, do qual é vice-presidente o pastor Altair Germano, se furtará de orientar as igrejas sobre seminários teológicos com ou sem credibilidade para receber alunos assembleianos.

No entanto, reafirmo que não compete ao Conselho de Doutrina aprovar ou reprovar formalmente obras editadas por outras editoras. Assim, o episódio mencionado pelo colega remete mais ao Conselho de Ética e Disciplina, posição com a qual o caro pastor também concorda, acrescida também da informação de que tal representação já foi feita por outro obreiro (Como associado da CGADB, solicitarei cópia dessa representação à Secretaria-Geral.). Mas enquanto escrevia, lembrei-me de um dado interessante que cabe ser esclarecido neste momento em que se procura realçar essas funções, que também se estendem ao Conselho de Apologética: Por que a CPAD retirou de circulação a revista Resposta Fiel, que era o braço dessa Comissão em defesa da fé junto à igreja?

6. Quanto ao item seis, se a Secretaria-Geral da CGADB tem um sistema de documentação bem organizado, essa resolução certamente está arquivada e à disposição de quem queira conhecer o seu teor. É o nosso órgão máximo, através do departamento competente, que tem a obrigação de preservar os documentos aprovados por todos os seus órgãos. Assim, é muito fácil dispor da informação oficial: basta requerer cópia da resolução à Secretaria-Geral.

7. Quanto ao item sete, o caro colega, talvez por lapso de leitura, mutilou o parágrafo (como se quis fazer com a Dake) e deixou o seu sentido incompleto, como se eu não tivesse mencionado os outros “nós”. Assim, republico-o de forma integral:

“Para encerrar, creio que é hora de refletir, não acirrar os ânimos ou deixar pressuposto que podemos ainda experimentar uma longa batalha por causa da Bíblia Dake. Todos, ao contrário, deveríamos, sem dubiedade, demonstrar à CPAD que o melhor caminho, agora, é o da obediência. Esse é um nó que precisa ser desatado. A persistir assim, os outros nós continuarão como estão” (grifo meu nesta postagem).

Destaquei duas coisas aí: a obediência da CPAD à resolução como um nó que precisa ser desatado, para, então, afirmar que, se isso não ocorrer, “outros nós continuarão como estão”. Ou seja, sem querer ser repetitivo, reconheci a existência de outros “nós” e que eles necessitam ser desatados, deixando claro, todavia, que o mais imediato continua sendo o da Bíblia Dake. Ou seja, a minha afirmação atende a sua resposta.

Finalizo, meu caro colega, acrescentando que para os renomados e respeitáveis pastores Elienai Cabral e Antonio Gilberto (prezo-os de coração), os quais recomendaram a Bíblia Dake, bem como para todos nós, vale o comentário que o irmão escreveu acerca do saudoso missionário Eurico Bergstén: “Assim como qualquer outro grande homem de Deus, ele [Eurico Bergstén] não é infalível. Ninguém pode ter a vida e a reputação julgada por uma única falha, e não estamos fazendo isto aqui” (para ler todo o texto, clique
aqui).

Espero vê-lo e abraçá-lo na próxima sexta-feira, dia 12 de março, Deus permitindo, nas comemorações dos 70 anos da CPAD.

6 comentários:

Pr. Carlos Roberto disse...

Caro amigo e pastor Geremias do Couto,

A Paz do Senhor!

Meus sinceros cumprimentos!
Creio que quanto o assunto principal, ou seja, a publicação da Bíblia de Estudos de Dake pela a CPAD, nada mais há que se falar, senão o aguardo do cumprimento ou não das resoluções tomadas pelo CD em conjunto com a CA.

A bem da verdade, não vejo concorde com tal publicação, a não ser a defesa do que é indefensável.

Que o Eterno nos ajude a mantermos a comunhão, apesar desse problema, o qual a meu ver não merece qualquer discórdia.

Sem denegrir o pr. Finnis Dake, a Assembléia de Deus no Brasil viveu 100 anos sem essa obra e não temos necessidade que ela venha continuar trazendo discórdia entre nós!

Acredito inclusive, que nem Dake estaria contente com isso!

Mais uma vez, parabéns pela sua sábia exposição.

No meu entender, qualquer coisa a mais do que já foi escrito sobre esse assunto, não passa de retórica e jogo de palavras!
É o disco repetindo a música sem limites!rsrs

Um grande abraço!
Pr. Carlos Roberto

ALTAIR GERMANO, disse...

Nobre companheiro, amigo e pastor Geremias do Couto,

entre as reais intenções do escritor e a interpretação do leitor haverá sempre a possibilidade do equívoco na interpretação do texto.

Tal fato se dará pela falta de clareza na escrita, ou por falta de neutralidade, ou influência de paradigmas, ideologias, cosmovisão etc.

Como autor do título do post, mas, mesmo que não fosse, não entenderia a pergunta nos termos interpretado pelo irmão.

Independente destas possibilidades hermenêuticas, o nobre amigo deixou muito clara a posição em relação ao assunto, como deixei também clara a minha posição.

Penso que com isso ganha o leitor, que pode contemplar a questão por ângulos ou perspectivas diferentes.

As questões que não respondi, assim o fiz por achar desnecessária a resposta.

A falha que o nobre companheiro credita aos pastores Elienai Cabral e Antonio Gilberto pelo endosso da Dake, embora não percebida como falha por mim, é uma opinião pessoal do irmão que deve também ser respeitada.

Certamente, no dia 12, se Deus quiser, nos encontraremos e fraternalmente nos abraçaremos sem hipocrisia alguma, pois respeitosamente militamos pela mesma causa.

No amor de Cristo,

Altair Germano

Marcelo Pires disse...

A paz do SENHOR querido Pr Geremias do Couto!
Desculpe-me por usar esse "espaço" para perguntas; mas, gostaria de perguntar ao irmão se o curso de teologia à distância do IBAD é realmente BOM?!
meu email para o prezado Pr enviar a resposta é:
marcelo.__.pires@hotmail.com

Em Cristo Marcelo Pires

ALTAIR GERMANO, disse...

Nobre amigo,

uma parte da minha resposta resolvi publicar em meu blog.

Abraços e paz do Senhor.

Pastor Geremias Couto disse...

Caro amigo Altair Germano:

COmo já temos falado em outros comentários, estamos bem entendidos!

Abraços!

Pastor Geremias Couto disse...

Caro Marcelo Pires:

Fui convidado pelo IBAD, através de seu diretor, Mark Lemos, para escrever um dos livros do seu curso à distância. Infelizmente, não pude atender ainda o convite.

Conheci o antreprojeto e e o cnsiderei excelente, dentro das parâmetros de um bom curso de teologia dada a seriedade com que o IBAD sempre tratou essa área.

Acredito, todavia, que o Conselho de Educação e Cultura da CGADB, quem sabe através do seu vice-presidente, pastor Altair Germano, possa dar mais esclarecimentos ao irmão.

Abraços!