sexta-feira, 5 de março de 2010

Minha resposta sobre a Dake ao pastor Altair Germano

Peço vênia ao Reinaldo Azevedo para fazer um vermelho e azul com o pastor Altair Germano sobre a sua última postagem a respeito da Bíblia Dake. Não postei lá por tratar-se de um texto mais longo, que não caberia no espaço dedicado aos comentários. Mas inicialmente faço duas observações: primeiro em relação ao título, que põe em dúvida a idoneidade da CPAD, como se ela pudesse outra vez deixar de cumprir a resolução aprovada por unanimidade por ambos os órgãos da CGADB - Conselho de Doutrina e Comissão de Apologética. Se isso acontecer, a instituição perdeu toda a credibilidade e só resta fechar as portas da CGADB.

A segunda observação tem a ver com o fato de o pastor Altair Germano, fugindo à regra em seu blog, assinar a postagem como se faz em documentos oficiais, citando as funções que exerce na CGADB (vice-presidente do Conselho de Educação e Cultura) e na UMADENE (relator do Conselho de Doutrina). Se o fez com a autorização de seus pares e falou em nome de ambos os órgãos, a crise tornou-se mais grave, não quanto à UMADENE, mas em relação ao Conselho de Educação e Cultura da CGADB, pondo-o em rota de colisão com dois outros conselhos da mesma instituição, posto que, embora no texto diga que a CPAD deve cumprir a decisão, no título levanta a hipótese, como dito acima, de ela não cumprir.

Mas se o caro colega fez uso das prerrogativas sem o consentimento dos pares numa postagem pessoal, foi uma atitude inapropriada a qual compromete os órgãos aos quais pertence, sobretudo o da CGADB, já que não se trata de um pronunciamento que represente alguma posição oficial de ambos. Isto não minimiza a crise, mas, ao contrário, cria uma situação de constrangimento e revela não ter havido cuidado ao presumir representatividade com as respectivas citações. Em ambos os casos, tenha sido oficialmente ou não, a menção só amplia a gravidade da crise que o imbróglio Dake gerou. O caso do pastor Carlos Roberto não serve como exemplo porque ele só veio ao blog que administra por duas vezes após decisões tomadas pelo órgão do qual faz parte, o Conselho de Doutrina da CGADB, para publicar a sua posição pessoal em total alinhamento com o que foi decidido.

Para não me estender mais, vamos então ao vermelho e azul que prometi no início da postagem. Após levantar dúvidas no título, o colega Altair Germano aduziu:

"Pelo menos é esta a informação que circula na blogosfera evangélica".

Como está escrito, meu caro pastor Altair Germano, passa a impressão de que um grupo de boateiros, de pessoas que não têm o que fazer, divulgou tal versão como se não houvesse uma fonte digna de crédito para sustentá-la. Isso é induzir o leitor ao erro. Quem primeiro informou o fato foi o pastor Carlos Roberto, secretário do Conselho de Doutrina da CGADB, que participou da reunião onde o veto à Dake foi mantido pelo voto unânime de todos os presentes mediante nova resolução que reitera os termos da primeira e, a essa altura, já teve estar percorrendo os trâmites legais para chegar aonde precisa chegar. Portanto, meu caro colega, trata-se de um fato, não de pressuposição ou boatos.

"Essas citações foram extraídas da caixa de minha Bíblia Dake (que por sinal não vendo, não troco nem dou, pois é uma ótima ferramenta de pesquisa). Vale salientar que as opiniões citadas se fundamentam na edição americana, sem cortes e sem censura. Sobre os autores das declarações acima, dispensa-se qualquer comentário".

As citações que o caro colega menciona são dos pastores Elienai Cabral e Antonio Gilberto, aos quais prezo e respeito. Mas, sem tirar o mérito que ambos têm, o que vale mais do ponto de vista institucional: o que eles disseram ou a decisão emanada do Conselho de Doutrina, com o suporte da Comissão de Apologética, que tem a autoridade de deliberar sobre temas doutrinários ligados à Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil? Creio que a própria pergunta traz a resposta.

"Com certeza, a visão de ambos foi acadêmica, como é a minha".

A ressalva não ameniza o problema, pois o que se questiona não é isso, mas a publicação da obra por uma editora confessional. Nem eu, nem o pastor Carlos Roberto, nem o pastor Robson Aguiar, nem o pastor Jessé Sobral e muitos outros que se posicionaram contra a decisão jamais pomos em dúvida o seu valor acadêmico, como não pomos em dúvida o valor de muitas obras que sequer têm caráter religioso ou cristão. Nosso questionamento sempre se voltou para o fato de a CPAD - uma editora confessional que pertence às Assembleias de Deus - publicar uma Bíblia de Estudo que contém um amontoado de notas que são pura heresia e contradizem os fundamentos que professa a mesma denominação. É contraditório. Já dissemos isso, mas convém repetir para refrescar a memória: fosse publicada por uma editora independente, os nossos blogs estariam cuidando de outros temas. É constrangedor saber que editoras como a Cultura Cristã e outras confessionais mantêm-se firmes em seu compromisso de não publicar obras que conflitem com a fé que professam, enquanto nós, se não corrigirmos a rota, estamos dando passos em direção ao liberalismo.

"Mantenho tudo o que escrevi sobre o assunto".

É uma atitude coerente, como o é também a de todos os que nos opomos à publicação. Coerência por coerência, prefiro ficar com a nossa, que é coerente contra os ventos de doutrina que sopram de todos os lados e surgem a partir de comentários como estes da Bíblia Dake lançada pela CPAD. De que adiante retirar a teia, se a aranha permanece? É o princípio de causa e efeito. Diria o irmão: mas se fosse lançada por uma editora independente, não seria a mesma coisa? Ora, a diferença é enorme. Teríamos muito mais autoridade para combater os erros oriundos dela do que temos agora. Como combater a teologia da prosperidade, se a Bíblia publicada pela CPAD a defende? Como combater o teísmo aberto, se a Dake, obra-prima da editora assembleiana, afirma que Deus se autolimita e que em muitas situações só conhece os fatos quando estes acontecem? Perdemos todo o crédito para esse combate.

"Respeito a posição do Conselho de Doutrina e da Comissão de Apologética".

Essa afirmação contradita a outra no início do texto, aqui já comentada, onde, para justificar o título duvidoso, diz com certa ironia que é uma informação que circula pela blogosfera evangélica, como se não se soubesse a origem. Ou seja, o que o caro colega escreve é ambíguo. Mas ainda bem que, embora contraditoriamente, reconhece que a posição anunciada na blogosfera não é simplesmente "uma informação", mas a posição de ambos os órgãos da CGADB.

"Entendo que a CPAD deve cumprir a resolução".

Ora, se o caro colega assim entende, por que levantar, no título, a hipótese de a editora não cumpri-la? Pressa em escrever o texto? Dúvida sincera sobre a idoneidade dos que a dirigem? Ou a expectativa velada de um cabo de guerra entre a CPAD, o Conselho de Doutrina e a Comissão de Apologética da CGADB para ver quem leva a melhor? Ou a certeza de que tudo será varrido para debaixo do tapete?

"O que o Conselho de Doutrina e a Comissão de Apologética farão em relação às outras obras publicadas com conteúdo doutrinário divergente do que se ensina nas lições bíblicas, nos seminários e púlpitos de nossas igrejas?"

Outra resposta óbvia. Devem fazer o mesmo que fizeram quando reprovaram o movimento de Boston, as heresias do G12 e, agora, a publicação da Bíblia Dake. Não se espera menos do que isso. Esse episódio ajuda a que estejam mais atentos e acompanhem mais de perto a editora, promovam simpósios teológicos e zelem pela saúde editorial das obras que a igreja recebe.

"O que o Conselho de Doutrina e a Comissão de Apologética farão em relação ao 1º vice-presidente da CGADB, que publica uma Bíblia e promove abertamente a Teologia da Prosperidade condenada pelos próprios presidentes e membros dos magnos conselho e comissão?"

Primeiro, já é um grande passo quando o caro colega reconhece que os membros dos "magnos conselho e comissão" combatem a teologia da prosperidade e certamente reprovam os ensinos da Bíblia publicada pela editora pertencente ao primeiro vice-presidente da CGADB. Segundo, a dita editora não é confessional, ou seja, não pertence a uma denominação, nem a Assembleia de Deus, portanto nem o Conselho de Doutrina, nem a Comissão de Apologética têm prerrogativas para aprovar ou reprovar as suas obras. Terceiro, pela posição que ocupa, é um caso muito mais para o Conselho de Ética e Disciplina da CGADB do que para os órgãos mencionados. Quarto, qualquer membro da CGADB pode representar contra outro membro, desde que obedecidos os trâmites legais e haja consistência na representação para que a apuração dos fatos seja acatada. Não seria o caso de o caro colega encaminhar essa representação?

"O que o Conselho de Doutrina e a Comissão de Apologética farão em relação aos livros de origem secular, católicos, reformados e de outras linhas doutrinárias e teológicas que são vendidos nas lojas da CPAD? Publicar não pode. Vender pode?"

Se o caro colega não sabe, esse assunto já foi amplamente discutido pelo Conselho de Doutrina em outros interregnos e a resolução foi radical: venda proibida nas livrarias da CPAD de livros que firam a doutrina esposada pelas Assembleias de Deus. Ao que eu saiba, não foi revogada. Basta apenas exigir o seu cumprimento. Quem os quiser comprar para o seu exercício acadêmico tem onde encontrá-los. Afinal, a CPAD não visa lucro, mas servir as igrejas. Agora, aqui, cabe outro comentário sobre o que é essencial e não essencial (sei o que pensa sobre isso), em relação a obras de caráter doutrinário, o qual deixo para depois para não cansar os leitores.

Para encerrar, creio que é hora de refletir, não acirrar os ânimos ou deixar pressusposto que podemos ainda experimentar uma longa batalha por causa da Bíblia Dake. Todos, ao contrário, deveríamos, sem dubiedade, demonstrar à CPAD que o melhor caminho, agora, é o da obediência. Esse é um nó que precisa ser desatado. A persistir assim, os outros nós continuarão como estão. Também não é prudente a CPAD acreditar que está voando em céu de brigadeiro. Se não houver mudança de rota, a aeronave pode cair.

12 comentários:

Pastor Flavio disse...

Querido Pastor Geremias do Couto,

A Paz do Senhor,

Confesso que ontem quando li o artigo postado no blog do amado pastor Altair fiquei muito preocupado. Tendo eu pouca habilidade para escrever enviei um e-mail para o Pastor Paulo Cesar Lima que é muito meu amigo e membro da Comissão Apologética da CGADB para que se manifestasse. Porém, fiquei maravilhado pela competência do amado Pastor em responder essas questões com a habilidade e inteligência que lhe é peculiar. Deus continue te abençoando Pastor.

Seu servo,
Pastor Flavio Constantino

Clóvis disse...

Pr. Geremias,

Fico feliz com a decisão tomada pelos referidos conselho e comissão, pela suspensão da publicação da Dake.

Embora não seja assembleiano, espero que a CPAD cumpra a decisão e que logo a polêmica Dake seja encerrada, servindo apenas como aprendizado.

Em Cristo,

Clóvis
Editor do Cinco Solas

Pr. Josias Almeida disse...

Pr. Geremias,
Com toda a sinceridade, o senhor é motivo de orgulho pára nós pastores assembleianos, ligados a CGADB. Minha oração a Deus é que ELE te conserve nesse verniz original, e assim, o combate a heresia continue, continue em nossos arraiais, de forma equilibrada e sóbria. Confesso que peguei a Dake em minhas mãos por quatro vezes, e nas quatro, senti que não comprasse. Hoje entendo que era um direcionamento do Espirito de Deus.

Hugo Cunha da Silva disse...

Prezado Pr tenho muito respeito ao senhore aos pastores, como Elienai Cabral, Eliezer de Lira, Antonio Gilberto e tantos outros, mas penso que en todas as biblias de estudo deve haver comentários que não agrade a todos, eu sei que no caso da Biblia Dake, existem pontos que realmente não podemos aceitar, mas será que em nenhuma outra biblia de estudo não contém nenhum só erro?
Quero novamente dizer que respeito a sua posição.
Fique na Paz

Pr. Carlos Roberto disse...

Caro amigo e pastor Geremias do Couto,

A paz do Senhor!

Me congratulo com seu post e assino em baixo.
Como também recebi o referido post por e-mail, decidi responder ao nobre amigo e companheiro pastor Altair Germano em meu blog.
Já avisei a ele em seu conceituado blog.

Um grande abraço!
Pr. Carlos Roberto

a verdade do evangelho disse...

Pr. Geremias, parabéns pelo seu texto esclarecedor. O senhor é um homem que mostra ter discernimento e não é de hoje que acompanho sua linha de pensamento, pois tenho em meu acervo várias revistas de EBD comentada por você e que sempre releio.

Pb. Edinei, Th.B

Sidnei Moura disse...

Pr. Geremias,

Concordo plenamente com as observações publicadas pelo senhor. Suas colocações foram inteligentes e sem dúvida alguma colaborarão ainda mais para a compreensão da atual crise institucional enfrentada pela CPAD.

Em tempo, continuo aguardando suas respostas para a entrevista cujas questões já lhe foram enviadas sobre o tema "denominacionalismo".

Abraço!

Sidnei Moura
www.sidneiemoura.blogspot.com

Wesley Rezende disse...

Caro pastor Geremias do Couto,

Neste episódio Dake fica evidente, para mim, que a CPAD está com tendência à autarquia. A demora da CPAD em se manifestar claramente e a dúvida existente quanto à obediência aos Conselhos da CGADB demonstram a sua provável falta de reconhecimento da autoridade do órgão maior de nossa denominação.
É notável a forma equivocada com que, em parte, os defensores da Dake tentam se justificar. Eles apontam outras publicações da CPAD que atacam a nossa fé como se os erros existem justificassem mais um.
A meu ver, duvidam que a CPAD possa um dia se ver livre de publicações contraditórias. Estão deixando de lutar pelo ideal por acreditarem que é uma utopia. A insistência pública em defender a Dake é contrária à luta pela perfeição.
Para mim, a manutenção da paz na igreja é mais relevante do que as declarações de alguns mestres. Neste momento, não são o erros da Dake que estão nos prejudicando, mas sim a falta de exemplos de obediência, sujeição, iniciativa em sofrer o dano e vontade de não escandalizar aos irmãos.
Diante do exposto, a Dake é insignificante! E quanto às supostas riquezas contidas nela (não a conheço), a própria CPAD poderá suprir esta falta, decorrente da proibição, com outras publicações. E o Deus a quem servimos, o qual não necessita de obras manchadas para nos ensinar a verdade, suprirá todas as nossas necessidades.

Em temor

Wesley Rezende

Robson Aguiar disse...

Pr. Geremias,

Suas colocações são oportunas e coerentes. Até mesmo os mais leigos podem entender claramente suas palavras. Venho aqui apenas endossar tudo o que o irmão escreveu.

Quanto a possibilidade da CPAD não acatar o veto encaminhado pelo C.D e C.A acho pouco provável, pois, após todo esse desgaste causado pelo lançamento da Dake, não séria mais burrice, e sim insanidade.

Quanto a postagem do Pr. Altair, acho que ele foi infeliz em algumas colocações. Mas não creio que ele queira ver o circo pegar fogo. Agora já tem outras pessoas que postaram em seu blog que não discutiriam mais o caso Dake, que continuam vindo a publico para botar pilha no rádio (figura de linguagem) rsrs.

O que me intriga nisso tudo caro pastor Geremias, não é saber do pastor Silas Malafaia e suas atitudes antiassembleianas, e sim, por onde anda o nosso presidente Pr. José Wellington que não se posiciona a respeito desse episódio.

Daladier Lima disse...

Prezados, sem querer personalizar o debate, acho que o problema principal é a CPAD não acatar a decisão do Conselho. Quanto mais os principais expoentes do apoio a Dake se manifestam, mais difícil fica compreender porque ela ainda não foi retirada de circulação. Apesar de não crer que essa seria a melhor solução, depois de todo investimento feito na edição (penso que o que deveria ser feito é uma ressalva ao conteúdo ou não terem publicado), a resolução deve ser cumprida IMEDIATAMENTE!

A CGADB, infelizmente, perdeu a autoridade diante de casos assim, de maneira que o que acontece no Brasil afora é reflexo dessa apatia. Para prejuízo de nossa denominação.

E vou além, esta crise, que parece simples mas não é, é o retrato emoldurado de uma instituição em dificuldades para administrar seu próprio objetivo. Temo dizer que a CGADB tenha uma representação apenas figurativa no momento e não representa os anseios dos assembleianos. Estamos sem rumo, sem norte e os problemas se repetem de um extremo ao outro. E tendem a depender da sinalização ao cumprimento desta resolução a se agravar.

Se o que os que apóiam a CPAD neste caso querem é testar limites, que seja. Só acho desnecessário e desgastante.

mario oliveira damasceno disse...

É necesssario que nesses ultimos dias que a nossa IEAD esta vivendo em crise precisamos de homens em cuja vida repousa o espirito de DEus para serem usados com equilibrio e o Sr. Pr. jeremias tem sido essa pessoa permaneca naquilo que tem apreendido pois certamente voce estara prestando um otimo servico para o reino.

Pastor Geremias Couto disse...

Caros amigos:

Creiamos que Deus está no controle e, de alguma maneira, veremos um bom final em toda essa história o para o bem do Reino de Deus.

Abraços!