quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Ainda sobre o batismo nas águas. Quem pode batizar?


Como já deixei claro no meu texto anterior, não vejo impedimento algum em que um membro da igreja, sob condições especiais, possa oficiar o batismo de uma outra pessoa. Quem reler o texto com mais cuidado, perceberá claramente que isto está afirmado. Alías, a própria resolução da Convenção de 1933, citada pelo pastor Altair Germano, corrobora a tese que defendi, na qual a AD reconhece o ato como privativo da função pastoral e dos presbíteros autorizados, ou, em determinadas circunstâncias, estende esse direito a um membro sempre debaixo da autoridade pastoral e da igreja.

Reproduzo abaixo, na íntegra, a transcrição feita no blog do colega e extraída do livro História da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil, CPAD, Silas Daniel, pp. 79, 80, com grifos meus que realçam a tese.

"Esta convenção reconhece unicamente como regra de sua fé, a ser obedecida, a Bíblia Sagrada. Assim sendo, resolveu adotar como regra geral, onde houver trabalho do Senhor já firmemente estabelecido, que a Ceia do Senhor, o batismo e a unção de enfermos sejam feitos pelos que foram consagrados para o ministério e o ancionato.

"Entretanto, nos lugares onde o trabalho estiver apenas iniciado, ou onde o mesmo esteja pouco desenvolvido, o pastor com a igreja do campo podem autorizar a fazê-lo um dos membros que tenha um bom testemunho. Na falta do pastor, o ancião por todos reconhecido como tal pode substituí-lo."

1. Como se vê, a resolução estabelece o ato batismal (também a ceia e a unção dos enfermos) como privativo dos ministros e presbíteros (ancionato). É regra geral, como grifei acima. Há alguma dúvida? Creio que não.

2. Observa-se também que em circunstâncias excepcionais (trabalho apenas iniciado ou pouco desenvolvido) um membro que tenha bom testemunho pode ser autorizado pelo pastor e a igreja do campo a oficiar o ato batismal e os outros mencionados.

A natureza da resolução certamente visava evitar a anarquia, a indisciplina, a perda da autoridade, o batizar por batizar, como parece deixar transparecer a tese do pastor Altair Germano, que em seu primeiro artigo sobre a posição bíblica a respeito defendeu o direito de o membro da igreja oficiar o ato, sem ter mencionado o princípio da autoridade, como felizmente o fez em sua última postagem sobre a questão histórica e denominacional ao citar a mencionada resolução. Veja, inclusive, que essa autorização era de natureza tão restritiva que dependia não só do pastor, mas da aprovação da igreja do campo! Era, portanto, algo tratado com extrema seriedade!

Esclarecidos os fatos, vamos, agora, à posição bíblica. Percebe-se inicialmente que a defesa em favor do batismo oficiado por membros da igreja se baseia em pressuposições bastante frágeis. Mas vejamos o que é uma pressuposição? Trata-se da enunciação de um conceito cujo valor intrínseco depende da verdade ou falsidade de outro conceito. Ora, o que dizem os defensores da tese? Simplesmente deduzem que os oficiantes de alguns atos batismais descritos no Novo Testamento eram apenas membros da igreja simplesmente porque não fica claro que função exerciam, ou, em alguns casos, quem efetuou o batismo! Com todo o respeito e consideração, é um argumento muito pobre.

Vou dar um exemplo. Os meus primeiros contatos com o irmão Altair Germano se deram através dos blogs, quando, lá atrás, iniciamos nossa participação na blogosfera cristã. Lida hoje, a informação prescinde de detalhes, pois os que militam nesse ambiente virtual e os que o conhecem pessoalmente sabem que se trata de um pastor, o qual atua como vice-presidente do Conselho de Educação da CGADB, tem fortes vínculos com a Sociedade Bíblica do Brasil, milita no campo da COMADALPE e é autor de um livro o qual tive a honra de prefaciar.

Todavia, imaginemos essa notícia daqui a dois mil anos, se ela fosse transmitida de geração em geração sem esses pormenores e não houvesse como pesquisar a sua origem? Ninguém falaria do pastor Altair Germano, mencionando as funções que ele honradamente ocupou e os títulos que com muito esforço conquistou. Muito provavelmente alguém poderia fazer as deduções mais singelas a seu respeito simplesmente porque eu não me preocupei em registrar os detalhes. É isso que estão fazendo com os personagens das narrativas que descrevem alguns atos de batismo no Novo Testamento. Por falta de detalhes (se eram líderes da igreja ou não) estabelecem pressuposições frágeis que podem estar totalmente equivocadas!

Vamos aos fatos.

Quem batizou as quase três mil pessoas no dia de Pentecoste? Como bem expressou o pastor Altair Germano, não há registro. Então posso pressupor, sem transgredir a hermenêutica, que foram os apóstolos, tanto quanto é possível admitir que contaram com a ajuda de outros discípulos por tratar-se de condições especiais, ou seja, o grande número de pessoas a serem batizadas. Ambas são pressuposições, nada mais.

Quem batizou Saulo em Damasco? Ananias, que, para a tese do pastor Altair Germano, foi "um simples discípulo". Para começar, o "simples" que aparece aqui é uma adição explicativa do próprio que não aparece no texto bíblico. Por outro lado, era normal os cristãos serem tratados de discípulos independente da função que ocupassem. Ressalte-se também que posso presumir a existência de uma igreja em Damasco, se não o perseguidor não pediria cartas para perseguir os crentes ali e ele não teria recebido a ajuda de qualquer deles para escapar com vida da cidade. É fato claríssimo - a existência de uma igreja em Damasco - na resposta de Ananias ao Senhor, quando este lhe ordenou a procurar Saulo: "E aqui tem poder dos principais dos sacerdotes para prender a todos os que invocam o teu nome", Atos 9.14 (grifos meus).

E se Ananias fosse o pastor da igreja? Ninguém pode me contestar, pois se não há esse registro, também não há que ele não ocupasse tal função. Mas pensando que fosse apenas membro da igreja, será que não buscou aconselhar-se com os líderes, os anciãos, e recebeu destes o apoio e a autorização para seguir adiante? Pressuposição por pressuposição, creio que esta tem muito mais validade e é muito mais consetânea com o espírito do Novo Testamento, como veremos adiante, do que as da outra tese.

A outra tese usa também o exemplo de Lídia e do carcereiro de Filipos para então concluir: "Quem batizou Lídia? Paulo, Silas, Timóteo ou Lucas? O texto não diz... Quem batizou o carcereiro e os seus? Paulo e Silas? Paulo ou Silas? Apenas Paulo? Apenas Silas? O texto não diz" (leia
aqui). Ora, meu caro leitor, esses textos estão fora de contexto e não provam nada a favor da outra tese! São simplesmente pretextos! Presumir que sustentam o batismo por membros da igreja é forçar a interpretação. É muito mais lógica a pressuposição que tenham sido batizados por Paulo ou Silas, ambos ministros da igreja, ainda que seja uma pressuposição, como o é a outra.

E por que é mais lógica essa pressuposição?

1. Porque a igreja tinha doutrina, At 2.42.

2. Porque a igreja tinha governo, At 6.1-4; 15.6-22, 30; 20.17-28; Tt 1.4.

3. Porque a igreja tinha direção, At 13.1-3.

Assim, mantenho os termos da postagem anterior e reprovo a atitude precipitada de divulgar, nesta hora tão conturbada, a cena do batismo no programa Movimento Pentecostal. Foi um desserviço à AD do Brasil.

PS. Aos que se assustam com a polêmica ora travada na blogosfera cristã, sugiro que peçam permissão à CPAD para pesquisar o Mensageiro da Paz das décadas de 50 e 60, onde encontrarão grande embates enriquecedores que foram travados por homens da estirpe de Alcebíades Pereira de Vasconcelos, Estevam Ângelo de Souza, José Teixeira Rego, Francisco Assis Gomes, Joanyr de Oliveira e outros.

17 comentários:

Philadelfia - Evangelismo e Louvor disse...

Muito bom!

Realmente, apesar de polêmicos, os grande embates são enriquecedores, principalmente quando participam notáveis expoentes da AD no cenário nacional. Tais debates revelam quanta gente boa,

Estou apreciando muito!

Deus continue abençoando a todos.

Em Cristo,

Elian Soares

Daladier Lima disse...

Prezado Pr. Geremias, corroboro sua tese transversal: é preciso debater sobre a Dake, o batismo efetuado pelo diretor da Casa e outros. As pessoas esquecem os grandes embates históricos, como o de Lutero em Worms, para chegar aonde chegamos. Há uma tentativa na blogosfera de satanizar um debate, ou melhor, qualquer debate!

Isto é de um lado aproveitamento de editores cuja posição é insustentável dentro de determinados assuntos, e de outro, falta de crescimento espiritual dos leitores que questionam opiniões contrárias, apenas por dever de fazê-lo, sem nenhum argumento. E, por fim, vendo-se sem argumentos jogam na conta do Diabo. Eu já recebi comentários contrários de várias categorias de pessoas, e nunca creditei nada a ele!

Quanto à polêmica da hora (que por sinal está sendo creditada à blogosfera em parte cristã, não sei se o senhor faz parte dela...) é fato o seguinte: Se o irmão em apreço não fora presidente da editora, seria chamado a batizar?

O mais é corolário.

Abraços!

Pr. Carlos Roberto disse...

Caro amigo e pastor Geremias do
Couto,

Graça e Paz!

Polêmicas e nomes à parte, creio que o debate tomou o endereçamento de informações que todos os assembleianos deveriam saber, o que enriquece nosso conhecimento e ressalta detalhes da nossa história.

Creio que neste momento, o fato original apenas contribuiu para uma saudável discussão e iluminação de um assunto que não costumamos discutir, seja à luz da Bíblia ou da nossa tradição denominacional.

Quanto ao PS da sua postagem, a única diferença dos debates dos atuais tempos, é o ônus da internet, que extrapola os limites do "intramuros" denominacional, no entanto não podemos ignorar o bônus que trasmite todo o lado bom.
É uma questão de exercitarmos o equilíbrio. Se falarmos só das coisas ruins, pode parecer política; se falarmos só das coisas boas, pode soar como omissão, portanto é preciso apenas equilíbrio e seriedade no que se fala.

A postagem inicial do Pr. Antônio Mesquita, somada às suas e dos nobres companheiros, Pr. Altair Germano, Ciro Zibordi, Juber Donizete, Daladier Lima, entre outros nobre blogueiros, aos quais peço desculpas por não me lembrar de todos os nomes neste momento, nos proporcionaram um aprendizado a respeito do assunto. Corroboro aqui com o pensamento do sergipano Elian Soares.

Um grande abraço!
Pr. Carlos Roberto

Robson Aguiar disse...

Pastor Geremias,

Depois dessa aula, fica difícil de comentar (risos). Concordo com tudo que o irmão explanou, e já que a pressuposição foi invocada no texto, me veio a mente uma discussão teológica bem antiga;

“De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas” At 2.41

Três mil almas é um número bem expressivo, e já que estou tendo a honra de comentar no blog de um de meus professores, lanço então as seguintes perguntas:

Esse batismo foi dentro de Jerusalém?
Os Judeus permitiriam um evento cristão dessa proporção dentro da cidade?
A cidade de Jerusalém teria infra-estrutura para um batismo nas águas com tanta gente?
Havia Apóstolos suficientes para a realização desse batismo?
Esse batismo, caso tenha sido realizado dentro da cidade, uma vez que não possui rio, teria sido executado de que maneira:

a. Aspersão? b. Derramamento? c. Imersão?

Se achar que está fora do contexto, não precisa publicar.

Se achar melhor responder em uma outra postagem fique a vontade. (Caso queira responder).


Pr. Robson Aguiar

Judson Canto disse...

Caro amigo Geremias,
Em outras circunstâncias, talvez o episódio tivesse provocado um franzir de testa aqui e ali. O que causou toda essa estranheza foi um ato não usual (com potencial de polêmica) levado a efeito por uma pessoa que está no centro de uma crise institucional. O irmão Ronaldo, mesmo não sendo ministro, transita com naturalidade entre os mais importantes líderes da denominação. Não sei quem é o pastor dele, mas imagino que também não esteja alheio aos fatos. Portanto, é difícil aceitar a ideia de que nenhum dos dois pensou que tal ato viesse representar mais um furo no balde da instituição. Agora, por uma questão de justiça, temos de admitir essa possibilidade (ando assistindo a muito Law & Order). Quem sabe foi até uma tentativa de melhorar a imagem do diretor da Casa diante da denominação, mas que teve efeito contrário ao desejado. Contudo, qualquer que seja o caso, depois de ler as várias opiniões sobre o assunto (pesquisa complementada aqui), considerando que um membro, pelas regras da denominação, só pode batizar em situações em que haja carência de obreiros autorizados, não consigo vislumbrar uma justificativa para esse ato — e esse é o âmago da questão, não é?
Registro aqui a minha concordância com os nossos irmãos Elian, Daladier e Carlos Roberto: a blogosfera tem se revelado um instrumento fantástico para o debate cristão, mas principalmente para mostrar como ele é necessário. Que Deus nos ajude a explorar de maneira cada vez mais sensata e benéfica os recursos dessa poderosa ferramenta!

Robson Aguiar disse...

Já que estou inscrito para o tema, peço um aparte aos nobres debatedores (risos), Brincadeira a parte, volto a esse fórum para ratificar o que já foi dito pelos os que me antecederam, que a blogosfera está prestando um excelente serviço na área da teologia, tornando-se palco de grandes debates teológicos.

Isso é importante para que os cristãos de nossa época conheça qual o pensamento teológico que norteia essa nova geração de pastores.

Detalhe, é que aqui não escutamos gritos dos contrários e nem é preciso que o pastor Geremias do Couto desligue o nosso microfone (risos).

Felipe Campos disse...

Ao ler suas recentes postagens começei a pensar: "E se Gunnar Vingren ressuscitasse..." e acabei escrevendo algo nessa temática.

Disponível em: http://felipejlcampos.blogspot.com/2010/02/teologia-e-se-gunnar-vingren.html

Não precisa mencionar a honra que seria se v. reverendíssima fizesse uma simples menção ao texto nesse tão edificante blog.

Em Cristo,

Felipe J. L. Campos.

Diego Batista disse...

mta paz irmão, adorei seublog, sempre estarei por aqui comentando se me permitir, ja sou seguidor e coloquei seu baneer em meu blog caso queira parceira. um abraço..

Diego Batista
http://conversandocomiave.blogspot.com/

VAGNER DE CASSIO FERREIRA disse...

PREZADO PASTOR GEREMIAS
AGORA SIM ! COM ESTE POST O SENHOR COMEÇA A COLOCAR OS CARROS NOS TRILHOS...
POIS DO JEITO IRRESPONSÁVEL QUE MUITOS ARTIGOS TEM SIDO LANÇADOS E TRATADOS PELA CHAMADA " BLOGOSFERA CRISTÂ " ... FAZ-NOS CRER QUE TUDO QUE HÁ NAS ASSEMBLÉIAS DE DEUS NO BRASIL ESTEJAM ERRADOS... MUITA GENTE QUE NÃO TEM NEM CONHECIMENTO HISTÓRICO DO QUE REALMENTE SEJA ESSA DENOMINAÇÃO, SE ARVORAM NO DIREITO DE CRITICAR, ATACAR PELO SIMPLES PRAZER DE FAZE-LO ... POR SER O ASSUNTO DO MOMENTO, ETC E TAL
PARA CRITICAR ESSA IGREJA ( ASSEMBLEIA DE DEUS) PRECISAM PELO MENOS NELA TER RAIZES... E ISSO O SENHOR ÀS TEM DE SOBRA ...
PARABENS PELO POST ... NEM TUDO NA " BLOGOSFERA CRISTÃ " ESTA PERDIDO ...

Newton Carpintero, pr. e servo disse...

Prezamado pr. Geremias do Couto,

A paz do Senhor!

Vale a pena, entender que o Senhor, Nosso Deus, nestes últimos dias do Final dos Tempos, por Misericórdia e Bondade, nos concede a fantástica capacidade de através da internet, recebermos como experiência, uma minúscula parcela de onisciência e onipresença, sem falar nos dons do conhecimento e da ciência, aos seus servos para desmembrar o que passa no coração dos que se pronunciam com as suas matérias ou comentários.

As entrelinhas são recheadas de sentimentos e ensinamentos. Vivemos um grande momento de aprendizado constante em todos os sentidos.

A velocidade sem precedentes da informação, procede à necessidade em antecipar a volta de Jesus Cristo. Os dias são maus e estão sendo abreviados.

Esta é a grande oportunidade, bem diante de nossos olhos, a cada um que queira o alimento farto e saudável para o espírito.

O discernimento será sem precedentes, o mais importante na possibilidade em processar, este alimento que é preparado à muitos que exercerão a posição de atalaia.

Parabéns por esta matéria, que irá frutificar em muitos corações que necessitam de um alimento saudável.

O Senhor seja contigo, nobre pastor,

O menor de todos.

Jean Patrik disse...

Pastor algum tempo venho mandando para o senhor alguns links,falando do veneno dos ASD (Adventista do Sétimmo Dia).

A cada dia que estudo sobre as suas doutrinas vejo da forma que agem, com crentes imaturos, ganhando muitos deles para seguir as suas dotrinas estranbóticas.

A minha preocupação cresceu ao ver nesse link http://adventita.blogspot.com/2009/09/pastor-assembleiano-se-batiza-na-iasd.html

A terrivel fragilidade da nossa igreja (IEAD) em relação aos ensinos dos ASD.

Pastor penso que o senhor, precisa da uma ateção maior ao assunto.

Paz do Senhor Jesus!!!!

ALTAIR GERMANO, disse...

Nobre amigo, colquei seu banner link em meu blog.

Abraços!

Pr. Levy Conde disse...

Amado Pr. Geremias
Saúde, graça e paz.

Todo debate tem seu lado positivo, como também o negativo.
Neste caso tem sido proveitoso, positivo.
Creio que não convém questionar se havia água suficiente ou não, se havia rio, se tinha "obreiros" suficientes para batizar.
Agora que fique bem claro que a Bíblia fala de "batismo" e se foi batismo, foi por IMERSÃO.
Eu mesmo já tive oportunidade de batizar em uma noite 156 novos convertidos. 3.000 crentes divididos para 12 apóstolos nos garante a matemática que cada um (se foi o caso) deve ter batizado 250 crentes.

Continue com sua transparência o que nos estimula em dois aspectos.
Visitar sempre seu blog e estudar mais as escrituras.

Tudo de bom. Abraços

Pr. Levy Conde

williamdejesus33 disse...

Graça e paz, Pr. Geremias do Couto.

Penso que já está passando da hora em que a AD no Brasil precisa colocar à mesa para, ouvindo o contraditório, chegar a um posicionamento denominacional, sobre vários assuntos que estão em voga, tais como: ordenação de mulheres, liturgia, concepção administrativa (campos em que há um presidente e vários auxiliares dirigindo igrejas enormes) e o assunto em questão, batismo efetuado por um leigo, dentre outros.

Essa análise, meu nobre Pastor, deve ser feita à luz do conhecimento sistemático e subjetivo da Bíblia Sagrada aliada ao entendimento de que estamos juma instituição denominacional. É o somatório desses dois pilares que nos dará um norte sobre o fato de ser possível e salutar para a AD no Brasil o ato de um membro (leigo) batizar em águas.

Há, na Bíblia Sagrada, bases para aceitarmos que um leigo possa oficiar o batismo nas águas, assim como há bases para aceitarmos que o batismo em águas só pode ser oficiado por ministro. No entanto, precisamos ter em mente as regras da hermenêutica das quais destaco a quinta: "Sempre levar em consideração o objetivo em que o livro foi escrito". Ou seja, em casos especiais como ausência de ministro, é aceito que um leigo realize o batismo.

Precisamos atentar para o fato de que as circunstâncias são fundamentais para entendermos os pressupostos bíblicos, pois, caso contrário, aceitaremos que haja casamentos entre irmãos, pois os filhos de Adão casaram-se entre si.

Meu amigo e pastor, penso que o ato realizado pelo diretor de nossa CPAD não foi salutar para o evangelho nem para a história de nossa AD no Brasil. Penso que, não havendo casos especiais, a realização do batismo em águas, a ministração de Santa Ceia, são atps exclusivos de um oficial da Igreja (Ministros ou Presbíteros).

Em Cristo sempre,

William de Jesus, Pr.

Prof. Angelo disse...

Pr. Geremeias, sou seu novo seguidor. Não tenho visto o querido pastor desde os tempos do SETESE. Vejo muito o Pr. Israel e família - Marli, filha Niédia e seu marido meu ex-aluno Júlio Herculano que lhe deram um neto o João Guilherme, irmão Pr. Areli, etc - e sou frequentador assíduo do culto mensal da família na Sede e do CICLO DE ORAÇÃO das irmãs Maria Cândida, Eliane e cia. No nome de seguidor faltou o Prof. que está no meu Blog - professorangelo.blogspot.com - onde gostaria de contar com seu presença como seguidor e fazendo comentários aprovando ou desaprovando os textos, na maior parte cristãos, que chamo de lições de vida. Também caracterizam meu Blog fotos da família e do pessoal da minha cidade. Que Deus continue o abençoando na Paz de Jesus. Prof. Angelo

Pastor Geremias Couto disse...

Caros amigos e irmãos:

Queiram desculpar-me por dar uma resposta coletiva. Gostaria de fazer a interlocução com cada um, mas não me é possível por agora, em razão das muitas tarefas que antecedem a realização do Festival de Esperança em Belo Horizonte, de 27 a 29 de maio. Estamos "matando um leão" a cada dia.

Ao pastor Robson Aguiar veja até onde nos podem levar as pressuposições, se não buscamos o "espírito" da Bíblia ou deixemos de aplicar a regra que diz: a Bíblia interpreta-se a si mesma.

Neste caso, está implícito no texto bíblico:

1. O batismo foi o ato subsequente ao derramamento do Espírito e ao sermão de Pedro. Vejamos a sequência:

a) No dia de Pentecostes estavam reunidos no mesmo lugar, At 2.1.

b) Na mesma ocasião, Pedro pôs-se em pé em pregou a todos os judeus: residentes em Jerusalém, forasteiros e prosélitos, At 2.14.

c) No mesmo dia foram batizados quase três mil almas, At 2.41.

2. Presume-se, portanto, que o batismo tenha sido realizado em Jerusalém (Tanque de Siloé? Tanque de Betestda? Não eram distantes do Cenáculo...).

3. Presume-se que tenha sido realizado pelos apóstolos. O cálculo feito pelo pastor Levy Conde é consistente com essa possibilidade, mas pode ser também que tenha havido a cooperação de outros discípulos. Mas é meramente pressuposição.

4. Presume-se que os líderes religiosos não atinaram para uma oposição ao ato porque:

a) o batismo fazia parte da liturgia judaica.

b)Os discipulos já batizavam antes do Pentecostes, Jo 4.1,2

c) João Batista marcou o seu ministário com o batismo do arrependimento.

d) Náo tinha havido do ponto de vista visível a "ruptura" entre o Cristianismo e o Judaísmo, o que admite pressupor que os líderes religiosos pudessem pensar tratar-se de mais um grupo debaixo do guarda-chuva do Judaísmo.

Quanto a ser por aspersão ou imersão, fico com a segunda pelo contexto em que o batismo deve ser entendido no Novo Testamento.

Abraços a todos!

Robson Aguiar disse...

Pastor Geremias,

Obrigado pela disposição em responder-me. Na verdade, suas colocações foram pertinentes e esclarecedoras. Todavia, eu já tinha uma opinião formada sobre o assunto, mas, não resisti a tentação de ouvi-lo, uma vez que lhe tenho como um bom professor de Bíblia.