quinta-feira, 3 de maio de 2007

Que democracia é essa? (parte II)

O lúcido comentário de Eliseu Antonio Gomes me proporciona adicionar outros conceitos sobre democracia no ambiente eclesiástico, principalmente da Assembléia de Deus. No entanto, para melhor entendemos como esse mecanismo funciona em nosso meio, há de se compreender que existe a democracia representativa e a democracia direta.

Numa definição simples, a democracia representativa é aquela em que o povo, através do voto, delega o poder de governar ou legislar aos seus representantes por certo período de tempo. Estes cumprem, em tese, o papel de representá-lo nas instâncias para as quais foram constituídos.

A democracia direta, por sua vez, se exerce através de consultas ao povo chamadas de referendo ou plebiscito. Não faz muito tempo os eleitores brasileiros foram chamados às urnas para referendar ou não a lei do desarmamento. O resultado, todos sabem, foi um fragoroso não. É comum, em países democráticos, se recorrer a esse mecanismo para ouvir o povo sobre temas polêmicos, como aconteceu em alguns estados americanos, na última eleição presidencial, em relação ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. No entanto, pode ser uma arma letal em países com viés autoritário, que costumam usar esse tipo de recurso para “atropelar” os poderes constituídos.

À luz de ambos os conceitos, digamos que, pelo fato de a Assembléia Convencional ser restrita apenas aos pastores e só eles terem direito ao voto, a democracia no âmbito convencional da Assembléia de Deus seja considerada representativa.

Em que base se afirma isso? Qualquer ordenação ao pastorado é solicitada pela igreja local, mediante ata comprobatória de Assembléia Deliberativa, que encaminha o candidato à respectiva convenção estadual, onde se submete aos trâmites para que tenha ou não o seu ingresso ao ministério pastoral aprovado.

Investido da função, o pastor passa a ter as prerrogativas de representar legitimamente a sua igreja, sob a autoridade do pastor-presidente, em todos os fóruns convencionais. Mesmo em se tratando daquelas denominações em que a respectiva Convenção é de igrejas, e não de pastores, como no caso da Convenção Batista Brasileira, a práxis é cada igreja indicar os seus delegados para cada assembléia convencional. Em outras palavras, continua sendo democracia representativa.

Assim, para que haja coerência e legitimidade em todo o processo, espera-se que os pastores informem e ouçam as suas respectivas igrejas, recebendo delas a devida chancela quanto às decisões a serem tomadas no âmbito convencional. E tragam, posteriormente, relatório circunstanciado do que foi decidido.

Assim, a democracia não será entre aspas.

2 comentários:

Carlos Roberto Silva, Pr. disse...

Pastor Geremias!
Com relação a legitimidade da nossa democracia representativa, é tão legítima quanto a das casas legislativas do nosso país.
Os pastores são consagrados pelas suas igrejas e ministérios, os quais depois, nos representam votando nas Mesas Diretoras das Convenções, sejam Regionais ou Geral. Na vida secular, escolhemos os legisladores, mas eles é que votam nas Mesas Diretoras dos respectivos poderes para os quais foram eleito. - Pr. Carlos Roberto - Cubatão SP

Joabe disse...

A Paz do Senhor Jesus

Pastor eu queria saber sua opinião sobre qual é a administração ecleciastica que tem o mais respaldo biblico. É o congregacional, presbiteriano, ou episcopal ?