sábado, 12 de maio de 2007

Eu respeito o Papa (parte I)

Abro um parêntesis na série de artigos sobre nossa relação com a Bíblia e os livros para comentar a visita do Papa Bento XVI ao Brasil em razão da importância religiosa e jornalística do evento. Li os inteligentes comentários de Carlos Roberto Silva e Ciro Zibordi em seus respectivos blogs e me animei também a deixar a minha modesta contribuição sobre o assunto.

Não obstante as minhas profundas e intransponíveis divergências com o líder religioso, de caráter doutrinário, eu respeito Joseph Ratzinger, porque, no âmbito da Igreja Católica, ele está investido de autoridade legítima para representá-la e ser o seu porta-voz em todas as esferas públicas. Não é justo, portanto, que eu lhe atire pedras e o trate com ofensas e agressões pessoais. Assim como exijo ser respeitado, devo também respeito ao meu próximo seja ele quem for, inclusive o Papa.

Respeito-o também pelo seu esforço em tentar resgatar certas verdades absolutas tão massacradas pelo relativismo da pós-modernidade, apesar de eu divergir frontalmente da visão romana, repito, quanto aos pontos fundamentais da fé cristã. Desde os seus tempos de cardeal, Bento XVI enceta essa batalha contra uma legião de secularistas que insistem em situar os valores no pavimento de cima, como bem descreve Nancy Pearcey em seu livro Verdade Absoluta, para então afirmarem que as coisas da fé se circunscrevem aí, sem qualquer interferência no pavimento de baixo – o dia-a-dia de cada um.

Apesar de toda a pressão da onda contrária, Bento XVI persiste em pregar valores como a castidade, dentro e fora do casamento, a união conjugal entre homem e mulher como princípio universal e absoluto, a valorização da família nos moldes tradicionais como a base para a boa formação do caráter do jovem e o combate ferrenho ao aborto porque o vê como a negação do direito à vida de pessoas indefesas. Por isso, respeito-o.

Infelizmente, porém, não é assim que age a maioria dos católicos com respeito ao seu próprio líder. Enquanto ele prega uma coisa, muitos dos fiéis praticam outra. Enquanto ele defende a vida, há dentro da própria Igreja Católica uma organização bem ativa que luta pelo chamado direito de escolha da mulher quanto à interrupção ou não da gestação. O próprio Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que se diz católico, não respeitou a presença do Papa no Brasil e defendeu, por linhas tortas, através da imprensa, a legalização do aborto.

Bem escreveu Carlos Roberto Silva em seu blog, dizendo que o problema reside na falta de genuína conversão a Cristo. Ou seja, tudo fica apenas no discurso, porque não se busca a verdadeira vivência do Evangelho. É uma fé teórica, vazia, que se restringe aos ritos e não vem para fora, não se afirma a realidade cotidiana, não adquire sentido na prática de cada um, não se expressa no tipo de atitude esperada dos que dizem professar o nome de Cristo.

Volto a citar Nancy Pearcey, que combate com argumentos convincentes a teoria do pavimento de cima e do pavimento de baixo e defende a tese de que a cosmovisão cristã aplica-se a todas as áreas da vida. Não é algo compartimentado. Não se circunscreve a um gueto. É, no dizer de Cáio Fabio, sal fora do saleiro.

Respeito o Papa Bento XVI. Acredito até que esteja sendo sincero em suas convicções, ainda que eu discorde em gênero, número e grau dos dogmas que a igreja romana estabeleceu ao longo dos anos e, ao mesmo tempo, aplauda Ratzinger por essa cruzada contra o relativismo. Mas a prática do rebanho está há anos-luz do que ele prega. Por outro lado, temo que nós, os evangélicos, como herdeiros da Reforma, estejamos no caminho do mesmo nominalismo e de frouxidão quanto aos princípios universais e absolutos que, pela sua própria natureza, “são válidos para todas as pessoas, em todas as épocas e em todos os lugares”. Todavia, ainda há tempo de não nos perdermos no meio do caminho, como já aconteceu com a igreja romana.
Amanhã falarei da cobertura da Globo à visita de Bento XVI ao Brasil

13 comentários:

André Silva disse...

A paz do Senhor, Pastor Geremias
É preciso analisar todas as esferas, reter o bem e por que não aplaudi-las quando for necessário.
Infelizmente, muitos salvos não usam de sabedoria, não há possibilidade de ganhar um católico do "pé roxo", (expressão nordestina), batendo de frente. Concordo em relação ao respeito e às declarações feitas pelo Pontífice, infelizmente ficarão no plano do discurso, sabemos.
Creio que observar e fazer um elo com a nossa fé sempre vale a pena, é um início para um bom canal de comunicação perdido por falta de respeito.
Mas, no nosso meio, respeitar significa concordar com tudo, desrepeitar significa colocar nossas verdades como sendo inquestionáveis, reprovando assim tudo sobre o outro, parafraseando: "eu sou salvo e você vai para o inferno, passar bem".
Nessa direção, essa atitude estanca o fluxo na evangelização por que alguns desinformados querem empurrar Jesus "goela abaixo" no outro e, com isso, perdem um canal de comunicação por não haver esse respeito.
Só o Espírito Santo convence uma mente cauterizada por dogmas culturais, não nossas verdades.
Não concordo com os dogmas romano, mas respeito tanto o Papa, quanto os católicos naquilo que praticam.

Que as bençãos do Senhor Jesus continuem a serem derramadas sobre o senhor e sua família, pastor Geremias.
Irmão André - Carpina - Pernambuco

Gutierres Siqueira, 18 anos disse...

a paz,
Pastor Geremias concordo com o seu comentario em relação ao papa.
Infelizmente, nós evangélicos, somos muito tímidos para expor esses assuntos, principalmente quando se trata de castidade. Parabéns ao conservador Joseph Ratzinger, temos que aprender isso com ele.
Mas infelizmente, ele veio "canonizar" mais ainda a idolatria em nosso país, tão místico e descompromissado com a ortodoxia doutrinária do cristianismo.
Estou lendo o livro de Nancy Pearcey (Verdade Absoluta), esse livro tem me ajudado muito, principalmente agora na faculdade de jornalismo. Dê por mim, os parabéns ao irmão Ronaldo pelo ótimo livro que a CPAD publicou, que a editora, voz do pentecostalismo classico, continue assim!
Um abraço!

Carlos Roberto Silva, Pr. disse...

Pastor Geremias!
Parabéns pelo artigo!
Em suma, o irmão age com moderação e imparcialidade.
Aplaudo e assino também o comentário de André Silva.
O que é bom é bom, o que é ruim é ruim.
Nós evangélicos em regra geral, principalmente os pentecostais (Graças a Deus sou um deles), precisamos aprender essa lição, de separar as coisas com imparcialidade, e inclusive admitir nossos próprios erros. Enquanto o Sumo Pontífice da Igreja Católica Romana está tentando resgatar o leite derramado, alguns evangélicos estão começando um perigoso processo de relativização das nossas doutrinas.
Isso é o mesmo que brincar à beira do abismo.
Que a luta de Bento XVI, sirva de exemplo para nós.
Quem perceber que a barba do seu vizinho arde, que coloque a sua de molho.
Quanto ao comentário postado por Gutierres Siqueira, concordo plenamente quanto a indução da Igreja ao beatificar Frei Galvão.
Estarei postando no Point Rhema, um artigo que mostra a igreja induzindo o povo à idolatria e ao mesmo tempo lavando as mãos como Pilatos. Parabéns!

Pastor Geremias do Couto disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Pastor Geremias do Couto disse...

Ao André, ao Gutierres e ao pastor Carlos Roberto, agradeço os comentários. Ficou bastante claro que vocês entenderam o "espírito" do meu artigo.

A idéia é exatamente éssa: à luz do esforço de Bento XVI no combate ao secularismo, ainda que tenhamos frontais diferenças doutrinárias, repensar o nosso comportamento de fé e analisar se estamos indo ou não no mesmo caminho do nominalismo e de pequenas concessões, em doses homeopáticas, que farão, ao fim, que o nosso "rebanho" acabe tendo a mesma postura de entender que a fé fica no compartimento de cima. No compartimento de baixo, o meu dia-a-dia no mundo, cada um faz as suas escolhas pessoais, sem nenhum parâmetro universal de conduta.

É isso que está em jogo hoje. Ë por aí que, infelizmente, muitos evangélicos estão caminhando, inclusive com a negação da Bíblia como a inspirada Palavra de Deus. O navio está fazendo água e poucos estão se importando com isso.

Vamos estar alertas, vamos pensar e sejamos profetas de Deus na pós-modernidade, no pós-cristianismo ocidental. Nossas vozes precisam ser ouvidas lá fora no mundo. Por isso estou aqui no blog, tentando qual o pássaro da lenda, levar uma pequena gota de água de cada vez, para ajudar a apagar o fogo da floresta.

Vamos em frente e formemos um batalhão de vozes contra a secularizacão da igreja, a institucionalização e a flexibilização dos fundamentos, que jamais podem mudar.

Um abraço.

Anônimo disse...

Pr. Geremias do Couto - assim como comentei no blog de Ciro Zibordi -
por incrível que pareça o motivo que traz o papa Bento XVI ao nosso país - a preocupação com o "êxodo" do catolicismo - é também preoupante para nós.
Enquanto ele está empenhado em conter a evasão em massa; (isso, claro, para manter a hegemonia religiosa do romanismo), nós, cristãos, devemos nos preocupar com o inchaço do neopentecostalismo e, até mesmo dos arraiais pentecostais.
Enquanto sua preocupação é numérica e quantitativa, a nossa é individual e qualitativa.
Temos algo em comum com o papa: a preocupação com os religiosos nominais - ele, em mantê-los assim mesmo, nós, em orarmos para que haja conversão e não simplesmente "adesão".

Boa discussão
César Moisés

Eliseu Antonio Gomes disse...

Por favor, leiam esse artigo do Olhar Cristão. Ele trata sobre a cobertura que os jornalistas estrangeiros fizeram sobre a passagem do Papa pelo Brasil. São obsrvações bem diferentes das que ouvimos pautadas pela Globo.

htp://www.olharcristao.blogspot.com/

Pastor Geremias do Couto disse...

Caro Cesar Moises:

Sua preocupação é coerente com o que escrevi, visto que na tentativa do crescimento a qualquer custo, podemos estar flexibilizando alguns pontos fundamentais da fé cristã, que são a pedra angular deste grande edifício.
Em Roma há uma certa coerência quanto ao resgate das verdades absolutas, mas ao mesmo tempo há a contradição do nominalismo, que se tornou um caminho sem volta.
Do lado de cá, ainda buscamos preservar esses fundamentos, mas alguns podem estar encantados com o "canto da sereia" do crescimento fácil, sem comprometimento com os princípios da fé e a valorização das esoclhas pessoais. Ou seja, relativismo.
Em suma, estamos numa encruzilhada e precisamos por onde queremos seguir: se pela "porta estreita" da ortodoxia ou pela "porta larga" do vale-tudo. Aonde iremos?

Pastor Geremias do Couto disse...

Caro Eliseu:

Estive no blog "Olhar Cristão" e achei-o interessante. Recomendo também o blog de Norma Braga, indicado nos meus sites favoritos, como uma das vozes mais relevantes em defesa da fé nesta era pós-moderna. Vale a pena.

Paulo Silvano disse...

Caro Pastor Geremias,
A paz do Senhor. Não ficarei ressentido se este meu comentário for censurado e, por isso, não publicado, até porque não tem relação direta com o seu post. Li o seu comentário ao post da Norma Braga e resolvi me manifestar no seu blog, que agora está registrado nos meus favoritos.

O senhor disse a Norma: "Ah... Postei agora há pouco um comentário no blog do Augustus, a quem tive o privilégio de conhecer em encontro que fizemos no Mackenzie. Disse a ele que sou "quase" calvinista!"

Pois bem, nasci e cresci no Evangelho e hoje sou pastor da Assembléia de Deus. Nos últimos tempos tem me preocupado a posição da CPAD, no tocante a orientação das suas publicações, principalmente depois do II Congresso Internacional de Ética e Cidadania, promovido pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, que celebrou no evento o lançamento da CPAD, Verdade absoluta: libertando o cristianismo de seu cativeiro cultural, da escritora Nancy Pearcey, considerada por muitos a sucessora de Francis Schaeffer.
Apesar de creditar que a sua manifestação no blog da Norma tenha sido apenas uma descontração, a minha inquietação deve-se a minha avaliação que leva em conta que, depois da geração do erudito pentecostal Emílio Conde, o máximo que conseguimos como autores pentecostais pentecostais nacionais, foi uma safra de compiladores que nos legaram publicações meramente reverberadoras daquilo que já era conhecido no nosso meio e que, passado o momento dos compiladores, não restou outra saída a CPAD senão publicar autores estrangeiros, incluindo o melhor do calvinismo e a literatura de pouca densidade teológica, como as do Max Lucado.
Causa-me estranheza perceber que instituições profundamente anti-pentecostais como o Mackenzie celebram as publicações da CPAD e a nossa guinada a serviço do protestantismo conservador, em detrimento aos ensinos herdados dos avivamentos pós-reforma, quase sempre de orientação arminiana.
Apesar da sintomática perda de interesse pelos conteúdos teológicos por boa parte da liderança assembleiana, que prefere a buscar similaridade com a prática dos neopentecostais, para não ver o rol de membros das suas igrejas diminuir, penso que, não tendo suficiente reserva de autores nacionais, não há nenhum pecado em apelar a publicação de autores estrangeiros, como já fez a CPAD publicando Comentário Bíblico Pentecostal -Novo Testamento e a excelente Teologia Sistemática organizada por Stanley Horton, alinhado a teologia pentecostal clássica.
O problema é que a benevolência da maior editora de confissão pentecostal brasileira com o protestantismo histórico é tão evidente que em outra recente oportunidade o catedrático presbiteriano Augustus Nicodemus argumentou no seu blog “O tempora, O mores” que a Assembléia de Deus, com as suas publicações, sucederá os reformados na manutenção da teologia calvinista.
Concordo que historicamente não só os pentecostais, como os demais segmentos ditos evangélicos, não têm conseguido levantar e manter uma reserva de escritores e pensadores confessionais nacionais; concordo também que não precisamos ser inflexíveis a exemplo de editoras como a Cultura Cristã, os Puritanos, a PES e a Fiel, que nutrem total desprezo a qualquer publicação que não seja de orientação calvinista, principalmente as pentecostais, mas penso que quaisquer opções para alavancar novas publicações da CPAD devem contemplar, necessariamente, a nossa herança soteriológica, fortemente influenciada pelo pensamento arminiano.

Um abraço
Paulo Silvano
posis@uol.com.br

Anônimo disse...

Caro Pastor Paulo Silvano

Acabei de ler o seu lúcido comentário e fui em busca do post de Norma Braga onde encontrei o comentário do Pastor Geremias do Couto.

Pelo que percebi o nobre pastor - assim como eu - conhece Geremias do Couto e sabe de seu bom humor. Não obstante, é prudente observar a colocação do nobre blogueiro, a fim de não emitirmos nenhum "juízo de valor" equivocado.

Eis o comentário: "Através do seu blog encontrei também o Augustus. Estivemos juntos em um encontro no Mackenzie. Disse a ele que sou "quase" um calvinista por estar alinhado às teses de Abraham Kuyper, Francis Shaffer e mais recentemente Charles Colson e Nancy Pearcey (tive o privilégio de ser o supervisor da edição brasileira de seu primeiro livro traduzido para o Português: "E agora, como viveremos?".

Por trocar idéias - sobre o embate entre as cosmovisões cristã e naturalista - com o Pastor Geremias do Couto, sei que seu pensamento é flexível em questões periféricas, mas ortodoxo em relação aos fundamentos de nossa fé cristã.

Como os pensadores citados por ele defendem questões basilares as quais também postulamos, não há nada de mal "estar alinhado" a eles em assuntos que não se chocam com a Bíblia Sagrada.

As maiores contribuições dos nomes mencionados, estão em áreas - infelizmente - quase inexploradas por nós e, só para citar dois exemplos: Missão Integral (trabalho, cultura, religião) e Defesa da Fé com argumentos lógicos e bíblicos etc.

Sejamos irredutíveis - verdadeiros apologistas - com os fundamentos basilares, mas, adotemos também a postura equilibrada e sabiamente verbalizada por Agostinho em seu epigrama:
"Nas coisas essenciais, unidade, nas não essenciais, diversidade, e em todas as coisas caridade".

César Moisés

Pastor Geremias do Couto disse...

Caros Paulo Silvano e César Moisés:

Não se preocupe, pastor Paul Silvano, quanto aos seus comentários em meu blog. Eles jamais serão excluídos se estiverem na mesma linha do que irmão acabou de postar. O embate das idéias é livre e enriquecedor, desde que respeitoso, como foi o seu caso. Afinal, o blog é para isso. É um espaço alternativo que precisa ser usado por aqueles que querem e podem contribuir para elevar o nível intelectual do nosso povo. Vejo que o irmão é um desses que têm muito a oferecer!

Quanto à expressão que usei no blog de Norma Braga: "sou 'quase' um calvinista", o sentido ficaria bem mais claro se o irmão transcrevesse todo o período, como fez César Moisés. Assim como está, no seu comentário, passa ao leitor desavisado a impressão de que fiz uma declaração doutrinária e fere a boa regra da hermenêutica, mesmo que o irmão tenha compreendido tratar-se de uma descontração.
Em relação às publicações da CPAD, hoje não tenho nenhum vínculo funcional com a editora, mas, a meu ver, a linha de suas obras é, em essência, "arminiana", mesmo quando publica J. I. Packer, Charles Colson e Nancy Pearcey, cujos temas, como disse César Moisés, têm sido pouco explorados por nós e não são exclusividade do calvinismo.

Concordo quando o irmão pressupõe a necessidade de termos autores nacionais mais densos. Essa é, também, a minha inquietação. Posso afirmar, com segurança, que a CPAD se esforça para isso, luta para estimular o pensamento pentecostal brasileiro, tendo criado com essa finalidade a Casa de Letras Emílio Conde. Mas o caminho ainda é longo, principalmente porque, no Brasil, temos poucos "escritores" (deixe-me logo explicar o sentido da palavra entre aspas para não ser crucificado!). Quis dizer que são poucos (ou quase nenhum) que podem dedicar-se exclusivamente ao ofício de escritor por falta de recursos para a sobrevivência. Livro evangélico em nosso país ainda não sustenta ninguém. Assim, os poucos que sobrevivem são pastores, pregadores, conferencistas, missionários (e por aí vai), os quais, nas horas vagas, são também escritores. Ora, escrever exige dedicação e tempo. Ainda assim, a CPAD lançará este ano uma Teologia Sistemática escrita por pastores brasileiros da Assembléia de Deus, da qual tenho a honra de participar como um dos autores.

O irmão se refere também ao antipentecostalismo dos conservadores históricos. Aqui precisamos refletir um pouco. Se a sua observação remonta aos grupos tradicionais conhecidos como "fundamentalistas", o irmão está correto. Eles nos consideram hereges! No entanto, o presbiterianismo e outras linhas do movimento evangélico conservador estão hoje muito mais próximos da herança pentecostal e mantêm com esta, via de regra, relacionamento fraterno, respeitoso e de cooperação. Com um adendo: a posicão da Igreja Presbiteriana do Brasil, atualmente, é de resgate da ortodoxia bíblica e anti-ecumenista, como pude depreender de conversas com o seu presidente, Rev. Roberto Brasileiro, e de seus recentes documentos oficiais, acessíveis a quem quer que seja no site oficial da igreja. O irmão mesmo reconhece que os avivamentos pós-reforma eram “quase” todos arminianos. Isto pressupõe, todavia, que houve avivamentos de expressão doutrinária calvinista.

A título de ilustração, John Wesley e Carlos Whitefield tinham posições soteriológicas diferentes: o primeiro era arminiano, o segundo, calvinista. No entanto, eram amigos fraternos e atuavam juntos na obra da evangelização. Ou seja, temos um grande espaço de compartilhamento com os nossos irmãos que professam o calvinismo. Para mim, pessoalmente, é algo já superado.

Quanto à CPAD estar mais aberta à publicação de obras não confessionais, vejo nisso um avanço, pois lhe permite a oportunidade de "garimpar" o ouro escondido debaixo da terra, mesmo que não tenha a assinatura da Assembléia de Deus. Quantas obras enriquecedoras tem a editora lançado nos últimos anos, às quais não teríamos acesso se ela não o fizesse? Todavia, não sejamos tão exigentes! Enquanto o irmão e outros podem digerir uma boa "feijoada", há ainda aqueles que precisam ser alimentados com "leite". Aí entra Max Lucado. Há, portanto, espaço para obras mais densas e comentários devocionais mais leves. Ambas as linhas são necessárias. E, cá para nós, necessitamos tomar um pouco de leite todos os dias. É saudável!

Por último, meu querido pastor Paulo Silvano, entre alinhar-me aos defensores do "teísmo aberto", aos modismos do neopentecostalismo, que mais se aproximam da relativização pós-moderna, prefiro alinhar-me com os conservadores históricos com os quais temos muito mais em comum do que com toda essa "modernidade" que está por aí.

Vamos continuar nossa conversa.

Gutierres Siqueira, 18 anos disse...

Pastor Geremias fico muito feliz por seu comentário:"Entre alinhar-me aos defensores do 'teísmo aberto', aos modismos do neopentecostalismo, que mais se aproximam da relativização pós-moderna, prefiro alinhar-me com os conservadores históricos com os quais temos muito mais em comum do que com toda essa "modernidade' que está por aí." Concordo plenamente, pois apesar de ser um pentecostal arminiano convicto, eu admiro muito a biblicidade de pastores como Augustos Nicodemus, Hernandes Dias Lopes, J. I. Packer e outros,. Lendo os seus escritos tenho sido grandemente edificado. Tenho um amigo calvinista em que passamos um bom tempo debatendo de modo saudável a Bíblia.