sexta-feira, 27 de abril de 2007

Que democracia é essa?

O que mais ouvi nos últimos dias, por ocasião da 38ª Assembléia Geral da CGADB, realizada em São Paulo, foram argumentos em defesa da democracia como instrumento legítimo para a escolha de seus diretores através de eleição. É óbvio que a premissa está correta, tendo em vista o mandato ser eletivo e com exercício limitado a dois anos, exigindo assim a cada termo uma consulta aos associados para que estes decidam quem vai liderá-los no próximo período. Nada mais simples.

Mas a maneira de se realizar essa consulta demanda algum tipo de regulamentação que garanta a lisura do processo e a legitimidade da escolha, principalmente depois dos episódios que envolveram a última eleição. Em se tratando de uma organização que reúne pastores, é de se esperar que o grau de comprometimento com a ética esteja acima de qualquer suspeita. Infelizmente, porém, não foi isso que revelaram os “métodos” empregados pela chapa que concorreu com o presidente reeleito. Tudo em nome da democracia.

Mas democracia não é sinônimo de baderna, cooptação mediante meios suspeitos ou mesmo manipulação através do uso de meias verdades. Não é também uma forma de agredir aos princípios que sustentam a própria democracia, que, com essa atitude, acaba tendo viés autoritário. Democracia é a manifestação livre e soberana da maioria, que, sem tornar-se massa de manobra ou “vendida” aos interesses de um grupo, decide o que entende ser o melhor para a instituição.

No meio cristão essa verdade ainda precisa ser mais cristalina, porque há outros critérios que regem a Igreja. Ela difere em tudo de qualquer organização secular. Alguém dirá: “Mas convenção não Igreja”. E eu lhe responderei: “A convenção existe por causa da Igreja, e não o contrário”. Por outro lado, os pastores que a ela pertencem são também a Igreja de Cristo (não estão excluídos dela) e lhes cabe ter, na assembléia convencional, o mesmo comportamento que pregam aos membros de suas igrejas locais. Ou deixarão de ser exemplos.

Queiram ou não, afirmem o que quiserem, mas quando pastores se reúnem em assembléia convencional é, por extensão, a Igreja que ali está. Então, mais do que em qualquer outro lugar, o seu comportamento precisa ser coerente com o que ensinam ao rebanho. Se for diferente, como dirão: “Sede meus imitadores, assim como eu sou de Cristo”?

A democracia não pode ser, portanto, uma maneira de fugir dos princípios bíblicos, nem justificativa para o desrespeito à autoridade e à falta de compromisso com a ética sob pena de macular todo o processo, como quase aconteceu em São Paulo com a insistência da outra chapa em usar meios seculares não apropriados para o ambiente cristão. Até mesmo incitando os pastores a se rebelarem contra as decisões tomadas no âmbito de suas convenções estaduais ou de seus respectivos ministérios e igrejas locais.

Isso não é democracia. É pecado contra Deus.

9 comentários:

Carlos Roberto Silva, Pr. disse...

Pastor Geremias!
Glória a Deus!
Não só concordo plenamente, como aplaudo e assino contigo!
No dia que a Convenção não tiver os mesmos princípios da Igreja, não nos interessará!
Parabéns! - Pr. Carlos Roberto - Cubatão - SP

Anônimo disse...

Preclaro Pastor Geremias!
Louvado seja o o nome de Jesus!

Parabenizo-lhe por esse comentário, estou de acordo com todas as palavras ditas, reflete também o meu pensamento.
Que Deus continue a te iluminar e abençoar.
Congratulações!
Pr. Levi Agnaldo dos Santos - São Paulo - SP

Anônimo disse...

Pr. Geremias concordo em plenamente com o irmão. Creio que Deus ainda é Quem levanta lideres. E creio que rebelião é um príncipio criado pelo inimigo das nossas almas.
Deus lançou confusão no meio deles.
Parabéns!
Continue assim!!!

Eliseu Antonio Gomes disse...

Quem usou de métodos errados pode ter certeza que nada ganhou lá no céu, não importa qual tenha sido o método usado e qual tenha sido o resultado das urnas.

Muitos dirão SENHOR, SENHOR, mas Jesus dirá NÃO VOS CONHEÇO, VÃO PARA O FOGO ETERNO PREPARADO PARA O DIABO E SEUS ANJOS.

André, DF. disse...

Nós somos democráticos. Há cada dois anos temos uma eleição, e o povo vota. Ganha quem obtiver mais votos. É óbvio. Simples. A vida continua...
"Os incomodados que se mudem". Quem não estiver satisfeito com essa democracia que se mude. Filie-se ao sistema ESPISCOPAL, onde o cargo é vitalício, onde o poder se concentra numa só pessoa. E o povo não tem direito ao voto.

Obrigado.

André, DF. disse...

Digo: "SISTEMA EPISCOPAL".

Eliseu Antonio Gomes disse...

Irmão André

Pequenos esclarecimentos para que tudo fique bem claro aos que não conhecem as Assembléias de Deus aqui no Brasil:

•Quem tem direito de escolher / votar ao cargo de presidente da CGADB são só os pastores;

•Membros nunca votaram.

OBSERVAÇÃO: Ao que me parece não existe nenhuma cogitação referente a ampliar esse direito de voto.

Minha conclusão: Democracia entre aspas.

André, df disse...

Eliseu, a sua abordagem está correta. Quando disse "e o povo vota" me referi aos pastores, mas não ficou explícito no texto. Obrigado por atentar a este detalhe.

Um abraço

Pr. Silas Plácido disse...

Caro pastor Geremias,

Concordo com o senhor que "Isso não é democracia. É pecado contra Deus." e creio tambem que, embora as convenções sejam um instituto necessário a organização, Deus não dá a mínima para essas disputas pecaminosas, eivadas pela politicagem, mesmo quando acontecem em nome Dele.
Esse momento é o desaguadouro sintomático dos anos de camisa de força e tripudiação vividos na direção da nossa querida AD. Resulta da dificuldade histórica, desde os anos 30, das partes lidarem com processos democáticos. Creio que com o passar dos anos seremos amadurecidos e esses episódios superados.