domingo, 15 de abril de 2007

Não perdi a esperança

Não sou profeta do caos e, em minha humanidade, entre conflitos e contradições próprios da vivência cotidiana, luto para não perder a esperança diante do descalabro em que vive o nosso país. E também para não me ver submerso nesse mar de atitudes que mandam às favas principios éticos em nome da teoria de Maquiavel de que os fins justificam os meios.

Não tem sido fácil! É uma sobrevivência quase sobre-humana! De um lado, pela pressão dos ílícitos que você sofre, desde o guarda da esquina acostumado às "pequenas" propinas àqueles que lhe oferecem "grande vantagens" pelos atalhos da vida. Mas sempre me lembro da palavra de um amigo: "Eles podem, você não!". De outro lado, é a mídia que lhe bombardeia com notícias escabrosas sobre desembargadores detidos sob suspeita de conluio com o crime organizado, religiosos (evangélicos e de outro jaez) metidos com a prática de lavagem de dinheiro e outros tipos de corrupção e até com "pequenos" roubos em lojas de griffe nos Estados Unidos, enfim, uma sujeirada que não tem mais fim. Isso para não falar das lutas internas pelo poder em alguns segmentos da Igreja, onde o "vale-tudo" da política secular foi introduzido sem o menor escrúpulo por alguns grupos.

Parece que a integridade não vale a pena. Tem-se a impressão de que o melhor é jogar na lata do lixo tudo aquilo em que você acreditou e (perdoem-me o termo, por favor!) cair na gandaia. Fica aquele gosto de que você perde o seu tempo numa luta inglória contra um sistema que aplaude o ilícito e despreza a retidão. Tem horas que me sinto como Asafe, no Salmo 73, onde, ao ver a prosperidade dos ímpios, descreve o seu sentimento de revolta e afirma: "meus pés quase se desviaram"! Mas sempre tenho a martelar em minha cabeça as palavras de meu amigo: "Eles podem, você não!".

Não pense, com isso, que tenha perdido a esperança. Não estou com a síndrome de Elias, me vendo sozinho numa caverna em pleno deserto. Doem-me as juntas, palpita-me o coração, a cabeça lateja, mas posso aguardar, com serenidade, a salvação que vem do Senhor! Ainda que isso implique em juízo para purgar as mazelas do nosso meio. Como bem escreveu Pedro: "Pois chegou a hora de começar o julgamento pela casa de Deus; e, se começa primeiro conosco, qual será o fim daqueles que não obedecem ao evangelho de Deus?", 1 Pedro 4.17 (NVI).

Não perdi a esperança, porque ela não está no homem, mas em Deus. É ele quem dá sentido e propósito à minha existência. Ele é o meu bem maior . Ninguém melhor do que o próprio Deus para lidar com o caos à nossa volta e com o nosso próprio caos. Valho-me outra vez das palavra de Asafe, agora em estado de graça: "A quem tenho nos céus senão a ti? E na terra, nada mais desejo além de estar junto a ti", Salmos 73.25 (NVI). Com ele, posso ser um profeta sem os aprisionamentos institucionais, humano como qualquer um, com todas as faces que isto implica, e sem qualquer vislumbre de outros interesses, mas sempre em nome da verdade, para defender teses e não casuismos quando se trata do "meu interesse" ou de interesses alheios.

Sim, não perdi a esperança. Ela permanece viva e em santa expectativa neste corpo maltratado e gasto pelos embates da vida!

2 comentários:

Carlos Roberto Silva, Pr. - Cubatão - SP disse...

Meu prezado amigo Pastor Geremias do Couto. Como é confortante saber que mais alguém está sentindo a mesma dor e também vendo como estamos vendo. Na verdade esse conforto não cura nada, mas só de saber que exitem mais 7.000 profetas que não se dobraram, já é um grande alento, porque esses não tem mídia nem holofotes. Por estarem no anonimato, a impressão é de que não existem. O segredo de ASAFE foi confessar sua decepção e entrar no santuário de Deus. É o que tenho feito no dia a dia e por este motivo faço coro contigo: "EU TAMBÉM NÃO PERDÍ A ESPERANÇA".

Eliseu Antonio Gomes disse...

Estamos nesse mundo, mas dele não somos...

É uma pena ver a filosofia cristã ser trocada pela maquiavélica. Mas de fato isso tem acontecido no seio da Igreja. E fico me perguntando se essas pessoas sabem ou se esqueceram da razão da nossa fé.